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Planejamento, Cronograma e Custos

Dicionário da EAP: o que é e exemplo preenchido

O dicionário da EAP é o documento que explica, item por item, o que cada caixa da Estrutura Analítica do Projeto (EAP) significa. A EAP diz que existe um pacote chamado "Migração da base de clientes". O dicionário diz quantos registros entram, de quais sistemas, quem responde, o que fica de fora, quando o pacote está pronto e quanto ele deve custar.

Sem esse detalhamento, cada pessoa lê o nome do pacote de um jeito. O fornecedor entende uma coisa, o patrocinador outra, e a diferença só aparece no aceite, quando já é cara. Por isso o dicionário da EAP (também chamado de dicionário da WBS, sigla em inglês de work breakdown structure) faz parte da linha de base do escopo, ao lado da declaração do escopo e da própria EAP.

A seguir estão os campos que fazem diferença, um modelo para copiar, um exemplo preenchido de ponta a ponta e o que separa um critério de aceitação útil de um que só parece útil.

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O que o dicionário da EAP resolve

A EAP é uma árvore: cada nível decompõe o de cima até chegar aos pacotes de trabalho, as entregas pequenas o bastante para estimar, atribuir e controlar. O conceito completo está em o que é EAP. O problema é que uma árvore só carrega código e nome, e o nome de um pacote raramente cabe a definição inteira dele.

O dicionário resolve três situações concretas:

  1. Estimativa. Ninguém estima prazo e custo de "Treinamento dos usuários" sem saber quantas turmas, quantas pessoas, presencial ou remoto, com ou sem material.
  2. Contratação. Quando um pacote vai para um fornecedor, a descrição do dicionário vira a base do escopo contratado. Ambiguidade aqui vira aditivo depois.
  3. Aceite. O critério de aceitação escrito antes da execução encerra a discussão "está pronto ou não está" com um teste, não com uma opinião.

Quais campos o dicionário da EAP deve ter

A 6ª edição do Guia PMBOK lista o que o dicionário pode conter, sem limitar a esses itens: identificador do código de contas, descrição do trabalho, premissas e restrições, organização responsável, marcos do cronograma, atividades associadas, recursos necessários, estimativas de custo, requisitos de qualidade, critérios de aceitação, referências técnicas e informações de contrato. Não há formato obrigatório. Na prática, os campos abaixo cobrem quase todos os projetos:

Campo O que escrever Erro comum
Código e nome O código da EAP e o nome da entrega, como substantivo Nome de atividade ("Migrar dados") em vez de entrega
Descrição do trabalho O que está incluído, com quantidades Repetir o nome com outras palavras
Fora do escopo O que alguém poderia supor incluído e não está Deixar em branco
Responsável Uma pessoa ou área que responde pelo pacote Colocar duas áreas "em conjunto"
Critérios de aceitação Condições verificáveis e quem verifica "Funcionar corretamente"
Premissas e restrições O que precisa ser verdade para o pacote dar certo e os limites que ele respeita Esconder dependências de outras áreas
Dependências Pacotes que precisam estar prontos antes ou depois Ignorar dependências fora do projeto
Marcos Data ou evento que marca o início ou a conclusão Data sem vínculo com o cronograma
Recursos e estimativa Esforço, custo e a base do cálculo Número sem memória de cálculo
Referências Requisitos, normas internas, contrato, especificação Citar "conforme combinado"

Os campos "fora do escopo" e "critérios de aceitação" são os que mais evitam conflito. Se o tempo for curto, comece por eles.

Modelo de dicionário da EAP para copiar

O modelo funciona numa planilha (uma linha por pacote, uma coluna por campo) ou num documento (uma ficha por pacote). A ficha é mais fácil de ler; a planilha é mais fácil de manter quando a EAP tem dezenas de pacotes.

DICIONÁRIO DA EAP
Projeto:                          Versão:        Data:

Código e nome do pacote:
Elemento pai na EAP:
Descrição do trabalho (incluído, com quantidades):
Fora do escopo:
Responsável pelo pacote:
Critérios de aceitação (e quem aceita):
Premissas:
Restrições:
Dependências (antes / depois):
Marcos (início e conclusão):
Recursos necessários:
Estimativa de esforço e custo (com a base do cálculo):
Requisitos de qualidade e referências técnicas:
Informações de contrato (se o pacote for contratado):
Aprovado por:                     Data:

Exemplo de dicionário da EAP preenchido

O exemplo é ilustrativo. Uma empresa de serviços implanta um novo sistema de atendimento ao cliente e precisa migrar a base do sistema antigo. Na EAP, o ramo 1.4 Dados tem três pacotes: 1.4.1 Mapeamento dos dados de origem, 1.4.2 Migração da base de clientes e 1.4.3 Relatório de reconciliação. O dicionário do pacote central fica assim:

Campo 1.4.2 Migração da base de clientes
Elemento pai 1.4 Dados
Descrição do trabalho Carga dos cadastros de clientes ativos e inativos dos últimos cinco anos (cerca de 120 mil registros) e do histórico de chamados dos últimos dois anos, do sistema antigo e da planilha da filial para o novo sistema. Inclui limpeza de duplicidades, padronização de endereços e duas cargas de teste antes da carga final
Fora do escopo Anexos dos chamados (ficam no arquivo do sistema antigo, em modo leitura); clientes sem movimento há mais de cinco anos; dados do sistema de cobrança
Responsável Analista de dados do projeto, com apoio do fornecedor do sistema
Critérios de aceitação Contagem de registros carregados igual à do arquivo de origem, descontadas as exclusões documentadas; amostra de 200 clientes conferida campo a campo sem divergência; nenhum CPF ou CNPJ duplicado; aceite assinado pela coordenadora do atendimento
Premissas O sistema antigo permite exportação completa em arquivo texto; a área de atendimento libera dois usuários-chave por 3 dias para conferir a amostra
Restrições A carga final só pode ocorrer num fim de semana, com o sistema antigo bloqueado para alteração; dados pessoais tratados conforme a política de privacidade da empresa
Dependências Antes: 1.4.1 Mapeamento dos dados de origem e 1.3.2 Ambiente de homologação. Depois: 1.4.3 Relatório de reconciliação e 1.6.1 Virada para produção
Marcos Primeira carga de teste concluída; aceite da carga final
Recursos Analista de dados, consultor do fornecedor, dois usuários-chave do atendimento
Estimativa Esforço interno: 2 analistas x 80 h x R$ 95/h = R$ 15.200. Ferramenta de higienização de dados (licença por 3 meses): R$ 3.000. Total do pacote: R$ 18.200. Horas do fornecedor já incluídas no contrato de implantação
Referências Planilha de mapeamento de campos (pacote 1.4.1); política de privacidade; cláusula de migração do contrato com o fornecedor

Repare em três detalhes. A descrição tem números (registros, anos, quantidade de cargas de teste), o que permite estimar. O "fora do escopo" responde às perguntas que surgiriam no aceite ("e os anexos?"). E a estimativa mostra a conta, de modo que, se a quantidade de registros dobrar, qualquer pessoa sabe o que recalcular.

Como escrever critérios de aceitação que dá para testar

Critério de aceitação bom passa num teste simples: duas pessoas diferentes, olhando a mesma entrega, chegam à mesma conclusão. Compare:

Critério fraco Critério verificável
Dados migrados corretamente Contagem igual à origem e amostra de 200 registros sem divergência
Treinamento realizado com sucesso 90% dos atendentes treinados, com avaliação prática concluída
Sala pronta para uso Vistoria com checklist assinado, sem pendência classificada como impeditiva
Relatório aprovado Relatório aprovado pela diretoria financeira em reunião registrada em ata

Três regras ajudam:

  • Diga quem aceita. Um critério sem dono vira discussão entre áreas.
  • Use número, lista ou evento observável. "Rápido", "adequado" e "satisfatório" não são testáveis.
  • Combine o critério antes de executar. Critério negociado depois da entrega pronta é renegociação de escopo.

Até onde detalhar o dicionário

Não é preciso escrever uma ficha completa para cada caixa da EAP. Os elementos de nível alto (por exemplo, "1.4 Dados") pedem só uma descrição curta. O detalhamento completo vai para os pacotes de trabalho, que é onde o trabalho é estimado e controlado.

O nível de detalhe também depende do risco do pacote:

  • Pacote contratado de terceiros: dicionário completo, com critérios de aceitação e referência ao contrato.
  • Pacote interno, conhecido e de baixo valor: descrição, responsável, critério de aceitação e estimativa bastam.
  • Pacote novo para a equipe: reforce premissas e restrições, porque é onde estão as surpresas.

Se o pacote ainda não está claro o suficiente para ter critério de aceitação, a decomposição não terminou. Volte ao passo de decompor em como fazer a EAP do projeto antes de completar a ficha.

Dicionário da EAP, declaração do escopo e lista de atividades

Os três documentos convivem e não se substituem:

Documento Responde a Nível
Declaração do escopo O que o projeto entrega, exclusões e critérios gerais Projeto inteiro
Dicionário da EAP O que cada pacote de trabalho entrega e como será aceito Pacote de trabalho
Lista e atributos das atividades Que ações produzem cada pacote, com duração e predecessoras Atividade do cronograma

O dicionário é a ponte. A declaração do escopo diz "migração dos dados do sistema antigo"; o dicionário detalha quais dados; o cronograma quebra o pacote em atividades como "exportar arquivo", "primeira carga de teste" e "conferência da amostra".

Como faz parte da linha de base do escopo, o dicionário só muda pelo controle de mudanças. Mantenha versão e data na ficha. Quando uma mudança aprovada alterar um pacote, atualize a descrição, o critério e a estimativa juntos, ou a linha de base fica incoerente.

Erros que esvaziam o dicionário

  • Copiar o nome do pacote na descrição. "Treinamento: realizar o treinamento" não acrescenta nada.
  • Preencher depois da execução. O dicionário serve para planejar e aceitar; escrito no fim, só documenta o que já aconteceu.
  • Estimativa sem base. Um valor solto não pode ser revisto quando a quantidade muda.
  • Pacote com dois responsáveis. Na hora do atraso, cada um aponta o outro.
  • Dicionário guardado num arquivo que ninguém abre. Ele precisa estar junto da EAP, onde a equipe consulta.

Comece pelos pacotes de maior risco

Pegue a EAP atual e escolha os três pacotes mais caros, contratados ou novos para a equipe. Escreva a ficha deles com o modelo acima, valide os critérios de aceitação com quem vai aceitar, e só depois estenda aos demais. Se a sua EAP ainda não existe, parta de um dos exemplos em modelo de EAP de projeto, e o guia de planejamento de projetos mostra onde o dicionário entra na sequência do planejamento.

Para não manter árvore e fichas em arquivos separados, use o editor de EAP grátis da Projeto Diário: cada item tem o campo de dicionário para a descrição, o critério de aceite e as premissas, além do responsável, e a exportação em Excel leva códigos, níveis, responsáveis e dicionário juntos para a reunião de aprovação.

Perguntas frequentes

O que é o dicionário da EAP?
É o documento que descreve cada componente da Estrutura Analítica do Projeto, principalmente os pacotes de trabalho: o que está incluído e excluído, quem responde, como será aceito, premissas, marcos e estimativas. A EAP mostra a estrutura; o dicionário explica cada caixa.
Qual a diferença entre EAP e dicionário da EAP?
A EAP é a decomposição hierárquica das entregas, com código e nome. O dicionário é o detalhamento de cada item dessa estrutura. Os dois, junto com a declaração do escopo, formam a linha de base do escopo.
O dicionário da EAP é obrigatório?
Não existe formato obrigatório, e em projetos pequenos ele pode ser uma tabela simples. Mas, sem descrição e critério de aceitação por pacote, a estimativa, a contratação e o aceite ficam abertos a interpretação.
Quem preenche o dicionário da EAP?
O responsável por cada pacote de trabalho escreve a primeira versão, e o gerente do projeto revisa a consistência entre os pacotes. Critérios de aceitação devem ser validados com quem vai aceitar a entrega.

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