Preferências de cookies

Escolha o que a Projeto Diário pode usar neste navegador. Você pode mudar de ideia quando quiser pelo link "Preferências de cookies" no rodapé.

Sempre ligados. Mantêm a sessão e o login, protegem os formulários (token CSRF, limite de tentativas e verificação anti-robô Cloudflare Turnstile) e guardam esta escolha.

Google Analytics 4, carregado pelo Google Tag Manager: páginas visitadas, origem do acesso e ações no site, em estatísticas. Sem publicidade e sem personalização de anúncios.

Tabela de cookies na Política de privacidade

Escritório de Projetos

OKR e Balanced Scorecard: como ligar estratégia ao portfólio

OKR ou BSC? A pergunta costuma surgir quando a empresa percebe que o planejamento estratégico não chega aos projetos. A diretoria aprova objetivos no início do ano, o PMO prioriza a carteira com critérios próprios e, no fim, ninguém consegue dizer quais projetos ajudaram a cumprir a estratégia. Escolher entre Balanced Scorecard e OKR parece resolver o problema, mas a questão real é outra: como fazer a estratégia virar critério de escolha de projeto.

As duas ferramentas não competem pelo mesmo espaço. O Balanced Scorecard organiza a estratégia em perspectivas e indicadores de longo prazo; os OKRs criam foco para um ciclo curto. Quando bem combinadas, dão ao portfólio exatamente o que falta: uma régua clara para dizer sim, não ou depois a cada proposta.

Formação relacionada

Implantação de PMO em 5 estágios

Dezessete módulos com cronograma comentado, business case e templates para justificar e implantar o PMO.

12 PDUs

Conhecer a formação

O que é o Balanced Scorecard

O Balanced Scorecard (BSC) foi apresentado por Robert Kaplan e David Norton no início dos anos 1990, como resposta ao excesso de foco em indicadores financeiros. A ideia é equilibrar a avaliação da empresa em quatro perspectivas:

  1. Financeira: como a empresa gera valor para os acionistas ou mantenedores.
  2. Clientes: como é percebida pelos clientes e em que mercados compete.
  3. Processos internos: em quais processos precisa ser excelente.
  4. Aprendizado e crescimento: que pessoas, sistemas e cultura sustentam o resto.

Os próprios autores desenvolveram depois o mapa estratégico, que liga os objetivos das quatro perspectivas por relações de causa e efeito. Cada objetivo recebe indicadores, metas e iniciativas estratégicas. É nessas iniciativas que os projetos aparecem.

O BSC funciona bem para estratégias de três a cinco anos, ambientes regulados e organizações que precisam de estabilidade de indicadores, como hospitais, órgãos públicos e indústrias.

O que são OKRs

OKR significa objectives and key results, ou objetivos e resultados-chave. O método foi usado na Intel por Andy Grove e levado ao Google por John Doerr no fim dos anos 1990, de onde se espalhou para empresas de tecnologia e depois para outros setores.

A estrutura é simples:

  • Objetivo: uma frase qualitativa e inspiradora sobre onde se quer chegar no ciclo.
  • Resultados-chave: de dois a cinco resultados mensuráveis que mostram se o objetivo foi alcançado.

Os ciclos costumam ser trimestrais, com acompanhamento frequente e avaliação no fim. Os resultados-chave descrevem resultado, não atividade: "reduzir o tempo médio de entrega de 5 para 3 dias" é resultado-chave; "implantar o novo sistema de roteirização" é iniciativa, e é aí que entra o projeto.

OKR vs BSC: as diferenças que importam

Aspecto Balanced Scorecard OKR
Horizonte Longo prazo, em geral de três a cinco anos Ciclos curtos, em geral trimestrais
Foco Visão equilibrada de toda a estratégia Poucas prioridades de mudança no ciclo
Estrutura Quatro perspectivas, mapa estratégico, indicadores e metas Objetivos com dois a cinco resultados-chave
Indicadores Estáveis, acompanhados ao longo dos anos Mudam a cada ciclo conforme a prioridade
Construção Majoritariamente de cima para baixo Combina definição da liderança com proposta das equipes
Metas Em geral, metas que se espera cumprir Muitas vezes ambiciosas, com cumprimento parcial esperado
Ponto fraco típico Virar relatório anual sem efeito no dia a dia Perder a ligação com a estratégia de longo prazo

A tabela mostra por que a pergunta "OKR ou BSC?" costuma ter como resposta "os dois, em níveis diferentes". O BSC responde "para onde vamos e como medimos isso ao longo dos anos". O OKR responde "o que vamos mudar neste trimestre para andar nessa direção".

Como ligar estratégia, OKR e portfólio

A ligação funciona como uma cadeia em que cada elo justifica o seguinte:

  1. Objetivo estratégico do BSC: "aumentar a fidelização dos clientes" (perspectiva clientes).
  2. Indicador e meta de longo prazo: índice de recompra de 30% em três anos.
  3. OKR do trimestre: objetivo "fazer o cliente voltar"; resultado-chave "levar o índice de recompra de 18% para 21%".
  4. Iniciativas candidatas: programa de fidelidade, melhoria do atendimento pós-venda, revisão da política de trocas.
  5. Projetos priorizados: os que mais contribuem para o resultado-chave, dentro da capacidade disponível.
  6. Entregas e benefícios: acompanhados no projeto e confirmados no indicador.

O passo decisivo é o 5. Para que a cadeia funcione, a contribuição para os objetivos precisa virar critério formal de priorização, com peso. Um exemplo de critérios para o comitê de portfólio:

Critério Peso Como pontuar
Contribuição para os OKRs do ciclo 35% 5 = move diretamente um resultado-chave; 1 = sem relação
Contribuição para objetivos do BSC 25% 5 = sustenta objetivo de longo prazo; 1 = sem relação
Retorno financeiro 20% Faixas de VPL ou payback
Redução de risco 20% 5 = elimina risco alto; 1 = efeito irrelevante

Os pesos são ilustrativos. O importante é que sejam aprovados pela diretoria antes da pontuação e que o critério de OKR mude de conteúdo a cada ciclo, enquanto o critério do BSC permanece estável. Para testar esses critérios com a sua carteira, use a matriz de priorização de projetos, que calcula o ranking, a linha de corte e a sensibilidade dos pesos. O processo completo de seleção está descrito no artigo sobre gestão de portfólio de projetos.

Exemplo ilustrativo: uma distribuidora regional

Imagine uma distribuidora fictícia de produtos de limpeza que usa o BSC há alguns anos. O mapa estratégico tem, entre outros, o objetivo "ser referência em prazo de entrega na região". Para o trimestre, a diretoria definiu o OKR:

  • Objetivo: entregar mais rápido sem aumentar o custo logístico.
  • Resultado-chave 1: reduzir o prazo médio de entrega de 4 para 3 dias.
  • Resultado-chave 2: manter o custo logístico por pedido abaixo do valor atual.
  • Resultado-chave 3: reduzir as entregas com reclamação de 6% para 4%.

Chegam ao comitê cinco propostas: roteirização automática, novo centro de distribuição, troca do sistema financeiro, aplicativo para o motorista confirmar entregas e reforma da sede. A roteirização e o aplicativo movem diretamente os resultados-chave e sobem no ranking. O centro de distribuição contribui para o objetivo do BSC, mas não cabe no trimestre e entra no roadmap do ano. A troca do sistema financeiro não move nenhum OKR, mas pode ser necessária por risco; o comitê a avalia pelo critério de risco. A reforma da sede espera.

O exemplo mostra o efeito prático: a discussão deixa de ser "qual projeto é mais importante para quem fala mais alto" e passa a ser "qual projeto move o que decidimos mover".

Erros comuns ao combinar OKR, BSC e portfólio

  • Transformar cada projeto em um OKR. "Concluir o projeto X" não é resultado-chave. O projeto é meio; o resultado-chave é o efeito esperado.
  • Ter OKRs demais. Com dez objetivos por trimestre, tudo volta a ser prioridade.
  • Mudar a estratégia a cada ciclo. O OKR muda, o mapa estratégico não deveria mudar a cada trimestre.
  • Não medir depois da entrega. Se ninguém verifica se o indicador se mexeu, a cadeia se rompe no último elo.
  • Ignorar a capacidade. OKRs ambiciosos com equipes já sobrecarregadas geram muitos projetos iniciados e poucos concluídos.

Para entender como OKRs e indicadores de desempenho convivem no acompanhamento da carteira, o artigo sobre OKR e KPI no portfólio de projetos aprofunda a medição. Se você já usa OKRs nos projetos e quer integrar ao escritório, veja como integrar OKRs aos projetos. E o papel do escritório nessa ponte entre estratégia e execução é tratado no artigo sobre o PMO estratégico para alinhar projetos aos objetivos do negócio e no guia do escritório de projetos.

O que fazer agora

Pegue os objetivos estratégicos que a diretoria já aprovou e os OKRs do ciclo, se existirem, e transforme-os em dois critérios com peso. Em seguida, pontue a carteira atual com esses critérios na matriz de priorização de projetos e leve ao comitê os projetos que ficaram com nota baixa nos dois. Essa conversa costuma liberar mais capacidade do que qualquer projeto novo.

Perguntas frequentes

OKR substitui o Balanced Scorecard?
Não necessariamente. O BSC organiza a estratégia de longo prazo em perspectivas e indicadores, e os OKRs criam foco para um ciclo curto. Muitas organizações usam o BSC como mapa e os OKRs como forma de executar as prioridades de cada trimestre.
Qual a diferença entre OKR e KPI?
O KPI é um indicador que acompanha o desempenho de algo de forma contínua. O resultado-chave de um OKR é uma meta de mudança para um período, e pode usar um KPI como medida, por exemplo levar o índice de recompra de 18% para 25% no trimestre.
Como usar OKR na priorização de projetos?
Transforme os objetivos do ciclo em critério de priorização: cada projeto recebe nota pela contribuição que dá aos resultados-chave. Projetos que não movem nenhum resultado-chave descem na fila ou precisam de outra justificativa, como obrigação legal.
Empresas pequenas precisam de BSC?
Não com toda a estrutura formal. Uma empresa pequena pode usar as quatro perspectivas como checklist para garantir que os objetivos não fiquem só no financeiro e trabalhar com poucos OKRs por ciclo.

Quer isto aplicado ao seu time? Turma fechada In Company

Receba o Diário do Gerente de Projetos

Uma vez por semana: um artigo, uma ferramenta gratuita e uma questão comentada do PMP, da Projeto Diário e do Coaching de Alto Impacto. Você escolhe os assuntos.

Assuntos de interesse (opcional)

WhatsApp