Preferências de cookies

Escolha o que a Projeto Diário pode usar neste navegador. Você pode mudar de ideia quando quiser pelo link "Preferências de cookies" no rodapé.

Sempre ligados. Mantêm a sessão e o login, protegem os formulários (token CSRF, limite de tentativas e verificação anti-robô Cloudflare Turnstile) e guardam esta escolha.

Google Analytics 4, carregado pelo Google Tag Manager: páginas visitadas, origem do acesso e ações no site, em estatísticas. Sem publicidade e sem personalização de anúncios.

Tabela de cookies na Política de privacidade

Gestão de Riscos

Risk burndown: como mostrar a queda dos riscos no ágil

Num projeto ágil, o gráfico de burndown da Sprint mostra o trabalho que falta, e o quadro mostra o que está em andamento. Nenhum dos dois responde a uma pergunta que o patrocinador faz cedo ou tarde: "o projeto está ficando mais seguro?". O risk burndown responde. Ele mostra, Sprint a Sprint, quanto de exposição aos riscos ainda existe no projeto, e deixa visível se o time está reduzindo incerteza ou só entregando itens.

A ideia é simples: cada risco aberto tem uma exposição (probabilidade vezes impacto), a soma das exposições vira um ponto no gráfico e a curva deve descer ao longo das Sprints. O valor está nos detalhes: escolher uma unidade que se possa somar, atualizar no ritmo certo e ler a curva sem se enganar.

A visão geral de como times ágeis tratam riscos, com backlog, spikes e eventos do Scrum, está no guia de gestão de riscos em projetos. Aqui o foco é o gráfico.

Formação relacionada

Gestão de Projetos 360° com PMBOK 8 e IA

Formação completa sobre o guia mais recente do PMI, com uso de inteligência artificial no dia a dia da gestão.

24 PDUs

Conhecer a formação

O que é risk burndown

Risk burndown é um gráfico com o tempo no eixo horizontal (Sprints, normalmente) e a exposição total aos riscos abertos no eixo vertical. Na forma mais útil, ele é de colunas ou áreas empilhadas: cada risco é uma faixa de cor, e a altura total é a soma. Assim, além de ver se a exposição caiu, você vê quais riscos compõem o que sobrou.

O gráfico conversa com o que o Guia do Scrum diz sobre o próprio framework: o Scrum usa uma abordagem iterativa e incremental para otimizar a previsibilidade e controlar o risco. O risk burndown torna esse controle visível. Se a curva não desce, as Sprints estão entregando funcionalidades sem atacar o que pode derrubar o projeto.

Qual unidade usar para a exposição

A escolha da unidade decide se o gráfico significa alguma coisa.

Unidade Como calcular Quando usar Cuidado
Dias de exposição Probabilidade (%) × atraso possível (dias) Quando a principal preocupação é a data de lançamento Estimar o atraso de cada risco com quem conhece o assunto
Reais (VME) Probabilidade (%) × impacto (R$) Contrato de preço fixo, orçamento apertado Converter atraso em custo de forma coerente
Soma das pontuações da matriz Probabilidade × impacto, notas de 1 a 5 Só para uma visão grosseira, quando não há outra estimativa Notas são categorias, não medidas; somar 16 + 4 não tem significado preciso

A recomendação é usar dias ou reais. O cálculo em reais é o valor monetário esperado (VME), explicado em detalhe no artigo sobre valor monetário esperado. Para quem trabalha com a escala de 1 a 5, a matriz continua servindo para priorizar; o burndown pede uma unidade que possa ser somada.

Duas regras valem para qualquer unidade. Use só ameaças, ou faça um gráfico separado para oportunidades, para não compensar uma coisa com a outra. E inclua apenas riscos abertos: risco fechado ou que já virou problema sai da soma.

Como montar o risk burndown passo a passo

  1. Liste os riscos que importam. Não precisa ser o registro inteiro. Os riscos altos e críticos, mais os médios com impacto grande, costumam bastar. Dez a quinze riscos dão um gráfico legível.
  2. Estime probabilidade e impacto em unidade somável. Em grupo, com quem conhece cada assunto, na Sprint Planning ou numa sessão curta antes da primeira Sprint.
  3. Calcule a exposição inicial. Probabilidade vezes impacto, risco a risco. A soma é o ponto da Sprint 0.
  4. Transforme respostas em itens do backlog. Spikes, provas de conceito, testes de carga antecipados e ações com terceiros entram no Product Backlog e disputam prioridade com funcionalidades. Sem isso, a curva não tem por que descer.
  5. Reavalie no fim de cada Sprint. Junto com a Sprint Review ou logo depois, atualize probabilidade e impacto dos riscos abertos, inclua os novos e feche os que deixaram de existir. A forma como cada evento do Scrum ajuda nessa revisão está no artigo sobre eventos do Scrum.
  6. Registre o histórico. Guarde a exposição de cada risco a cada Sprint, numa tabela com uma coluna por Sprint. É dessa tabela que sai o gráfico.
  7. Mostre o gráfico onde as decisões são tomadas. Na Sprint Review, para as partes interessadas, e no status report para o patrocinador.

Exemplo ilustrativo: aplicativo de pedidos em seis Sprints

Um time desenvolve um aplicativo de pedidos para uma rede de lojas, com lançamento previsto para depois da sexta Sprint. Os números abaixo são ilustrativos. A exposição está em dias (probabilidade × atraso possível):

Risco Sprint 0 Sprint 1 Sprint 2 Sprint 3 Sprint 4 Sprint 5
R1 Integração com o meio de pagamento instável (50% × 20 dias) 10 4 4 0 0 0
R2 Lentidão com pico de pedidos (40% × 15 dias) 6 6 6 3 3 1
R3 Reprovação na loja de aplicativos (30% × 10 dias) 3 3 3 3 3 3
R4 Saída do único especialista em backend (20% × 25 dias) 5 5 5 2 2 2
R5 Mudança de layout pedida pelo marketing (50% × 8 dias) 4 4 4 4 0 0
R6 Fornecedor de SMS muda a interface de envio (40% × 5 dias) 2 2 0 0
Exposição total (dias) 28 22 24 14 8 6

O que aconteceu em cada Sprint:

  • Sprint 1: um spike de três dias com o ambiente de testes do meio de pagamento derrubou a probabilidade de R1 de 50% para 20%.
  • Sprint 2: a exposição subiu, porque surgiu R6. Isso não é falha do gráfico; é o gráfico mostrando informação nova.
  • Sprint 3: a integração de pagamento foi concluída e testada (R1 fechado), um teste de carga antecipado baixou a probabilidade de R2 para 20% e a documentação do backend com programação em par reduziu o impacto de R4 para 10 dias.
  • Sprint 4: o marketing aprovou o layout na Sprint Review (R5 fechado) e o fornecedor de SMS confirmou a interface (R6 fechado).
  • Sprint 5: a otimização das consultas ao banco reduziu R2 a 1 dia de exposição, e sobra principalmente R3, que só se resolve com o envio à loja. A pergunta para o Product Owner passa a ser se vale antecipar uma publicação de teste.

O total caiu de 28 para 6 dias de exposição. Para o patrocinador, a leitura é direta: no início, o lançamento tinha um risco relevante de atrasar algumas semanas; agora, a exposição restante cabe numa folga pequena.

Como montar o gráfico no Excel

  1. Crie a tabela como no exemplo: uma linha por risco, uma coluna por Sprint, com os valores de exposição.
  2. Selecione a tabela sem a linha de total e vá em Inserir > Gráficos > Colunas > Coluna Empilhada. Se cada risco aparecer como uma coluna, use Alternar Linha/Coluna para que as Sprints fiquem no eixo horizontal.
  3. Use as cores com intenção: tons quentes para os riscos maiores, tons neutros para os menores.
  4. Opcionalmente, acrescente uma linha com a meta de exposição para o lançamento (por exemplo, até 5 dias), como gráfico de linha combinado. Ela mostra se o ritmo de queda basta.

Se o registro de riscos já está numa planilha com aba de histórico, como no modelo de planilha de gestão de riscos, o gráfico pode ler direto dessa aba, sem digitação dupla.

Como ler a curva sem se enganar

  • Curva descendo com riscos fechados: é o padrão desejado. A equipe está trocando incerteza por conhecimento.
  • Curva subindo: pode ser bom sinal (riscos novos foram identificados) ou mau sinal (riscos conhecidos pioraram). Olhe as faixas para saber qual dos dois.
  • Curva plana por várias Sprints: as respostas não estão no backlog ou estão sempre perdendo a disputa de prioridade. Leve o assunto ao Product Owner.
  • Queda brusca sem ação correspondente: desconfie de reavaliação otimista. Toda queda deve ter uma explicação concreta: um spike, um teste, uma decisão, um risco fechado.
  • Uma faixa que domina o gráfico: é o risco que merece a próxima ação, mesmo que o total pareça baixo.

Erros comuns com o risk burndown

  • Somar notas da matriz e tratar o total como medida. A queda de 80 para 60 pontos não diz quanto o projeto ficou mais seguro.
  • Esconder riscos novos para manter a curva bonita. O gráfico deixa de servir para decidir.
  • Atualizar só quando alguém pede. Sem a revisão a cada Sprint, a curva vira foto antiga.
  • Misturar ameaças e oportunidades na mesma soma.
  • Mostrar só o total. Sem as faixas por risco, ninguém sabe onde agir.

Comece na próxima Sprint

Escolha os dez riscos que mais preocupam o time, estime probabilidade e atraso possível em dias e calcule a exposição de cada um. Se o registro ainda não existe, a matriz de riscos gratuita da Projeto Diário ajuda a montá-lo com probabilidade em percentual, impacto em reais e VME por risco. Depois, reavalie no fim de cada Sprint e leve o gráfico à Sprint Review. Para transformar essa tabela num painel que se atualiza sozinho, junto com prazo, custo e entregas, o curso Dashboard Aplicado a Projetos ensina a montar no Excel um painel dinâmico com visão rápida do andamento do projeto.

Perguntas frequentes

O que é risk burndown chart?
É um gráfico que mostra, a cada Sprint ou período, a soma da exposição aos riscos abertos do projeto. Quando a equipe trata os riscos, a curva desce; quando surgem riscos novos, ela sobe. O objetivo é mostrar que o time está reduzindo incerteza, não só entregando itens.
Como calcular a exposição ao risco por Sprint?
Para cada risco aberto, multiplique a probabilidade em percentual pelo impacto, em dias ou em reais. Some os resultados de todos os riscos abertos no fim da Sprint. Esse total é o ponto do gráfico daquela Sprint.
Qual a diferença entre risk burndown e sprint burndown?
O sprint burndown mostra o trabalho que falta para concluir a Sprint. O risk burndown mostra a exposição aos riscos que ainda existe no projeto. Um pode cair enquanto o outro sobe, e é por isso que vale olhar os dois.
Dá para usar risk burndown em projeto tradicional?
Sim. Em vez de Sprints, use os marcos ou as revisões mensais de riscos como eixo do tempo. A lógica de somar a exposição dos riscos abertos e acompanhar a tendência é a mesma.

Receba o Diário do Gerente de Projetos

Uma vez por semana: um artigo, uma ferramenta gratuita e uma questão comentada do PMP, da Projeto Diário e do Coaching de Alto Impacto. Você escolhe os assuntos.

Assuntos de interesse (opcional)

Artigos relacionados

Mais sobre Gestão de Riscos
WhatsApp