O que esta matriz resolve
Numa parada programada, os conflitos de responsabilidade aparecem em três momentos: na liberação dos equipamentos (quem bloqueia e autoriza o trabalho), nos serviços emergentes descobertos na abertura (quem pode aprovar gasto e prazo a mais) e no retorno à operação (quem decide que a unidade pode partir). A matriz deste exemplo deixa essas três situações explícitas.
Alguns pontos da montagem:
- A operação é aprovadora e executora (A/R) do bloqueio e das permissões de trabalhoEla é a dona da área e dos equipamentos: nenhuma contratada começa um serviço sem a liberação dela. A segurança do trabalho e as contratadas são consultadas, porque conhecem os riscos e os pontos de bloqueio de cada serviço.
- A operação executa e aprova (A/R) os testes e a liberação da unidade para a partidaManutenção e contratadas entregam os equipamentos e acompanham os testes, mas quem assume a unidade de volta é quem vai operá-la. Separar quem entrega de quem recebe evita partidas com pendências escondidas.
- A engenharia de manutenção executa (R) os serviços com as contratadas e emite o relatório de inspeção da caldeira (A/R)O relatório segue a NR-13 e é assinado por profissional habilitado. A aprovação da execução como um todo fica com o coordenador da parada.
- Serviços emergentes são aprovados pelo coordenador da parada, dentro da reservaO planejamento e a engenharia de manutenção preparam a análise (R), e operação, suprimentos e contratadas são consultados. Acima da reserva, a decisão sobe ao gerente-geral, que aprova a extensão do prazo de desligamento.
- A segurança do trabalho aprova (A) os planos de segurança das contratadas e executa a inspeção das frentes. Colocar a segurança só como consultada é um erro comum em paradas com muitas empresas.
Repare que cada linha tem exatamente um A. Numa parada, uma decisão que espera uma segunda aprovação custa horas de unidade desligada.
A usina, as pessoas e as empresas deste exemplo são fictícias.
Como adaptar para a sua parada
- Separe as contratadas por especialidade (turbina, caldeiraria, elétrica, andaimes) quando os contratos forem diferentes. Cada uma terá R nos seus serviços e C nas interfaces.
- Inclua o fabricante do equipamento principal como papel se ele fizer a supervisão técnica, com C nas decisões de reparo.
- Acrescente meio ambiente e o operador do sistema elétrico como I nas atividades com impacto externo, como a extensão do prazo de desligamento.
- Use a revisão automática da ferramenta para encontrar atividades sem aprovador e pessoas sobrecarregadas.
Perguntas frequentes
Por que a operação aprova a partida, e não a manutenção?
Porque a operação recebe a unidade de volta e responde por ela depois da partida. A manutenção e as contratadas entregam os equipamentos e apoiam os testes, mas a decisão de operar é de quem opera.
Quem aprova serviços que aparecem durante a parada?
Quem tem o limite para isso. Neste exemplo, o coordenador aprova dentro da reserva de contingência, e o que passa dela vai ao gerente-geral. Sem esse limite escrito, cada serviço novo vira uma reunião.
As contratadas podem aprovar alguma atividade?
Normalmente não. Elas executam (R) os serviços e os próprios planos de segurança, e respondem ao contrato. A aprovação é de quem contratou ou de quem responde pela área.