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Planejamento, Cronograma e Custos

PERT/CPM: como montar o diagrama de rede com exemplo

PERT/CPM, também escrito PERT CPM, é a combinação de duas técnicas de cronograma que costumam aparecer juntas porque se completam: o PERT estima quanto cada atividade deve durar e com que incerteza, e o CPM, o método do caminho crítico, calcula as datas, as folgas e a sequência que define o prazo. O ponto de encontro das duas é o diagrama de rede, o desenho que mostra cada atividade e de quem ela depende.

Este texto monta um exemplo completo, do desenho da rede à chance de cumprir a data, numa reforma de escritório com oito atividades. Se você ainda está entendendo o conceito de caminho crítico, comece pelo artigo sobre o que é caminho crítico e volte aqui para a prática.

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O que é PERT/CPM e por que os dois aparecem juntos

As duas técnicas nasceram no fim da década de 1950, em contextos diferentes. O CPM foi pensado para projetos industriais em que a duração das atividades era bem conhecida, e o foco era a lógica da sequência. O PERT veio de um programa militar com muita incerteza, e o foco era estimar prazos que ninguém tinha executado antes.

Hoje a separação faz pouco sentido na prática:

Aspecto PERT CPM
Duração da atividade Três estimativas (otimista, mais provável, pessimista) Uma estimativa
O que entrega Duração esperada e variância Datas mais cedo e mais tarde, folgas, caminho crítico
Pergunta que responde Quanto deve durar e com que incerteza? Qual sequência define o prazo e onde há folga?

O fluxo combinado é simples: estime com três pontos, calcule a duração esperada, rode o cálculo do CPM com essas durações e use as variâncias do caminho crítico para estimar a chance de cumprir a data. Os detalhes da fórmula estão no artigo sobre estimativa PERT de três pontos.

Os elementos do diagrama de rede

Atividade no nó e atividade na seta

Há duas notações. Na atividade no nó (AON, de activity on node), cada atividade é uma caixa e as setas mostram dependências. É a notação do método do diagrama de precedência, usada pelo MS Project e pela maioria das ferramentas. Na atividade na seta (AOA), a atividade é a seta e os círculos são eventos; quando uma dependência não cabe no desenho, entra uma atividade fantasma, de duração zero. A notação AOA ainda aparece em livros e provas antigas, mas para trabalhar use a AON.

O que vai dentro de cada nó

Uma convenção comum divide a caixa em seis campos:

IMC Duração TMC
Nome da atividade
IMT Folga total TMT

IMC e TMC são o início e o término mais cedo; IMT e TMT, o início e o término mais tarde. A folga total é IMT menos IMC.

Tipos de dependência

  • Término para início (TI): B só começa quando A termina. É o padrão e cobre a maioria dos casos.
  • Início para início (II): B pode começar quando A começar. Útil para atividades que andam em paralelo com defasagem.
  • Término para término (TT): B só termina quando A terminar, como a revisão de um texto que acompanha a redação.
  • Início para término (IT): raro; B só termina quando A começar, como um turno que só acaba quando o seguinte entra.

Qualquer dependência pode ter um retardo (espera obrigatória, como a cura do concreto) ou uma antecipação (sobreposição, como começar a pintura 2 dias antes de o forro terminar).

Exemplo de PERT/CPM: reforma de um escritório

O exemplo é ilustrativo. Uma empresa vai reformar o andar onde trabalha a equipe comercial. As durações estão em dias úteis.

ID Atividade Predecessoras O M P Esperada σ²
A Projeto e aprovação do layout 3 5 13 6 2,78
B Compra e entrega do mobiliário A 10 15 26 16 7,11
C Demolição e retirada A 2 3 4 3 0,11
D Instalações elétricas e de rede C 4 6 11 6,5 1,36
E Forro e divisórias D 3 4 8 4,5 0,69
F Pintura E 2 3 4 3 0,11
G Montagem do mobiliário B, F 2 3 7 3,5 0,69
H Limpeza e mudança da equipe G 1 2 3 2 0,11

A duração esperada é (O + 4M + P) / 6 e a variância é ((P menos O) / 6)².

Passo 1: desenhe a rede

Começando por A, à esquerda, saem dois ramos: o da compra (B) e o da obra (C, D, E, F). Os dois se encontram em G, a montagem, que precisa do mobiliário entregue e do espaço pintado. Depois vem H. As setas são:

  • A → B, A → C
  • C → D → E → F
  • B → G, F → G
  • G → H

Antes de calcular, confira duas coisas no desenho: toda atividade, exceto a primeira, tem predecessora, e toda atividade, exceto a última, tem sucessora. Ponta solta é sinal de dependência esquecida.

Passo 2: faça o cálculo de ida

O início de cada atividade é o maior término entre as predecessoras:

  • A: 0 a 6
  • B: 6 a 22; C: 6 a 9
  • D: 9 a 15,5; E: 15,5 a 20; F: 20 a 23
  • G depende de B (22) e F (23): começa em 23 e termina em 26,5
  • H: 26,5 a 28,5

A duração esperada do projeto é de 28,5 dias úteis.

Passo 3: faça o cálculo de volta e encontre as folgas

Do fim para o começo, o término mais tarde de cada atividade é o menor início mais tarde entre as sucessoras:

Atividade IMC TMC IMT TMT Folga total
A 0 6 0 6 0
B 6 22 7 23 1
C 6 9 6 9 0
D 9 15,5 9 15,5 0
E 15,5 20 15,5 20 0
F 20 23 20 23 0
G 23 26,5 23 26,5 0
H 26,5 28,5 26,5 28,5 0

O passo a passo detalhado desse cálculo, com as armadilhas das convergências, está no artigo sobre como calcular o caminho crítico.

Como o caminho crítico é calculado no PERT/CPM

As atividades com folga zero formam o caminho crítico: A, C, D, E, F, G, H, com 28,5 dias. A diferença em relação ao CPM puro está no passo seguinte: somar as variâncias desse caminho para medir a incerteza.

  • Variância do caminho crítico: 2,78 + 0,11 + 1,36 + 0,69 + 0,11 + 0,69 + 0,11 = 5,86
  • Desvio padrão: raiz de 5,86, cerca de 2,4 dias

Com isso, a chance de terminar em até 31 dias úteis é calculada pelo fator z = (31 menos 28,5) / 2,4, cerca de 1,03, o que corresponde a aproximadamente 85% na tabela da distribuição normal.

O caminho quase crítico que muda a leitura

O caminho A, B, G, H tem 27,5 dias, só 1 a menos que o crítico. Mas a compra do mobiliário tem a maior variância da rede (7,11), e a variância desse caminho soma 10,69, com desvio de cerca de 3,3 dias. A chance de ele caber nos 28,5 dias é de apenas 62%, aproximadamente.

Na prática, o risco de prazo da reforma está mais no fornecedor de móveis do que na obra, embora a obra seja o caminho crítico "oficial". Esse efeito, em que caminhos paralelos se encontram e a chance real de cumprir a data fica menor que a de cada caminho isolado, é a principal limitação do PERT clássico. A simulação de Monte Carlo resolve o problema sorteando os cenários para a rede inteira.

Modelo de PERT/CPM para copiar

Monte uma planilha com estas colunas, uma linha por atividade:

Coluna O que preencher
ID Letra ou número único
Atividade Verbo no infinitivo e objeto ("instalar a rede")
Predecessoras IDs, com tipo e retardo quando não for TI simples (ex.: "D TI+2")
O, M, P As três estimativas, na mesma unidade
Esperada (O + 4 × M + P) / 6
Variância ((P menos O) / 6)²
IMC e TMC Cálculo de ida
IMT e TMT Cálculo de volta
Folga total IMT menos IMC
Crítica? "Sim" quando a folga é zero

Abaixo da tabela, some as durações e as variâncias das atividades marcadas como críticas e calcule o desvio padrão do projeto. Guarde também as premissas de cada estimativa: elas explicam o número quando alguém questionar.

Erros comuns ao montar o diagrama de rede

  1. Desenhar a rede a partir de datas. O diagrama nasce das dependências; as datas são consequência. Se você já tem as datas e desenha as setas para justificá-las, o caminho crítico vira ficção.
  2. Dependências demais. Ligar tudo a tudo "por segurança" cria caminhos críticos artificiais. Ligue só o que de fato precisa esperar.
  3. Atividades grandes demais. Uma atividade de 40 dias esconde dependências internas. Quebre em pedaços que caibam entre dois relatórios de status.
  4. Esquecer os recursos. O cálculo supõe recursos ilimitados. Se o mesmo eletricista faz D e outra frente de trabalho, as duas não correm em paralelo.
  5. Tratar a rede como pronta. A cada atualização, durações reais substituem as estimadas e o caminho crítico pode migrar, como o ramo do mobiliário no exemplo.

Do diagrama de rede ao cronograma do dia a dia

O diagrama de rede é a ferramenta de análise; para comunicar, a equipe e o patrocinador entendem melhor o gráfico de Gantt, que mostra as mesmas atividades numa linha do tempo. O guia de planejamento de projetos mostra como as duas visões convivem no plano.

Para praticar, pegue as dez atividades mais importantes do seu projeto, estime O, M e P com quem vai executá-las e monte a tabela do modelo acima. Depois, leve os números para a ferramenta de estimativa PERT e Monte Carlo da Projeto Diário: ela calcula a duração esperada de cada atividade, simula a rede e mostra a chance de cumprir cada data, já considerando os caminhos que se encontram.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre PERT e CPM?
O CPM trabalha com uma duração por atividade e calcula datas e folgas. O PERT usa três estimativas por atividade para obter uma duração esperada e a incerteza. Usados juntos, o PERT fornece as durações e o CPM faz o cálculo da rede.
Como o caminho crítico é calculado no PERT/CPM?
Com as durações esperadas do PERT, você faz o cálculo de ida (datas mais cedo) e de volta (datas mais tarde). As atividades com folga zero formam o caminho crítico, e a soma das variâncias delas dá a incerteza do prazo.
O que é atividade fantasma no diagrama de rede?
É uma seta de duração zero usada na notação de atividade na seta (AOA) só para mostrar uma dependência. Na notação de atividade no nó, a mais usada hoje, ela não é necessária.
Dá para fazer PERT/CPM no Excel?
Dá, com uma tabela de atividades, predecessoras e fórmulas para a ida e a volta. Em redes com mais de 20 ou 30 atividades, uma ferramenta de cronograma reduz os erros de fórmula.

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