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Gestão de Riscos

Riscos em projetos de software: os mais comuns e como tratar

Projetos de software parecem mais controláveis do que obras: não chove dentro do código e o fornecedor de cimento não atrasa. Na prática, a incerteza só muda de lugar. O requisito que o usuário descreve de um jeito e usa de outro, a interface de programação do banco que muda sem aviso, a carga de dados que funciona com mil registros e trava com dois milhões. Os riscos em projetos de software têm padrões conhecidos, e conhecê-los encurta muito a sessão de identificação.

O que segue organiza os riscos mais comuns em sete grupos, cada um com o sinal que costuma antecipá-lo e a resposta mais usada, e mostra a aplicação num projeto ilustrativo. A base do ciclo de riscos (escalas, matriz, respostas e reservas) está no guia de gestão de riscos em projetos; aqui o foco é o que muda quando o produto é software.

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Por que software tem riscos próprios

Três características explicam boa parte dos riscos:

  • O produto é invisível até funcionar. O usuário só entende o que pediu quando vê a tela. Por isso o risco de requisito é maior que em projetos com entregas físicas.
  • Quase nada nasce isolado. Sistemas conversam com ERP, bancos, governo, meios de pagamento e outros sistemas internos. Cada integração é uma dependência de alguém de fora do projeto.
  • O custo do erro cresce com o tempo. Um defeito de arquitetura descoberto na homologação custa muito mais do que o mesmo defeito discutido no desenho. A resposta a risco em software quase sempre é antecipar a descoberta.

Os riscos mais comuns em projetos de software, por grupo

Grupo Risco típico (causa, evento, efeito) Sinal de alerta Resposta mais usada
Requisitos e escopo Porque as regras de negócio estão na cabeça de poucos usuários, os requisitos podem estar incompletos, o que geraria retrabalho na homologação Histórias que voltam do refinamento sem critério de aceite Mitigar: protótipo navegável e validação com usuários antes de desenvolver
Integração Porque a interface do sistema do parceiro não está documentada, a integração pode falhar ou atrasar, o que travaria a entrada em produção Ambiente de testes do parceiro indisponível ou sem dados Mitigar: prova de conceito da integração na primeira iteração
Dados e migração Porque o sistema antigo aceita cadastros sem validação, a migração pode encontrar dados inconsistentes, o que exigiria saneamento e nova carga Primeira carga de teste com mais de 5% de rejeição Mitigar: perfilamento dos dados e carga de teste cedo
Técnico e dívida técnica Porque o módulo legado não tem testes automatizados, uma alteração pode quebrar funções existentes, o que causaria falha em produção Correções que geram defeitos em outras telas Mitigar: testes de regressão nas áreas tocadas e refatoração planejada
Segurança e dados pessoais Porque o sistema trata dados pessoais de clientes, uma falha de controle de acesso pode expor dados, com sanções da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e dano à imagem Perfis de acesso definidos só no fim Mitigar: requisitos de segurança desde o início e teste de invasão antes da produção
Pessoas Porque só um desenvolvedor conhece a plataforma, a saída dele pode parar a evolução, o que atrasaria entregas Toda dúvida técnica vai para a mesma pessoa Mitigar: programação em par, revisão de código e documentação mínima
Implantação e adoção Porque os usuários usam planilhas há anos, eles podem resistir ao sistema novo, o que manteria o processo paralelo e anularia o benefício Baixa presença nos treinamentos Mitigar: usuários-chave no projeto desde o início e plano de mudança

Fornecedores e contratos entram em quase todos os grupos. Se uma parte do desenvolvimento é terceirizada, cada risco acima tem uma versão "o fornecedor pode...", e a forma de contratar (escopo fechado, por hora, por entrega) muda quem absorve o impacto.

Dívida técnica: risco ou problema?

A dívida técnica que já existe é uma condição presente, então é um problema a administrar. O risco é o efeito incerto que ela pode provocar: uma mudança simples que vira semanas de trabalho, uma falha em produção, a impossibilidade de escalar no pico. Registre o risco pelo efeito, e não pela dívida em si. A diferença entre as duas listas está em risco ou problema.

Exemplo de aplicação: aplicativo de agendamento

O exemplo é ilustrativo. Uma rede de clínicas vai lançar um aplicativo de agendamento integrado ao sistema de prontuário, ao meio de pagamento e ao serviço de mensagens. O projeto tem quatro meses e o lançamento coincide com a campanha de vacinação, que concentra a procura.

Na primeira sessão, a equipe percorreu os sete grupos e registrou 22 riscos. Os cinco maiores, na escala de 1 a 5 da Projeto Diário (baixo de 1 a 4, médio de 5 a 9, alto de 10 a 16, crítico de 20 a 25):

ID Risco P × I Faixa Estratégia e ação
R01 A integração com o prontuário pode exigir mudanças do fornecedor que não estão no contrato 4 × 5 = 20 Crítico Escalar ao patrocinador a negociação do aditivo; prova de conceito na Sprint 1
R02 O pico de acessos no início da campanha pode derrubar o agendamento 3 × 5 = 15 Alto Mitigar: teste de carga duas semanas antes do lançamento
R03 Dados de pacientes podem ficar expostos por falha de perfil de acesso 2 × 5 = 10 Alto Mitigar: revisão de segurança e teste de invasão; transferir parte do impacto com seguro de responsabilidade cibernética, se a empresa já tiver
R04 Recepcionistas podem continuar agendando por telefone e planilha 3 × 4 = 12 Alto Mitigar: piloto em duas clínicas e treinamento em turnos
R05 O meio de pagamento pode atrasar a homologação 3 × 3 = 9 Médio Aceitar com contingência: lançar com pagamento na clínica se o gatilho disparar

Duas decisões mostram como o tipo de projeto muda a resposta. O R01 não pode ser resolvido pelo time, porque depende de contrato com outra empresa: por isso foi escalado. E o R05 foi aceito porque existe um jeito barato de lançar sem ele. O gatilho combinado foi "homologação não concluída a 15 dias do lançamento". Outros exemplos de riscos, organizados por categoria e por tipo de projeto, estão em exemplos de riscos em projetos.

Como tratar os riscos no desenvolvimento ágil

Boa parte dos projetos de software roda em Sprints. A gestão de riscos continua existindo, mas mora no backlog:

  1. Respostas viram itens do backlog. O teste de carga e a prova de conceito da integração disputam prioridade com funcionalidades, e o Product Owner decide com a nota de risco à vista.
  2. Alto risco primeiro. Itens com muita incerteza técnica vão para as primeiras Sprints, enquanto ainda há tempo de mudar de rumo.
  3. Investigações curtas (spikes). Quando a dúvida é técnica, uma investigação com tempo limitado responde antes do compromisso.
  4. Definição de pronto que reduz risco. Incluir testes automatizados e revisão de código na definição de pronto diminui o acúmulo de dívida técnica a cada entrega.
  5. Exposição visível. O gráfico de risk burndown mostra, Sprint a Sprint, se a soma da exposição está caindo.

Em projetos híbridos, com contrato de prazo fixo e desenvolvimento em Sprints, mantenha um registro no nível do projeto para contrato, fornecedores e prazo legal, e trate os riscos técnicos no backlog.

Testes como resposta a risco

Testes são a resposta de mitigação mais usada em software, e ainda assim são cortados quando o prazo aperta. Planejar testes por risco (mais profundidade onde a nota é maior) dá ao gerente um argumento para defendê-los. O artigo sobre testes de software bem planejados na gestão de projetos mostra como encaixá-los no plano. Para funcionalidades críticas, uma análise de modos de falha e efeitos (FMEA) ajuda a decidir onde testar mais.

Sinais de que os riscos estão sendo ignorados

  • O registro tem só riscos técnicos; nenhum de adoção, contrato ou dados.
  • As integrações estão marcadas para o fim do cronograma.
  • O ambiente de homologação ainda não existe na metade do projeto.
  • A estimativa de migração de dados é "um fim de semana".
  • Ninguém sabe dizer quantos defeitos abertos o sistema pode ter para entrar em produção.

Comece pela próxima Sprint ou fase

Reúna o time por uma hora, percorra os sete grupos da tabela e registre ao menos um risco por grupo no formato causa, evento e efeito. Pontue, escolha a resposta dos riscos altos e críticos e coloque cada resposta no backlog ou no cronograma, com dono. Para registrar, pontuar e ver o mapa de calor sem montar planilha, use a matriz de riscos gratuita da Projeto Diário, que calcula a reserva de contingência sugerida e exporta o registro para Excel.

Perguntas frequentes

Quais são os principais riscos em projetos de software?
Os que mais aparecem são requisitos instáveis ou mal entendidos, integrações com sistemas de terceiros, migração e qualidade de dados, dívida técnica, segurança e proteção de dados, dependência de pessoas-chave e baixa adoção pelos usuários na implantação.
Dívida técnica é risco ou problema?
A dívida que já existe é uma condição presente, portanto um problema a ser administrado. O risco está no que ela pode causar: uma mudança simples que leva semanas, uma falha em produção ou a impossibilidade de escalar. É esse efeito incerto que vai para o registro de riscos.
Como tratar riscos técnicos em projetos ágeis?
Transforme as respostas em itens do backlog, use investigações curtas (spikes) e provas de conceito para reduzir incerteza antes do compromisso, priorize cedo os itens de alto risco e acompanhe a exposição a cada Sprint.
Projeto de software precisa de matriz de riscos?
Precisa de alguma forma de priorizar. A matriz de probabilidade e impacto é a mais simples, e cabe tanto num projeto preditivo quanto num quadro ágil, desde que seja revista na cadência das entregas.

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