5W2H, 5W1H e 5W3H: diferenças e qual usar
A equipe vai montar o plano de ação e alguém lembra que, no curso que fez, a tabela tinha seis colunas, não sete. Outra pessoa já viu uma com oito. A dúvida entre 5W2H ou 5W1H, e de vez em quando 5W3H, aparece porque as três siglas convivem em livros, cursos e modelos de planilha, e quase nunca alguém explica o que muda na prática.
A diferença está nos H. Todas partem das mesmas cinco perguntas com W; o que varia é o que se pergunta sobre o como, o custo e a quantidade. Escolher a sigla certa é escolher quais informações o plano precisa para ser aprovado e cobrado, e quais seriam colunas vazias.
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O que muda de uma sigla para outra
| Sigla | Perguntas | O que acrescenta | Uso mais comum |
|---|---|---|---|
| 5W1H | What, Why, Where, When, Who, How | É a base | Descrever um fato ou registrar encaminhamentos sem custo |
| 5W2H | As seis da base + How much (quanto custa) | O custo da ação | Plano de ação com orçamento ou horas controladas |
| 5W3H | As sete do 5W2H + How many (quantos) | A quantidade envolvida | Ações com volume relevante: pessoas, unidades, itens |
Em português, as cinco perguntas com W são o quê, por quê, onde, quando e quem. O primeiro H é o como, o método da ação. O significado detalhado de cada letra, com exemplos de resposta forte e fraca, está em 5W2H: o que é e para que serve. Aqui o foco é a diferença entre as versões.
Outras siglas, como 6W2H, aparecem em alguns materiais com uma pergunta a mais. Como não há um padrão único para essas variações, confira na fonte o que cada letra significa antes de adotar o formato na equipe.
5W1H: as seis perguntas de base
As seis perguntas são antigas e conhecidas do jornalismo, que as usa para garantir que a notícia conte o essencial. Por isso o 5W1H funciona muito bem para descrever algo que aconteceu: um incidente, uma reclamação, uma falha numa entrega. Quem lê o registro entende o fato sem precisar perguntar de novo.
No projeto, o 5W1H serve bem em três situações:
- Registro de ocorrência. O que aconteceu, por que foi notado, onde, quando, quem estava envolvido e como foi detectado. É a descrição que vem antes da análise de causa.
- Encaminhamentos internos sem desembolso. Uma reunião que decide revisar um documento ou agendar uma conversa com o cliente não precisa de coluna de custo.
- Briefing. Orientar um fornecedor ou uma equipe nova sobre uma tarefa, sem entrar em orçamento.
O limite aparece quando o 5W1H vira plano de ação de verdade. Ação "sem custo" quase sempre consome horas de alguém, e essas horas disputam espaço no cronograma com o resto do projeto. Sem a coluna, ninguém soma o esforço do plano.
5W2H: o custo como pergunta obrigatória
O segundo H, how much, obriga a estimar quanto a ação custa antes de assumi-la. Em projetos com orçamento controlado, essa é a pergunta que decide se o plano anda: ação sem verba aprovada fica parada esperando autorização.
Por isso o 5W2H virou o formato padrão de plano de ação em gestão de projetos e em programas de qualidade. Ele resolve os dois usos: com o custo em reais quando há desembolso e com as horas internas quando não há. Os três formatos de tabela para copiar (simples, de acompanhamento e de reunião) estão no modelo de 5W2H.
5W3H: quando a quantidade precisa de coluna própria
Na versão mais difundida, o terceiro H é how many: quantos, no sentido de quantidade. Ele resolve um problema comum do 5W2H, em que a coluna quanto acaba misturando custo e volume ("R$ 4.000, 60 pessoas") e deixa de somar.
O 5W3H vale a pena quando o volume da ação é o que se acompanha:
- Treinamentos: quantas pessoas, quantas turmas.
- Compras e distribuição: quantas unidades, quantos kits, quantas lojas.
- Implantação em várias unidades: quantos locais, quantos equipamentos.
- Campanhas e comunicação: quantos contatos, quantas peças.
Se a quantidade não muda nada no acompanhamento, a coluna extra só alonga a tabela. Nesse caso, escreva o número dentro do o quê ("Treinar os 48 operadores de caixa") e fique com o 5W2H.
Exemplo: a mesma ação nas três versões
Contexto (exemplo ilustrativo). Uma rede varejista implanta um novo sistema de frente de caixa em 12 lojas. Uma das ações do plano é treinar os operadores antes da virada.
Em 5W1H:
| O quê | Por quê | Onde | Quando | Quem | Como |
|---|---|---|---|---|---|
| Treinar os operadores de caixa no novo sistema | Evitar filas e erros de venda na virada | Sala de treinamento da loja 1 | Até 20/8 | Coordenadora de treinamento | Turmas práticas em caixa de teste |
Em 5W2H, a mesma linha ganha a coluna quanto: R$ 6.200 (deslocamento dos operadores e horas de instrutor). Agora o comitê sabe quanto aprovar.
Em 5W3H, a linha ganha também a coluna quantos: 48 operadores, em 4 turmas de 12. No acompanhamento, a pergunta deixa de ser "o treinamento foi feito?" e passa a ser "quantos dos 48 já foram treinados?", o que mostra antes da virada se alguma loja ficará sem gente preparada.
Repare que cada H a mais muda a pergunta que o plano consegue responder na reunião de acompanhamento. Esse é o critério de escolha.
5W2H ou 5W1H: qual escolher no projeto
| Situação | Formato recomendado |
|---|---|
| Registrar um incidente ou descrever um problema antes da análise | 5W1H |
| Encaminhamentos de reunião sem desembolso e com pouco esforço | 5W1H, ou 5W2H com horas |
| Plano de ação que precisa de aprovação de verba ou reserva | 5W2H |
| Respostas a riscos e ações corretivas no projeto | 5W2H |
| Ações cujo avanço se mede por volume (pessoas, unidades, locais) | 5W3H |
| Plano com poucas ações e equipe ainda aprendendo a ferramenta | 5W2H, sem colunas extras |
Na dúvida, fique com o 5W2H. É o formato que a maioria das pessoas reconhece, cobre custo e esforço e aceita o número da quantidade dentro do o quê quando ela não precisa de coluna própria.
Não confunda com os 5 porquês
Pela semelhança do nome, os 5 porquês às vezes aparecem como mais uma variação do 5W2H. Não são. Os 5 porquês são uma técnica de análise: perguntam "por quê?" seguidamente até chegar à causa de um problema. O 5W1H, o 5W2H e o 5W3H são formatos de registro e de plano de ação. Na sequência de trabalho, os porquês vêm antes, para descobrir o que tratar; a tabela vem depois, para organizar o tratamento.
Erros comuns ao escolher a versão
- Escolher a sigla maior porque parece mais completa. Coluna sem uso fica vazia e passa a impressão de plano incompleto.
- Misturar custo e quantidade na mesma coluna. "R$ 2 mil e 30 kits" não soma nem conta. Separe em duas colunas ou deixe a quantidade no o quê.
- Usar o 5W1H para esconder o custo. Se a ação consome horas relevantes, o plano sem a coluna subestima o esforço e estoura o cronograma.
- Trocar de formato no meio do projeto. Mantenha a mesma versão em todos os planos do projeto, para que relatórios e consolidações batam.
Para ver onde o plano de ação entra entre as ferramentas de análise, como Pareto, Ishikawa e folha de verificação, consulte o guia de ferramentas da qualidade em projetos.
Escolha o formato e monte o plano
Olhe para a próxima ação que o seu projeto precisa planejar e responda: ela consome dinheiro ou horas relevantes? O avanço dela se mede por quantidade? Com as duas respostas, a sigla está escolhida. Para começar com o formato mais usado, monte o plano na ferramenta 5W2H gratuita da Projeto Diário: ela soma o custo das ações, marca as atrasadas e aceita o número da quantidade no texto da ação quando você não precisar de uma coluna só para ela.