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Gestão de Riscos

Matriz de riscos no Excel: como montar passo a passo

Na hora de montar a matriz de riscos, Excel costuma ser a primeira escolha: a equipe já tem o programa instalado e o patrocinador sabe ler uma tabela colorida. O problema aparece quando as cores são pintadas à mão: quando a equipe muda a nota de um risco, a célula continua vermelha e o mapa de calor mente.

O roteiro abaixo monta uma matriz que se atualiza sozinha. Você digita probabilidade e impacto, a planilha calcula a pontuação, dá o nível, pinta a linha e reposiciona o risco no mapa. São três abas, cinco fórmulas e quatro regras de formatação condicional. A versão básica funciona em qualquer Excel recente; só a variação do passo 5 que mostra os códigos dos riscos no mapa exige Microsoft 365 ou Excel 2021.

Se ainda não está claro o que é uma matriz de riscos e para que ela serve, leia antes o artigo matriz de riscos: o que é e como montar. Aqui o foco é a construção no Excel.

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Como organizar a planilha antes da primeira fórmula

Separe o trabalho em três abas. Isso evita fórmulas apontando para células soltas e facilita trocar a escala no futuro.

Aba Para que serve O que tem
Escalas Regras do jogo Tabelas de probabilidade, impacto, faixas de nível, listas de tipo, estratégia e situação
Registro Um risco por linha ID, tipo, descrição, notas, pontuação, nível, resposta, dono, situação
Mapa Visão para o patrocinador Grade 5x5 com a contagem ou os códigos dos riscos

Use exatamente esses nomes de aba, sem acento e sem espaço, para copiar as fórmulas deste guia sem ajuste.

Passo 1: monte a aba Escalas

As escalas são as mesmas do guia de gestão de riscos em projetos: notas de 1 a 5 para probabilidade e impacto, pontuação igual à multiplicação das duas, e quatro níveis. Na aba Escalas, crie estes blocos:

  1. A2:C7, probabilidade: cabeçalho em A2 (Nota, Nome, Faixa) e as cinco linhas: 1 Muito baixa (menos de 10%), 2 Baixa (10% a 30%), 3 Média (30% a 50%), 4 Alta (50% a 70%), 5 Muito alta (mais de 70%).
  2. E2:G7, impacto: 1 Insignificante, 2 Pequeno, 3 Moderado, 4 Grande, 5 Crítico, com a descrição de cada um ajustada ao seu projeto (por exemplo, "Grande: acima de R$ 50 mil ou 15 dias no marco").
  3. I2:J6, faixas de nível: coluna I com o limite inferior de cada faixa e coluna J com o nome. Ordem obrigatória, do menor para o maior: 1 Baixo, 5 Médio, 10 Alto, 20 Crítico.
  4. L2:L4, tipo: Ameaça, Oportunidade.
  5. N2:N7, estratégias para ameaças: Evitar, Mitigar, Transferir, Escalar, Aceitar.
  6. O2:O7, estratégias para oportunidades: Explorar, Melhorar, Compartilhar, Escalar, Aceitar.
  7. Q2:Q6, situação: Aberto, Em tratamento, Fechado, Ocorreu.

A tabela de faixas é o coração da classificação automática. Repare que não existe pontuação 17, 18 ou 19 numa grade 5x5 (nenhum produto de duas notas de 1 a 5 dá esses valores), então o salto de 16 para 20 não deixa nenhum risco sem nível.

Passo 2: crie o registro com listas suspensas

Na aba Registro, use estas colunas a partir da linha 1:

Coluna Campo Como preencher
A ID R01, R02 para ameaças; O01, O02 para oportunidades
B Tipo Lista suspensa
C Descrição Causa, evento e efeito numa frase
D Categoria Técnico, externo, organizacional, gerenciamento do projeto
E Probabilidade Lista suspensa de 1 a 5
F Impacto Lista suspensa de 1 a 5
G Pontuação Fórmula
H Nível Fórmula
I Estratégia Lista suspensa que depende do tipo
J Resposta planejada Texto
K Dono Nome de uma pessoa
L Situação Lista suspensa

Para as listas suspensas, selecione a coluna (por exemplo, E2:E300), vá em Dados > Validação de Dados, escolha Permitir: Lista e informe a origem:

  • Tipo (B): =Escalas!$L$3:$L$4
  • Probabilidade (E): =Escalas!$A$3:$A$7
  • Impacto (F): =Escalas!$E$3:$E$7
  • Situação (L): =Escalas!$Q$3:$Q$6

A estratégia muda conforme o tipo. Na coluna I, use como origem da validação a fórmula =SE($B2="Oportunidade";Escalas!$O$3:$O$7;Escalas!$N$3:$N$7). Assim, quem marca "Oportunidade" vê Explorar, Melhorar, Compartilhar, Escalar e Aceitar, e quem marca "Ameaça" vê as cinco estratégias de ameaça.

Transforme o intervalo em tabela (Página Inicial > Formatar como Tabela). As fórmulas e a validação passam a se estender sozinhas a cada risco novo.

Passo 3: fórmulas de pontuação e nível

Na coluna G (Pontuação), digite em G2:

=SE(OU(E2="";F2="");"";E2*F2)

A fórmula deixa a célula vazia enquanto alguma nota não foi dada, o que evita riscos com pontuação zero contaminando os filtros.

Na coluna H (Nível), digite em H2:

=SE(G2="";"";PROCV(G2;Escalas!$I$3:$J$6;2;VERDADEIRO))

O PROCV com VERDADEIRO no último argumento faz correspondência aproximada: procura o maior limite inferior que não passa da pontuação. Uma pontuação 12 encontra o limite 10 e devolve "Alto". Se preferir não depender da tabela auxiliar, o SE aninhado dá o mesmo resultado, testando da faixa mais alta para a mais baixa:

=SE(G2="";"";SE(G2>=20;"Crítico";SE(G2>=10;"Alto";SE(G2>=5;"Médio";"Baixo"))))

A vantagem do PROCV é que, se o plano de riscos mudar as faixas, você altera quatro números na aba Escalas e a planilha inteira se ajusta.

Passo 4: formatação condicional na matriz de riscos

Pinte a linha inteira de cada risco pelo nível. Selecione A2:L300 e vá em Página Inicial > Formatação Condicional > Nova Regra > Usar uma fórmula para determinar quais células devem ser formatadas. Crie quatro regras:

Fórmula da regra Cor de preenchimento sugerida
=$H2="Crítico" Vermelho
=$H2="Alto" Laranja
=$H2="Médio" Amarelo
=$H2="Baixo" Verde-claro

O cifrão antes do H trava a coluna e deixa a linha livre, por isso a regra avalia o nível de cada linha e pinta todas as colunas dela. Acrescente uma quinta regra, no topo da lista, com =$L2="Fechado" e fonte cinza: riscos fechados continuam no histórico sem disputar atenção.

Uma regra extra ajuda muito na revisão: =E(OU($H2="Alto";$H2="Crítico");$K2="") com borda vermelha grossa. Ela denuncia risco alto ou crítico sem dono.

Passo 5: o mapa de calor que se atualiza sozinho

Na aba Mapa, monte a grade:

  • B2:F2 com os impactos 1, 2, 3, 4, 5.
  • A3:A7 com as probabilidades 5, 4, 3, 2, 1 (de cima para baixo, como no padrão de leitura).

Versão com contagem (qualquer Excel)

Em B3, digite e copie para toda a grade B3:F7:

=CONT.SES(Registro!$E:$E;$A3;Registro!$F:$F;B$2;Registro!$B:$B;"Ameaça";Registro!$L:$L;"<>Fechado")

Cada célula mostra quantas ameaças abertas têm aquela combinação de probabilidade e impacto. Faça uma segunda grade, abaixo, trocando "Ameaça" por "Oportunidade". Misturar os dois tipos no mesmo mapa confunde a leitura.

Versão com os códigos (Microsoft 365 e Excel 2021)

Se a sua versão tem as funções de matriz dinâmica, mostre os IDs em vez da quantidade:

=UNIRTEXTO(", ";VERDADEIRO;FILTRO(Registro!$A$2:$A$300;(Registro!$E$2:$E$300=$A3)*(Registro!$F$2:$F$300=B$2)*(Registro!$B$2:$B$300="Ameaça")*(Registro!$L$2:$L$300<>"Fechado");""))

A célula da probabilidade 4 com impacto 5 passa a exibir, por exemplo, "R03, R09". É a versão que o patrocinador entende sem legenda.

Cores da grade

As cores do mapa dependem da posição, não do conteúdo. Selecione B3:F7 e crie quatro regras de formatação condicional por fórmula, nesta ordem de prioridade:

  1. =$A3*B$2>=20: vermelho
  2. =$A3*B$2>=10: laranja
  3. =$A3*B$2>=5: amarelo
  4. =$A3*B$2>=1: verde

Como o Excel aplica a primeira regra verdadeira quando as cores conflitam, a célula de pontuação 20 fica vermelha mesmo satisfazendo as outras três. Confira a ordem em Gerenciar Regras.

Passo 6: teste com riscos de exemplo

Antes de usar no projeto, preencha cinco riscos fictícios que cubram todos os níveis e confira:

  1. Um risco 1 × 3 aparece verde e como "Baixo".
  2. Um risco 4 × 4 aparece laranja, "Alto", e soma 1 na célula da linha 4, coluna 4 do mapa.
  3. Mudar a probabilidade desse risco para 5 muda o nível para "Crítico" e o move de célula.
  4. Marcar um risco como "Fechado" o tira do mapa.
  5. Trocar uma ameaça por oportunidade muda as opções da coluna Estratégia.

Se quiser comparar com um registro completo e bem escrito, o exemplo de matriz de riscos preenchida usa as mesmas escalas e níveis deste guia.

Erros comuns em planilhas de matriz de riscos

  • Cor pintada à mão. É o erro que motivou este guia: a cor fica, a nota muda e o mapa engana.
  • Escalas sem descrição. Uma coluna de 1 a 5 sem dizer o que é impacto 4 gera notas que não se comparam entre pessoas.
  • Ameaças e oportunidades na mesma grade. Uma oportunidade 4 × 4 vermelha passa a impressão de perigo.
  • Riscos fechados no mapa. O mapa deve mostrar a exposição de hoje, não a história do projeto.
  • Planilha só com a matriz. A grade prioriza, mas quem gerencia o risco é a resposta, o dono e o gatilho. Se você precisa de um registro mais completo, com plano de ações, VME e histórico por revisão, o modelo de planilha de gestão de riscos detalha os campos e as fórmulas.

Matriz de riscos no Excel ou ferramenta pronta

Montar a matriz no Excel faz sentido quando a empresa exige o arquivo num padrão próprio ou quando você quer entender cada fórmula. Leva cerca de uma hora na primeira vez. Se o objetivo é só ter a matriz funcionando na próxima reunião, use a matriz de riscos gratuita da Projeto Diário: ela já vem com as mesmas escalas, níveis e estratégias deste passo a passo, tem uma lista de riscos comuns por tipo de projeto, monta os mapas de calor de ameaças e oportunidades, calcula o VME e exporta tudo para Excel com as cores por nível, pronto para você ajustar.

Perguntas frequentes

Como fazer uma matriz de riscos no Excel?
Crie uma aba com as escalas de 1 a 5 e as faixas de nível, uma aba de registro com listas suspensas para probabilidade e impacto e uma fórmula que multiplica as duas notas. Depois use CONT.SES numa grade 5x5 para montar o mapa de calor e formatação condicional para colorir as células.
Qual fórmula usar para classificar o nível do risco no Excel?
Com as faixas numa tabela auxiliar (1 baixo, 5 médio, 10 alto, 20 crítico), use PROCV com correspondência aproximada sobre a pontuação. Também funciona um SE aninhado que testa primeiro a faixa mais alta.
Dá para mostrar os códigos dos riscos dentro do mapa de calor?
Sim, no Microsoft 365 e no Excel 2021 em diante, combinando UNIRTEXTO e FILTRO. Em versões antigas, use CONT.SES para mostrar a quantidade de riscos em cada célula.
A matriz de riscos no Excel funciona no Google Planilhas?
A versão com contagem funciona: CONT.SES, PROCV, SE, validação de dados e formatação condicional existem no Google Planilhas. A versão que mostra os códigos dos riscos precisa de ajuste, porque a função FILTRO do Google Planilhas não tem o argumento para resultado vazio e deve ir dentro de SEERRO.

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