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Qualidade e Melhoria Contínua

Diagrama de Pareto em projetos: como priorizar causas

A lista de problemas do projeto tem 23 itens, todos marcados como prioridade alta, e a equipe tem capacidade para tratar três. O diagrama de Pareto resolve esse impasse com dados: ordena os tipos de problema do mais frequente (ou mais caro) para o menos, mostra o percentual acumulado e deixa evidente que poucos tipos concentram a maior parte do impacto. É ali que vale começar.

O gráfico é simples de fazer e fácil de errar. Errar, aqui, significa contar a coisa errada, misturar categorias ou priorizar pela frequência quando o que pesa é o custo. A seguir você vê de onde vem o princípio, o passo a passo de montagem com o cálculo do acumulado, um exemplo completo, como fazer o gráfico no Excel e como o Pareto se encaixa com as outras ferramentas da qualidade.

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O que é o diagrama de Pareto

É um gráfico de barras em que as categorias aparecem ordenadas da maior para a menor, acompanhado de uma linha com o percentual acumulado. As barras mostram o peso de cada categoria; a linha mostra quanto do total já foi coberto até ali.

A leitura é direta: as primeiras barras, até o ponto em que a linha acumulada sobe rápido e depois se achata, são os "poucos vitais". O resto são os itens que, mesmo somados, pesam menos. É uma das sete ferramentas clássicas da qualidade, apresentadas no guia de ferramentas da qualidade em projetos.

De onde vem a regra 80/20

O nome homenageia o economista italiano Vilfredo Pareto, que observou que a maior parte das terras na Itália estava nas mãos de uma pequena parcela da população. Quem levou a ideia para a gestão da qualidade foi Joseph Juran: ele percebeu que o mesmo padrão de concentração aparecia nos defeitos e nas perdas, deu ao fenômeno o nome de princípio de Pareto e popularizou a distinção entre os "poucos vitais" e os "muitos triviais". Mais tarde, Juran passou a preferir "muitos úteis" para a segunda parte, porque os itens menores também merecem atenção, só que depois.

A proporção 80/20 é uma forma popular de dizer isso, não uma lei. Em um projeto, três tipos de problema podem somar 65% das ocorrências; em outro, dois tipos podem somar 90%. O que importa é a concentração, não o número exato.

Como fazer um diagrama de Pareto passo a passo

  1. Defina a pergunta. "Quais tipos de defeito mais geram retrabalho na homologação?" ou "Quais causas de atraso mais consomem dias no cronograma?". A pergunta decide o que contar.
  2. Escolha a medida. Frequência (quantas vezes) ou impacto (horas, reais, dias). As duas podem dar Pareto diferentes; veja a seção de erros.
  3. Defina as categorias. Categorias que não se sobrepõem e que a equipe entende do mesmo jeito. Se houver muitas pequenas, agrupe-as em "outros", mas deixe "outros" com no máximo uns 10% do total.
  4. Colete os dados de um período definido. Se o dado não existe pronto, uma folha de verificação organiza a coleta durante duas a quatro semanas.
  5. Monte a tabela. Ordene as categorias da maior para a menor e calcule três colunas: percentual de cada categoria (valor dividido pelo total), percentual acumulado (soma dos percentuais até aquela linha) e, se quiser, contagem acumulada.
  6. Desenhe o gráfico. Barras com os valores no eixo da esquerda e linha com o percentual acumulado no eixo da direita, de 0% a 100%. A categoria "outros" fica sempre por último, mesmo que seja maior do que alguma outra.
  7. Leia e decida. Marque as categorias que somam a maior parte do total e escolha por qual começar. A decisão é da equipe; o gráfico informa.

Exemplo: defeitos na homologação de um sistema

O exemplo é ilustrativo. Na homologação de um sistema de gestão de contratos, a equipe registrou 120 defeitos em quatro semanas, classificados por tipo:

Tipo de defeito Quantidade % % acumulado
Regra de negócio implementada diferente do requisito 46 38,3% 38,3%
Erro de cálculo de reajuste 28 23,3% 61,7%
Campo obrigatório sem validação 17 14,2% 75,8%
Texto ou rótulo errado 11 9,2% 85,0%
Lentidão em relatório 8 6,7% 91,7%
Permissão de acesso incorreta 6 5,0% 96,7%
Outros 4 3,3% 100,0%
Total 120 100%

Três tipos somam 75,8% dos defeitos. Sem o Pareto, a equipe estava concentrada nos textos e rótulos, que eram os mais visíveis nas reuniões com o cliente e representavam menos de 10% do problema.

Agora a mesma base medida por horas de correção:

Tipo de defeito Horas de correção % acumulado
Erro de cálculo de reajuste 140 45,2%
Regra de negócio diferente do requisito 92 74,8%
Lentidão em relatório 40 87,7%
Campo obrigatório sem validação 17 93,2%
Permissão de acesso incorreta 12 97,1%
Texto ou rótulo errado 6 99,0%
Outros 3 100,0%

Pelo custo, o erro de cálculo passa para o primeiro lugar, e a lentidão sobe. A decisão final do exemplo foi atacar primeiro as regras de negócio e os cálculos, que aparecem no topo das duas versões.

Como fazer o gráfico de Pareto no Excel

Nas versões atuais do Excel (Microsoft 365, 2021 e 2024), o Pareto é um tipo de gráfico pronto:

  1. Selecione a coluna de categorias e a de valores.
  2. Vá à guia Inserir, clique em Inserir Gráfico Estatístico e, na seção Histograma, escolha Pareto.
  3. O Excel ordena as barras e traça a linha acumulada sozinho. Ajuste títulos e rótulos pelas guias de design e formato do gráfico.

Em versões que não têm esse tipo de gráfico, ordene a tabela manualmente, calcule o percentual acumulado numa coluna e crie um gráfico de combinação: colunas para os valores e linha para o acumulado, no eixo secundário com máximo de 100%. Como o gráfico automático classifica todas as colunas pelo valor, a categoria "outros" não fica necessariamente no fim. Se isso importar, use o método manual.

Onde o Pareto entra na análise de problemas

O Pareto responde a uma pergunta só: onde atacar primeiro? Ele não explica por que o problema acontece. Por isso, a sequência mais comum é:

  1. Pareto para escolher o tipo de problema que mais pesa.
  2. Diagrama de Ishikawa para levantar as causas possíveis desse tipo.
  3. Verificação das causas com dado e, quando possível, um novo Pareto das causas confirmadas.
  4. Plano de ação e, depois dele, um Pareto do período seguinte para medir o efeito.

A combinação dos dois diagramas, com um exemplo do começo ao fim, está em Pareto e Ishikawa juntos. Para decidir se o problema escolhido realmente pede um Ishikawa ou se uma cadeia de porquês resolve, veja quando usar o diagrama de Ishikawa.

Erros comuns no diagrama de Pareto

  • Contar só frequência. O defeito mais comum pode ser o mais barato. Quando houver dado, faça também o Pareto por custo, horas ou dias de atraso.
  • Categorias que se sobrepõem. Se uma ocorrência pode cair em duas categorias, a contagem fica distorcida. Defina as categorias antes de coletar.
  • "Outros" gigante. Se "outros" passa de 10% a 15%, as categorias estão mal definidas e o gráfico esconde informação.
  • Misturar períodos ou fontes. Somar dados de fases diferentes do projeto, ou de equipes que registram de jeitos diferentes, produz um ranking que não representa nenhuma das duas.
  • Tratar 80/20 como meta. Não é preciso que as primeiras barras somem 80%. Se o gráfico é plano, sem concentração, a mensagem é outra: o problema está espalhado e talvez a causa seja comum a todos os tipos.
  • Não refazer depois da ação. O segundo Pareto, depois das melhorias, é o que mostra se o problema escolhido realmente diminuiu.

Do Pareto à prioridade de ação

Escolha um problema recorrente do seu projeto, defina a pergunta e a medida, e monte a tabela com os dados das últimas semanas, mesmo que imperfeitos. O Pareto mostra onde está o peso pela frequência ou pelo custo; para decidir entre itens de peso parecido, combine com gravidade, urgência e tendência. A matriz GUT gratuita da Projeto Diário faz essa priorização em poucos minutos e deixa registrado por que cada item ficou na frente.

Perguntas frequentes

O que é o diagrama de Pareto?
É um gráfico de barras ordenadas da maior para a menor, com uma linha de percentual acumulado. Ele mostra quais poucas categorias concentram a maior parte das ocorrências, custos ou atrasos, para decidir onde agir primeiro.
O que é a regra 80/20?
É a forma popular do princípio de Pareto: em muitos fenômenos, cerca de 80% dos efeitos vêm de cerca de 20% das causas. A proporção exata varia de caso a caso; o que o princípio afirma é a concentração.
Como fazer um gráfico de Pareto no Excel?
Nas versões atuais, selecione a coluna de categorias e a de valores, vá em Inserir, Inserir Gráfico Estatístico e escolha Pareto, na seção Histograma. Em versões antigas, ordene os dados, calcule o acumulado e monte um gráfico combinado de colunas e linha.
Qual a diferença entre diagrama de Pareto e Ishikawa?
O Pareto prioriza: mostra qual problema atacar primeiro. O Ishikawa explica: organiza as causas possíveis do problema escolhido. Na prática, o Pareto costuma vir antes.

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