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Qualidade e Melhoria Contínua

Relatório A3: o que é e como preencher

O relatório A3 resolve um problema comum em projetos: a análise de um problema ocupa trinta slides, ninguém lê até o fim e a decisão sai baseada no último gráfico mostrado. Com um modelo de A3 lean, a mesma análise cabe numa folha: o problema, a causa, as contramedidas e como saber se funcionaram, numa ordem que qualquer gestor consegue seguir em poucos minutos.

O formato parece simples, e é aí que mora a armadilha. Preencher as caixas é fácil; difícil é ter, em cada uma, só o que sustenta a conclusão. Abaixo estão a origem e o propósito do A3, os tipos de relatório, um modelo para copiar e as regras de preenchimento de cada bloco. Para ver um relatório preenchido do começo ao fim, com o raciocínio de cada decisão, veja o exemplo de A3 lean.

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O que é o relatório A3

O nome vem do tamanho do papel. A3 é o formato da série internacional que mede 297 por 420 milímetros, o dobro de uma folha A4. A prática de registrar um problema, a análise, as ações e o plano numa única folha desse tamanho é associada à Toyota, onde o A3 serve tanto para resolver problemas quanto para desenvolver pessoas: quem escreve o relatório aprende a pensar o problema, e quem revisa ensina fazendo perguntas.

O A3 é, na prática, um ciclo PDCA numa folha. O lado esquerdo cobre o planejar: contexto, situação atual, meta e causa. O lado direito cobre o executar, verificar e agir: contramedidas, plano e acompanhamento. Por isso ele aparece ao lado do PDCA, do DMAIC e do Kaizen nas metodologias de melhoria contínua, com uma vantagem própria: é o método mais leve para comunicar a análise a quem decide.

Tipos de relatório A3

No livro Understanding A3 Thinking, Durward Sobek e Art Smalley descrevem três tipos de A3, cada um com sua sequência de blocos:

Tipo Para que serve Quando usar no projeto
Resolução de problemas Registrar a análise de um problema e as contramedidas Retrabalho recorrente, atraso crônico, defeito que volta
Proposta Defender uma mudança antes de implantá-la Mudar um processo, adotar uma ferramenta, reorganizar a equipe
Status Relatar o andamento ou o resultado de uma iniciativa Fechamento de uma fase, prestação de contas ao patrocinador

Outras fontes acrescentam um A3 de estratégia, e há praticantes que tratam o formato como livre. Este artigo usa o A3 de resolução de problemas, que é o mais comum e o que aparece quando alguém procura um modelo.

Modelo de A3 lean para copiar

Copie a estrutura para uma página de apresentação na horizontal ou para uma folha A3. A divisão em duas colunas é intencional: o leitor deve ver o problema à esquerda e a resposta à direita.

TÍTULO: [o problema, em uma frase, sem a solução]
Responsável: | Orientador: | Data: | Versão:

LADO ESQUERDO                          | LADO DIREITO
---------------------------------------|---------------------------------------
1. CONTEXTO                            | 5. CONTRAMEDIDAS
Por que este problema importa agora?   | Ação | Causa que ataca | Efeito esperado
Ligação com o objetivo do projeto.     |
                                       | 6. PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO
2. SITUAÇÃO ATUAL                      | O quê | Quem | Quando | Situação
O problema medido: quanto, onde,       |
desde quando. Um gráfico, no máximo.   | 7. ACOMPANHAMENTO
                                       | Indicador | Antes | Meta | Resultado
3. META                                | O que fazer se a meta não for atingida.
O que, quanto e até quando.            | Padronização e próximos passos.
                                       |
4. ANÁLISE DE CAUSA                    |
Causas verificadas, com a evidência.   |
Ishikawa resumido ou cadeia de porquês.|

Como preencher cada bloco

Título

Escreva o problema, não a solução. "Sessões de validação remarcadas atrasam a homologação" é título; "Implantar agenda fixa de validação" já é contramedida e fecha a análise antes de ela começar.

1. Contexto

Duas a quatro linhas. Diga por que o problema importa para o projeto agora: qual marco ameaça, qual custo gera, qual compromisso com o cliente está em risco. Se o contexto não convence o leitor de que vale ler o resto, o A3 perde o patrocinador no primeiro bloco.

2. Situação atual

É o bloco que mais separa um bom A3 de um ruim. Mostre o problema com dado: quantas vezes, quanto custou, em que etapa. Um gráfico simples vale mais do que um parágrafo. Se o dado não existe, colete antes de continuar; uma folha de verificação durante duas semanas costuma bastar. Evite colocar causas aqui: este bloco descreve o que acontece, não por quê.

3. Meta

Uma frase com o que, quanto e até quando: "reduzir as remarcações de sessões de validação de 6 para no máximo 1 por mês até o fim da fase de homologação". A meta tem de ser compatível com o que a situação atual mostrou. Meta de zero para um problema com causas fora do controle da equipe só desacredita o relatório.

4. Análise de causa

Mostre só as causas verificadas e a evidência de cada uma. O diagrama de Ishikawa inteiro não cabe nem precisa caber: um resumo das categorias que importaram e a cadeia de porquês das causas confirmadas bastam. O roteiro para chegar até aqui sem pular a verificação está em análise de causa raiz em projetos.

5. Contramedidas

O nome é proposital: contramedida, não solução. Cada ação deve apontar para uma causa do bloco 4. Se aparece uma ação que não ataca nenhuma causa listada, ou falta causa na análise, ou a ação é desejo de alguém. Duas a quatro contramedidas costumam bastar.

6. Plano de implementação

Quem faz o quê até quando, com uma coluna de situação que o responsável atualiza. Se o plano tiver mais de oito linhas, ele merece um documento próprio e o A3 mostra só as principais.

7. Acompanhamento

Diga como e quando o resultado será medido, com o mesmo indicador da situação atual, para que a comparação seja direta. Registre também o que acontece se a meta não for atingida e, se for, como a mudança vira padrão.

O papel do orientador

Na prática associada à Toyota, o A3 não é escrito sozinho. Um orientador, normalmente o gestor de quem escreve, revisa cada versão com perguntas: como você sabe disso? Esse dado é de quando? Essa causa foi verificada? O que acontece se a contramedida não funcionar? O livro Managing to Learn, de John Shook, publicado pelo Lean Enterprise Institute, é construído justamente como um diálogo entre um gestor e quem escreve o A3.

Em projetos, o orientador pode ser o gerente do projeto, o PMO ou o patrocinador. O que importa é que a revisão aconteça antes da reunião de decisão e que as perguntas busquem fortalecer o raciocínio, não reescrever o documento.

Erros comuns no relatório A3

  • Começar pelo lado direito. A equipe já sabe o que quer fazer e preenche o lado esquerdo para justificar. O orientador percebe quando a análise de causa parece ter sido escrita depois das contramedidas.
  • Letra miúda para caber tudo. Se não cabe, é porque há coisa demais. Corte, não reduza a fonte.
  • Situação atual sem número. "As sessões costumam ser remarcadas" não permite medir se a contramedida funcionou.
  • Acompanhamento vazio. Muitos A3 param no plano de implementação. Sem acompanhamento, não se sabe se o problema foi resolvido.
  • Usar o A3 para tudo. Para um incidente com cliente que exige registro formal e contenção imediata, o relatório 8D costuma ser mais adequado. Para o panorama das ferramentas que alimentam cada bloco, veja o guia de ferramentas da qualidade em projetos.

Faça o primeiro A3 do seu projeto

Escolha um problema do projeto que já se repetiu e que tem algum dado disponível. Copie o modelo, escreva o título e a situação atual hoje e leve as duas caixas ao seu orientador antes de seguir. Quando chegar às contramedidas, organize o plano de implementação com quem, o quê, quando e quanto: a ferramenta 5W2H gratuita da Projeto Diário monta essa tabela em poucos minutos e ela cabe direto no bloco 6.

Perguntas frequentes

O que é o relatório A3?
É um formato de uma folha, no tamanho de papel A3, que registra um problema, a análise da causa, as contramedidas, o plano e o acompanhamento. O nome vem do papel. A ideia é obrigar a síntese e mostrar o raciocínio inteiro numa vista só.
Quais são as etapas do A3?
No A3 de resolução de problemas, a sequência mais usada é título, contexto, situação atual, meta, análise de causa, contramedidas, plano de implementação e acompanhamento. O lado esquerdo descreve o problema e o direito, a solução.
Qual a diferença entre A3 e PDCA?
O PDCA é o ciclo de melhoria. O A3 é o documento que registra um ciclo PDCA numa folha: os blocos do lado esquerdo correspondem ao planejar, e os do lado direito à execução, verificação e ação.
Precisa ser feito em papel A3?
Não. Muitas equipes usam uma página de apresentação ou de documento com o mesmo layout. O que importa é o limite de espaço, que força a escrever só o essencial.

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