Planejamento, Cronograma e Custos
Cronograma físico-financeiro: o que é e como montar
O cronograma físico-financeiro é a tabela que distribui o orçamento do projeto ao longo do tempo, serviço por serviço: em cada período, mostra quanto de cada etapa deve ser executado (o avanço físico) e quanto isso custa (o avanço financeiro). É o documento que responde, ao mesmo tempo, às perguntas do engenheiro ("quanto da obra deve estar pronto no mês 3?") e do financeiro ("quanto vamos pagar no mês 3?").
Ele é mais conhecido em obras, em que editais e contratos costumam pedi-lo como base para as medições e os pagamentos, mas funciona em qualquer projeto com orçamento relevante e desembolso ao longo de vários meses. Montá-lo exige dois insumos que já devem existir: o orçamento detalhado e o cronograma com as durações de cada serviço.
Formação relacionada
Microsoft Project Professional
Cronogramas confiáveis, linha de base, controle de desvio e relatórios que sustentam decisão de diretoria.
O que é cronograma físico-financeiro de um projeto
O nome descreve as duas dimensões que ele junta:
- Físico: o percentual de cada serviço ou etapa que deve ser executado em cada período. Por exemplo, 25% das instalações elétricas no mês 1, 50% no mês 2 e 25% no mês 3.
- Financeiro: o valor correspondente a esse avanço, obtido multiplicando o percentual pelo custo do serviço.
Na forma mais comum, as linhas são os serviços ou etapas (vindos do orçamento ou da EAP), as colunas são os períodos (semanas ou meses), e cada célula traz o percentual e o valor previstos. No rodapé ficam o total por período, o percentual do período sobre o orçamento total e o acumulado.
Ele é diferente do cronograma de desembolso, que mostra apenas quanto dinheiro sai em cada período. O desembolso é uma das saídas do físico-financeiro, mas sem a parte física ele não permite medir se o dinheiro pago corresponde a trabalho feito.
Para que serve o cronograma físico-financeiro
- Planejar o caixa. O financeiro sabe quanto precisa ter disponível em cada mês, o que evita parar a obra por falta de recurso ou manter dinheiro parado sem necessidade.
- Medir e pagar o contratado. Em contratos por medição, o pagamento de cada período é calculado sobre o avanço físico verificado, e o cronograma físico-financeiro é a referência do que era esperado.
- Acompanhar o desempenho. Comparar o previsto acumulado com o realizado mostra, mês a mês, se o projeto está atrasado e se está gastando mais do que executa.
- Negociar liberações de recursos. Financiamentos e repasses costumam ser liberados por etapa cumprida, e o cronograma mostra quando cada liberação deve acontecer.
- Comunicar. Uma tabela e uma curva resumem o projeto inteiro para a diretoria, para o cliente ou para o órgão contratante.
Como montar o cronograma físico-financeiro passo a passo
Antes de começar: os insumos
- Orçamento por serviço ou etapa, com o valor total de cada um. Se ainda não existe, o artigo sobre como fazer orçamento de projeto cobre essa etapa.
- Cronograma com início, fim e duração de cada serviço, com as dependências já resolvidas.
- Periodicidade de medição, que normalmente é mensal em obras e pode ser quinzenal ou por marco em outros projetos.
- Critério de distribuição de cada serviço no tempo: uniforme, concentrado no início, no fim, ou por marcos físicos.
Passo 1: liste os serviços com seus valores
Use a mesma estrutura do orçamento. Se o orçamento tem 200 itens, agrupe em etapas (no máximo algumas dezenas de linhas), para que o cronograma possa ser lido e medido.
Passo 2: defina os períodos
Crie uma coluna por período, do início ao fim do cronograma. O período deve coincidir com a periodicidade de medição e de pagamento.
Passo 3: posicione cada serviço no tempo
Para cada serviço, marque os períodos em que ele acontece, conforme o cronograma. Um serviço que vai do meio do mês 1 ao meio do mês 3 aparece nos três meses.
Passo 4: distribua o percentual físico
Em cada período, informe quanto do serviço será executado. A soma de cada linha precisa dar 100%. A distribuição uniforme é a mais simples, mas nem sempre a mais realista: instalações costumam ter pico no meio, e acabamentos se concentram no fim.
Passo 5: calcule o valor de cada célula
Multiplique o percentual pelo valor do serviço. Se as instalações custam R$ 120 mil e 50% acontecem no mês 2, o valor previsto é R$ 60 mil.
Passo 6: totalize por período e acumule
Some as colunas para obter o valor de cada período. Divida pelo orçamento total para ter o percentual do período e some os percentuais para ter o acumulado.
Passo 7: confira e aprove
Confira se o total de cada linha bate com o orçamento e se o total geral bate com o valor do contrato. Depois, valide com o financeiro: um mês com desembolso muito acima dos demais pode exigir ajuste de sequência. A versão aprovada passa a ser a referência para medir o projeto, junto com a linha de base de custos.
Exemplo de cronograma físico-financeiro de obra
O exemplo é ilustrativo: a reforma de uma loja em quatro meses, com orçamento total de R$ 400 mil (valores com todos os custos incluídos).
| Serviço | Valor (R$) | Mês 1 | Mês 2 | Mês 3 | Mês 4 |
|---|---|---|---|---|---|
| Serviços preliminares e demolição | 40.000 | 100% (40.000) | |||
| Instalações elétricas e hidráulicas | 120.000 | 25% (30.000) | 50% (60.000) | 25% (30.000) | |
| Drywall e forro | 60.000 | 50% (30.000) | 50% (30.000) | ||
| Pisos e revestimentos | 80.000 | 60% (48.000) | 40% (32.000) | ||
| Pintura e acabamentos | 50.000 | 20% (10.000) | 80% (40.000) | ||
| Mobiliário e comunicação visual | 50.000 | 100% (50.000) | |||
| Total do mês (R$) | 400.000 | 70.000 | 90.000 | 118.000 | 122.000 |
| % do mês | 17,5% | 22,5% | 29,5% | 30,5% | |
| Acumulado (R$) | 70.000 | 160.000 | 278.000 | 400.000 | |
| % acumulado | 17,5% | 40,0% | 69,5% | 100% |
Três leituras que o cronograma permite:
- O desembolso cresce ao longo da obra e se concentra nos dois últimos meses, que somam 60% do valor. O financeiro precisa saber disso no início, não no mês 3.
- O mês 3 é o mais carregado em número de frentes (quatro serviços em paralelo). É ali que falta de mão de obra ou atraso de material mais provavelmente aparece.
- Ao fim do mês 2, 40% do orçamento deve estar executado. Esse é o número contra o qual a primeira grande medição será comparada.
Curva S e acompanhamento do previsto com o realizado
Quando você coloca o percentual acumulado num gráfico, com o tempo no eixo horizontal, obtém a curva do previsto. Em projetos com muitos períodos, ela tende a ter forma de S: começa devagar (mobilização), acelera no meio (várias frentes em paralelo) e desacelera no fim (acabamentos e entrega). O artigo sobre a curva S do projeto mostra como montá-la no Excel.
A cada medição, você lança o realizado ao lado do previsto. Suponha que, no fim do mês 2 do exemplo, a medição física mostre R$ 140 mil executados, contra R$ 160 mil previstos. O projeto está 5 pontos percentuais atrás (35% contra 40%). Se, além disso, já foram gastos R$ 165 mil, ele também está gastando mais do que executa.
Essa comparação entre o planejado, o executado e o gasto é a base do gerenciamento do valor agregado. O artigo sobre valor agregado em projetos explica os índices que transformam esses três números em previsão de prazo e de custo final.
Reprogramar não é apagar o previsto
Quando há mudança aprovada de prazo ou de valor, o cronograma físico-financeiro é reprogramado. Guarde a versão original: é ela que mostra quanto o projeto se desviou do que foi aprovado. Reprogramar a cada medição, para que o previsto sempre coincida com o realizado, destrói a utilidade do documento.
Cronograma físico-financeiro fora da construção civil
A mesma lógica vale para outros tipos de projeto, com adaptações:
- Implantação de sistema: as linhas são as entregas da EAP (licenças, configuração, migração, treinamento), e o avanço físico é medido por marcos aceitos, e não por percentual estimado. Licenças costumam ter desembolso concentrado no início.
- Evento: boa parte do desembolso acontece em sinais de reserva e pagamentos antes da data, e o cronograma mostra quando cada fornecedor precisa ser pago.
- Projeto em órgão público: o cronograma ajuda a casar a execução com o exercício orçamentário e com os empenhos previstos.
Em todos os casos, a pergunta é a mesma: quanto deve estar pronto e quanto deve ter sido pago em cada data. É essa visão integrada de escopo, prazo e custo que a gestão de custos do projeto usa para controlar o orçamento.
Erros comuns ao montar o cronograma físico-financeiro
- Distribuição uniforme em tudo. Dividir cada serviço igualmente entre os meses é rápido, mas cria uma curva que não corresponde à obra e gera desvios artificiais nas medições.
- Linhas demais. Um cronograma com 200 linhas não é medido; é preenchido de qualquer jeito. Agrupe.
- Cronograma e orçamento de fontes diferentes. Se a duração dos serviços não vem do cronograma aprovado, o físico-financeiro descreve outro projeto.
- Medir pelo gasto. Avanço físico é o que foi executado e aceito, não o que foi pago ou comprado.
- Esquecer as condições de pagamento. Em contratos com sinal, retenção ou pagamento a prazo, o desembolso não coincide com a execução, e o financeiro precisa das duas visões.
Monte o seu a partir do cronograma
Comece pelo cronograma: sem durações e dependências confiáveis, a distribuição do dinheiro no tempo é ficção. Monte a sequência de serviços no gerador de cronograma grátis da Projeto Diário, que calcula as datas em dias úteis e exporta para Excel, e acrescente na planilha as colunas de valor por mês, seguindo os sete passos. Para ver onde o cronograma físico-financeiro entra no plano como um todo, entre o orçamento e a linha de base, consulte o guia de planejamento de projetos.