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Planejamento, Cronograma e Custos

Estimativa PERT de três pontos: fórmula e exemplo

A estimativa PERT resolve um problema que todo gerente de projetos conhece: quem vai executar a atividade não sabe exatamente quanto ela vai durar, mas sabe dizer o melhor cenário, o cenário normal e o cenário em que as coisas dão errado. Em vez de escolher um desses números, o PERT combina os três numa média ponderada e, de quebra, mede a incerteza de cada estimativa.

O ganho aparece quando você soma as atividades do caminho crítico. O exemplo resolvido mais abaixo mostra um cronograma cujo prazo "mais provável" tem só cerca de 16% de chance de ser cumprido. A estimativa de três pontos explica o porquê e diz qual data você pode comprometer com mais segurança.

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O que é a estimativa PERT de três pontos

PERT é a sigla de Program Evaluation and Review Technique, método criado no fim dos anos 1950 para planejar projetos com muita incerteza de prazo. A parte que sobrevive no dia a dia é a estimativa de três pontos. Para cada atividade, você pede três valores:

  • Otimista (O): a duração se tudo correr bem, sem retrabalho nem espera. Possível, mas raro.
  • Mais provável (M): a duração em condições normais, com os problemas de sempre.
  • Pessimista (P): a duração se os riscos conhecidos acontecerem. Não é o fim do mundo, é o cenário ruim plausível.

O método supõe que a duração real segue uma distribuição beta, que aceita assimetria: na maioria das atividades, a cauda do atraso é mais longa que a da antecipação. Uma tarefa de 10 dias raramente sai em 5, mas pode sair em 20. A média PERT captura essa assimetria sem exigir que você desenhe a distribuição.

A fórmula PERT e a fórmula triangular

Existem duas médias de três pontos em uso, e o Guia PMBOK cita as duas:

Média Fórmula Quando usar
PERT (beta) (O + 4M + P) / 6 Quando o valor mais provável é confiável, vindo de histórico ou de quem já fez o trabalho
Triangular (O + M + P) / 3 Quando há pouco histórico e o "mais provável" é quase um palpite

Veja a diferença numa atividade com O = 5, M = 8 e P = 17 dias. A média PERT é (5 + 32 + 17) / 6 = 9 dias. A triangular é (5 + 8 + 17) / 3 = 10 dias. Como o pessimista está longe dos outros dois, a triangular, que dá mais peso a ele, fica mais conservadora. Escolha uma das fórmulas e use a mesma no projeto inteiro; misturar as duas impede comparar atividades.

Desvio padrão e variância da estimativa

A segunda informação que o PERT entrega é o tamanho da incerteza. Para cada atividade:

  • Desvio padrão (σ) = (P menos O) / 6
  • Variância (σ²) = o desvio padrão ao quadrado

No exemplo anterior, σ = (17 menos 5) / 6 = 2 dias. Uma atividade com O = 8, M = 9 e P = 10 tem a mesma média de 9 dias, mas desvio de apenas 0,33 dia. As duas entram no cronograma com 9 dias, só que a primeira merece muito mais atenção. A amplitude entre otimista e pessimista é o melhor indicador de onde estão os riscos de prazo.

Como fazer a estimativa PERT passo a passo

O exemplo é ilustrativo: a implantação de um sistema de ponto eletrônico numa empresa com três filiais. As cinco atividades abaixo formam o caminho crítico, em dias úteis.

Passo 1: colete os três valores de quem executa

Converse com o responsável por cada atividade e registre O, M e P na mesma unidade. Pergunte primeiro o mais provável, depois "o que teria de acontecer para levar o dobro?" e "o que teria de dar muito certo para levar a metade?". A ordem reduz o efeito de ancoragem.

Atividade O M P
A. Levantamento das regras de jornada 4 6 11
B. Configuração do sistema 8 12 22
C. Integração com a folha de pagamento 5 8 17
D. Testes com usuários-chave 4 5 9
E. Treinamento e virada 3 4 8

Passo 2: calcule a duração esperada de cada atividade

Aplique (O + 4M + P) / 6:

  • A: (4 + 24 + 11) / 6 = 6,5
  • B: (8 + 48 + 22) / 6 = 13
  • C: (5 + 32 + 17) / 6 = 9
  • D: (4 + 20 + 9) / 6 = 5,5
  • E: (3 + 16 + 8) / 6 = 4,5

Passo 3: calcule desvio padrão e variância

Atividade Esperada σ σ²
A 6,5 1,17 1,36
B 13 2,33 5,44
C 9 2,00 4,00
D 5,5 0,83 0,69
E 4,5 0,83 0,69
Total 38,5 12,19

Passo 4: some as durações esperadas e as variâncias do caminho

A duração esperada do caminho é a soma das esperadas: 38,5 dias. A incerteza do caminho vem da soma das variâncias, não dos desvios: 12,19. O desvio padrão do projeto é a raiz quadrada disso, cerca de 3,5 dias.

Se você somasse os desvios (1,17 + 2,33 + 2 + 0,83 + 0,83), chegaria a 7,2 dias, o dobro. Esse é um erro frequente na aplicação do método: ele trata como se todas as atividades fossem atrasar ao mesmo tempo, o que é improvável quando as incertezas são independentes.

Passo 5: compare com a soma dos valores mais prováveis

A soma dos M dá 6 + 12 + 8 + 5 + 4 = 35 dias. É o número que a equipe costuma informar quando perguntam "quanto tempo leva?". Ele fica 3,5 dias abaixo da média PERT porque as caudas de atraso não entram na conta.

Passo 6: calcule a chance de cumprir uma data

Com muitas atividades somadas, a duração total se aproxima de uma distribuição normal. Isso permite calcular o fator z = (data alvo menos duração esperada) / desvio padrão do caminho e consultar a tabela normal:

Prazo alvo z Chance aproximada
35 dias (soma dos M) menos 1,0 cerca de 16%
38,5 dias (média PERT) 0 50%
42 dias 1,0 cerca de 84%
44,2 dias 1,645 cerca de 95%

O prazo de 35 dias, que parecia razoável, tem uma chance em seis de acontecer. A média PERT é uma moeda jogada para o alto. Para comprometer uma data com o patrocinador, 42 a 45 dias é uma faixa defensável.

Passo 7: decida a data e a reserva

Uma prática comum é colocar no cronograma a duração esperada de cada atividade e tratar a diferença até a data comprometida como reserva de contingência de prazo, visível e gerenciada pelo gerente do projeto. No exemplo: atividades somando 38,5 dias, compromisso de 43 dias, reserva de 4,5 dias. Se a reserva estiver sendo consumida mais rápido que o trabalho avança, você sabe antes que a data está em risco.

Os limites da estimativa PERT

O método é útil, mas tem premissas que você precisa conhecer antes de confiar no percentual.

  • Supõe atividades independentes. Se o mesmo problema (um fornecedor lento, uma regra de negócio mal definida) atrasa várias atividades, as incertezas andam juntas e o desvio real é maior que o calculado.
  • Olha um caminho só. Quando dois caminhos têm durações parecidas e se encontram, qualquer um deles pode atrasar o marco. A chance real de cumprir a data é menor que a calculada pelo caminho crítico isolado. O artigo sobre PERT/CPM e diagrama de rede mostra esse efeito num exemplo com um caminho quase crítico.
  • Depende da qualidade dos três números. Pessimistas tímidos produzem desvios pequenos e uma falsa segurança. Se o histórico mostra que atividades parecidas atrasaram 50%, o P precisa refletir isso.

Quando esses limites pesam, a saída é a simulação de Monte Carlo, que sorteia milhares de cenários para a rede inteira e captura a convergência de caminhos.

Como obter estimativas de três pontos sem viés

Os três números valem o que vale a conversa que os produziu. Algumas práticas ajudam:

  1. Peça a quem executa, não a quem cobra. O gestor da área tende a informar o prazo que gostaria de ter.
  2. Separe estimativa de compromisso. Explique que o pessimista não será usado como meta nem como cobrança. Sem isso, as pessoas inflam o M para se proteger.
  3. Ancore no histórico. Projetos anteriores, mesmo com outra escala, dão uma referência. A estimativa análoga, por comparação com um projeto parecido, é o ponto de partida quando não há detalhe suficiente.
  4. Escreva as premissas. "Mais provável de 12 dias, supondo que o fornecedor libere o ambiente de testes na primeira semana." Se a premissa cair, você sabe qual estimativa revisar.
  5. Estime esforço e converta em duração. Esforço de 40 horas com dedicação de 4 horas por dia vira 10 dias úteis. Misturar as duas grandezas é fonte frequente de erro.

O artigo sobre como estimar prazos de forma realista aprofunda a conversa com a equipe, e o texto sobre estimativa de esforço com alta incerteza trata dos casos em que nem os três pontos são fáceis de obter.

Onde a estimativa PERT entra no planejamento

A estimativa de três pontos é aplicada depois de a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) virar lista de atividades e antes de fechar o cronograma. Na prática, você não precisa dela em todas as atividades: use nas que têm maior duração, maior incerteza ou que estão no caminho crítico. Atividades curtas e repetitivas podem seguir com uma estimativa única. O guia de planejamento de projetos mostra como essa etapa se encaixa entre a EAP, o cronograma e o orçamento.

Para aplicar agora, escolha as cinco ou seis atividades mais longas do seu cronograma, colete os três valores com quem vai executá-las e calcule a média e a variância de cada uma. Depois, leve os números para a ferramenta de estimativa PERT e Monte Carlo da Projeto Diário, que faz as contas por atividade, roda 10 mil simulações e mostra a chance de cumprir cada data, com os caminhos paralelos já considerados.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula da estimativa PERT?
A duração esperada é (O + 4M + P) / 6, em que O é a duração otimista, M a mais provável e P a pessimista. O desvio padrão aproximado de cada atividade é (P menos O) / 6.
Qual a diferença entre a média PERT e a média triangular?
A triangular dá o mesmo peso aos três valores: (O + M + P) / 3. A PERT dá peso 4 ao valor mais provável e fica mais perto dele. Com estimativas assimétricas, a triangular costuma resultar num número maior, mais conservador.
Posso somar os desvios padrão das atividades?
Não. Some as variâncias (o desvio padrão ao quadrado) das atividades do caminho e tire a raiz quadrada do total. Somar os desvios superestima a incerteza do projeto.
A estimativa PERT serve para custos?
Serve. A mesma fórmula funciona para custo ou esforço de um pacote de trabalho, desde que os três valores sejam estimados na mesma unidade e com as mesmas premissas.

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