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Escritório de Projetos

Modelos de maturidade em projetos: OPM3, P3M3, MMGP e CMMI

Quando a diretoria pergunta "quão bons somos em gerenciar projetos?", a resposta raramente passa de impressão. Os modelos de maturidade em projetos existem para transformar essa impressão em diagnóstico: eles descrevem estágios de evolução, dão critérios para saber em qual estágio a organização está e indicam o que fazer para avançar.

O problema é escolher. OPM3, P3M3, MMGP e CMMI aparecem lado a lado em editais, trabalhos acadêmicos e propostas de consultoria, mas foram criados por instituições diferentes, com propósitos diferentes. Escolher o modelo errado pode gerar uma avaliação cara que mede o que não interessa.

A comparação a seguir mostra a origem, a estrutura e o uso indicado de cada um, com uma tabela-resumo e critérios para decidir.

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O que um modelo de maturidade mede

Maturidade, aqui, é a capacidade da organização de entregar projetos com sucesso de forma repetível, e não o sucesso de um projeto isolado. Uma empresa pode entregar um projeto excelente graças a um gerente talentoso e continuar imatura, porque o resultado depende de pessoas específicas e não de práticas estabelecidas.

Quase todos os modelos seguem a mesma lógica de evolução, inspirada nos trabalhos de qualidade e melhoria de processos:

  1. Práticas informais, que dependem de cada pessoa.
  2. Práticas conhecidas e repetidas em alguns projetos.
  3. Práticas padronizadas e usadas em toda a organização.
  4. Práticas medidas e controladas com dados.
  5. Melhoria contínua baseada nesses dados.

O que diferencia os modelos é o escopo (só projetos, ou também programas e portfólio), a forma de avaliar e o quanto cada um se conecta a um corpo de conhecimento específico.

OPM3: o modelo do PMI

O Organizational Project Management Maturity Model (OPM3) foi publicado pelo Project Management Institute (PMI); a terceira edição é de 2013 e foi alinhada aos padrões do PMI para projetos, programas e portfólio. O "3" do nome se refere aos três "M" de Management Maturity Model, e não à edição.

A estrutura do OPM3 é diferente da escada clássica de cinco níveis. O modelo reúne centenas de melhores práticas, cada uma sustentada por capacidades que a organização precisa ter e por resultados observáveis que comprovam essas capacidades. As melhores práticas são organizadas em três dimensões:

  • Domínios: projeto, programa e portfólio.
  • Etapas de melhoria: padronizar, medir, controlar e melhorar continuamente (em inglês, SMCI), seguindo a lógica do ciclo de Deming.
  • Grupos de processos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, encerramento.

O resultado da avaliação é um mapa de quais práticas a organização domina e quais faltam, mais do que um número único. Isso torna o OPM3 detalhado e útil para planejar melhorias, mas também trabalhoso de aplicar. Na prática, é mais comum em organizações que já usam os padrões do PMI como referência central.

P3M3: portfólio, programa e projeto em cinco níveis

O Portfolio, Programme and Project Management Maturity Model (P3M3) nasceu no governo britânico, na mesma família de boas práticas do PRINCE2, e hoje é mantido pela Axelos, que faz parte da PeopleCert. A versão 3, lançada em 2015, é a referência atual.

O P3M3 tem três submodelos independentes (portfólio, programa e projeto), e cada um é avaliado em cinco níveis:

  1. Consciência do processo (awareness of process).
  2. Processo repetível.
  3. Processo definido.
  4. Processo gerenciado.
  5. Processo otimizado.

Os níveis são analisados em sete perspectivas: governança organizacional, controle gerencial, gestão de benefícios, gestão de riscos, gestão de partes interessadas, gestão financeira e gestão de recursos. A vantagem é poder dizer, por exemplo, que a organização está no nível 3 em projetos, mas no nível 2 em portfólio, e que a perspectiva mais fraca é a gestão de benefícios.

O modelo é usado sobretudo por órgãos públicos e empresas com influência das práticas britânicas. Avaliações formais são feitas por consultorias credenciadas.

MMGP: o modelo brasileiro de Darci Prado

O Modelo de Maturidade em Gerenciamento de Projetos (MMGP) foi criado pelo professor Darci Prado em 2002 e é muito usado no Brasil, inclusive em pesquisas de maturidade de órgãos públicos federais e estaduais. Ele tem cinco níveis:

  1. Inicial: pouca ou nenhuma prática estruturada; o sucesso depende de esforço individual.
  2. Conhecido: a organização investe em capacitação e há iniciativas isoladas de padronização.
  3. Padronizado: existe metodologia implantada, com uso de ferramentas e estrutura organizacional (como um PMO).
  4. Gerenciado: os padrões funcionam, as causas de fracasso são tratadas e há alinhamento com a estratégia.
  5. Otimizado: excelência em projetos, com melhoria contínua e resultados consistentes.

A avaliação cruza esses níveis com dimensões como competência técnica em gerenciamento de projetos, uso de metodologia, informatização, estrutura organizacional, competência comportamental e alinhamento com os negócios. O modelo tem versão setorial, aplicada a um departamento, e versão corporativa, aplicada à organização inteira.

Os pontos fortes do MMGP são a simplicidade do questionário, o idioma e a possibilidade de comparar resultados com outras organizações brasileiras. O artigo dedicado ao MMGP, o modelo de maturidade de Prado, detalha o questionário e a interpretação dos resultados.

CMMI: melhoria de processos além de projetos

O Capability Maturity Model Integration (CMMI) foi desenvolvido na Carnegie Mellon University e hoje é administrado pelo CMMI Institute, que pertence à ISACA. A versão 3.0 foi lançada em 2023 e ampliou o modelo para temas como segurança, proteção, gestão de dados e gestão de pessoas.

O CMMI usa cinco níveis de maturidade: inicial, gerenciado, definido, gerenciado quantitativamente e em otimização. Ele também tem níveis de capacidade, que avaliam áreas de prática isoladas.

O ponto central: o CMMI não é um modelo de gestão de projetos. Ele avalia processos de desenvolvimento, serviços e aquisição, entre outros, e a gestão de projetos aparece como parte desse conjunto. É muito usado por empresas de software e serviços de tecnologia, em geral porque clientes e contratos exigem avaliação formal (appraisal) feita por avaliadores credenciados.

Comparação dos modelos de maturidade em projetos

Critério OPM3 P3M3 MMGP CMMI
Origem PMI (Estados Unidos) Governo britânico, hoje Axelos/PeopleCert Darci Prado (Brasil) Carnegie Mellon, hoje CMMI Institute/ISACA
Escopo Projeto, programa e portfólio Projeto, programa e portfólio, em submodelos Gestão de projetos de um setor ou da organização Processos de desenvolvimento, serviços e aquisição
Estrutura Melhores práticas, capacidades e etapas SMCI Cinco níveis e sete perspectivas Cinco níveis e dimensões de avaliação Cinco níveis de maturidade e níveis de capacidade
Avaliação Detalhada, em geral com apoio especializado Autoavaliação ou avaliação credenciada Questionário, com possibilidade de autoavaliação Avaliação formal por avaliadores credenciados
Referência de práticas Padrões do PMI Família Axelos (PRINCE2, MSP, MoP) Não depende de uma metodologia específica Próprio modelo de práticas
Melhor uso Organizações alinhadas ao PMI que querem plano de melhoria detalhado Governo e empresas que querem medir portfólio e programas Diagnóstico rápido e comparação no Brasil Empresas de tecnologia com exigência contratual

Como escolher o modelo certo

Responda a quatro perguntas antes de contratar uma avaliação:

  1. Para que serve o resultado? Se é para planejar a evolução do PMO, um modelo simples e repetível (como o MMGP) pode bastar. Se é exigência de cliente ou de edital, o modelo vem definido pelo contrato, como acontece com o CMMI.
  2. Qual o escopo? Se a pergunta envolve portfólio e programas, P3M3 e OPM3 cobrem esses níveis de forma explícita.
  3. Qual a referência da casa? Organizações que já seguem os padrões do PMI se beneficiam do OPM3; as que seguem PRINCE2 e MSP, do P3M3.
  4. Quanto esforço é viável? Avaliações formais consomem semanas e orçamento. Um diagnóstico interno pode ser feito em dias.

Mais importante que o modelo é repetir a avaliação com a mesma régua. Maturidade medida uma única vez vira um número no relatório; medida a cada ano, vira indicador de evolução. O artigo sobre como aplicar um modelo de maturidade em gerenciamento de projetos mostra como conduzir a avaliação e transformar o resultado em plano de ação, e o de como avaliar a maturidade do escritório de projetos aplica a mesma lógica ao próprio PMO.

Maturidade da organização e maturidade do PMO

Vale separar duas coisas. Os modelos acima avaliam a organização inteira, ou um setor. Já metodologias como o PMO Value Ring avaliam a maturidade com que o próprio escritório executa cada uma de suas funções. As duas visões se complementam: um PMO maduro em funções que ninguém valoriza não muda a maturidade da organização, e uma organização que quer evoluir sem um escritório capaz de puxar essa evolução costuma estacionar no nível 2. O guia do escritório de projetos mostra como o PMO se encaixa nessa trajetória.

Faça um primeiro diagnóstico

Antes de contratar uma avaliação formal, tenha uma linha de base. O diagnóstico de maturidade da Projeto Diário faz 15 perguntas sobre como a sua organização planeja, prioriza e entrega, mostra o nível de maturidade e indica por onde começar. Com esse resultado em mãos, a escolha do modelo formal fica mais objetiva e a conversa com a diretoria sai do "achismo".

Perguntas frequentes

Qual o modelo de maturidade em gestão de projetos mais usado no Brasil?
O MMGP, de Darci Prado, é muito usado no Brasil, inclusive em pesquisas de maturidade de órgãos públicos, porque é simples de aplicar, está em português e permite comparação com outras organizações brasileiras.
Qual a diferença entre OPM3 e P3M3?
O OPM3 é do PMI e trabalha com melhores práticas e capacidades organizadas por domínio e por etapas de melhoria. O P3M3, hoje sob a PeopleCert, usa cinco níveis de maturidade e sete perspectivas, aplicados a portfólio, programa e projeto.
CMMI serve para gestão de projetos?
O CMMI trata da melhoria de processos em geral e inclui práticas de planejamento e monitoramento de trabalho, mas nasceu no desenvolvimento de software e sistemas. Ele faz mais sentido quando a organização quer avaliar processos de desenvolvimento, serviços ou fornecedores, e não só a gestão de projetos.
Preciso de consultoria para aplicar um modelo de maturidade?
Para uma avaliação formal, sim, em geral com avaliadores credenciados no modelo escolhido. Para um primeiro diagnóstico interno, um questionário estruturado aplicado com as áreas já mostra onde estão as maiores lacunas.

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