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Qualidade e Melhoria Contínua

Exemplo de PDCA aplicado a um projeto

Um exemplo de PDCA ajuda mais do que a definição das quatro letras, porque o difícil não é saber que existe Plan, Do, Check e Act. O difícil é saber o que escrever em cada etapa quando o problema é real, os dados são incompletos e o prazo do projeto continua correndo.

Abaixo está um PDCA preenchido do começo ao fim em um projeto de obra, com os números de cada etapa. O exemplo é ilustrativo e os dados são fictícios, mas a sequência vale para qualquer projeto, e no fim você vê como adaptá-la para TI ou serviços.

Se você ainda está entendendo o ciclo e quando ele se aplica ao planejamento e ao controle, comece pelo artigo ciclo PDCA em projetos e volte para ver a aplicação.

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O contexto do exemplo

Projeto (exemplo ilustrativo, com dados fictícios): construção de um edifício residencial de 12 pavimentos, com quatro apartamentos por andar. A obra está na fase de acabamentos, e o revestimento cerâmico de banheiros, cozinhas e áreas de serviço segue de baixo para cima.

Sinal de alerta: a equipe de qualidade da construtora inspeciona cada ambiente revestido com a Ficha de Verificação de Serviço (FVS). Nos pavimentos 1 a 3, a fiscalização começou a reprovar ambientes, e cada reprovação significa arrancar peças, refazer e atrasar a frente de pintura que vem logo depois.

Quem participa: o engenheiro de produção (dono do problema), a técnica de qualidade, o mestre de obras e o encarregado da empreiteira de revestimento. O gerente do projeto patrocina o ciclo e cobra o resultado na reunião semanal.

Plan: o problema, a meta, as causas e o plano

1. Problema com número

A técnica de qualidade levantou as FVS dos três primeiros pavimentos: 36 ambientes molhados inspecionados, 8 reprovados. Uma taxa de reprovação de 22%.

Problema escrito: "22% dos ambientes com revestimento cerâmico reprovados na FVS nos pavimentos 1 a 3 (8 de 36), gerando retrabalho e atraso na liberação para pintura."

Repare que o problema não diz "o revestimento está ruim" nem "a empreiteira é fraca". Ele diz o que acontece, quanto e onde, sem embutir a causa.

2. Meta com prazo

Meta: reprovação abaixo de 5% nos ambientes inspecionados a partir do pavimento 6, mantida até o pavimento 12.

A meta tem número, ponto de medição e duração. Sem isso, a etapa Check não teria contra o que comparar.

3. Estratificação dos defeitos

Antes de discutir causa, a equipe separou os 8 ambientes reprovados pelo tipo de defeito registrado na FVS. Alguns ambientes tinham mais de um defeito, por isso o total passa de 8.

Tipo de defeito Ocorrências Participação
Peças com som cavo (sem aderência total) 6 46%
Caimento errado para o ralo 4 31%
Desnível entre peças vizinhas 2 15%
Rejunte falhado 1 8%
Total 13 100%

Dois defeitos somam 77% das ocorrências. É o raciocínio do diagrama de Pareto: atacar primeiro os poucos tipos que concentram a maior parte do problema.

4. Causas comprovadas

A equipe fez uma reunião de causa e efeito para os dois defeitos principais e depois foi a campo conferir cada hipótese. Só entraram no plano as causas confirmadas.

Defeito Causa levantada Como foi verificada Confirmada?
Som cavo Argamassa colante usada depois do tempo indicado pelo fabricante Observação de dois dias de execução Sim
Som cavo Peças grandes assentadas sem dupla colagem Conferência das peças removidas Sim
Som cavo Lote de argamassa com defeito Ensaio do lote pelo fornecedor Não
Caimento Contrapiso entregue sem conferência de caimento Medição em 6 ambientes ainda não revestidos Sim
Caimento Projeto sem cota de caimento clara Revisão do projeto Não

A causa do lote de argamassa era a mais citada na obra e não se confirmou. Se o plano tivesse partido da opinião, a construtora teria trocado de fornecedor e o problema continuaria.

5. Plano de ação

Com as causas confirmadas, o plano foi montado no formato 5W2H.

O quê Por quê Onde Quando Quem Como Quanto
Preparar argamassa em quantidades menores, com horário de preparo anotado no balde Eliminar uso fora do tempo de trabalho Pavimentos 4 e 5 A partir de 3/3 Encarregado da empreiteira Balde com etiqueta de horário e descarte do que passar do tempo Sem custo extra
Treinar a equipe em dupla colagem para peças acima do tamanho definido no procedimento Garantir aderência das peças grandes Canteiro 2/3 Engenheiro de produção Demonstração prática de 1 hora com teste de remoção de peça R$ 300 em material de teste
Incluir a conferência de caimento do contrapiso na FVS, antes de liberar o revestimento Barrar a base errada antes do assentamento Todos os ambientes molhados A partir de 3/3 Técnica de qualidade Medição com nível em pontos definidos, registro na FVS 2 horas por pavimento

O detalhe de cada coluna e o encaixe do 5W2H dentro da etapa Plan estão no artigo PDCA e 5W2H: como usar juntos no projeto.

Do: executar em escala de teste

A equipe decidiu aplicar o plano primeiro nos pavimentos 4 e 5, e não na obra inteira. Executar em escala menor permite medir o efeito antes de transformar a mudança em regra.

O que foi registrado durante a execução:

  • O treinamento aconteceu na data prevista, com os seis assentadores da empreiteira.
  • A etiqueta de horário funcionou nos primeiros dias e foi esquecida em parte dos baldes na segunda semana. O encarregado passou a conferir no início de cada turno.
  • A conferência de caimento barrou 3 contrapisos no pavimento 4, que foram corrigidos antes do revestimento.

Sem esse registro do que saiu diferente do plano, a etapa Check não conseguiria explicar o resultado.

Check: comparar o resultado com a meta

Nos pavimentos 4 e 5, foram inspecionados 24 ambientes molhados.

Indicador Pavimentos 1 a 3 (antes) Pavimentos 4 e 5 (piloto) Meta
Ambientes reprovados 8 de 36 (22%) 2 de 24 (8%) abaixo de 5%
Ocorrências de som cavo 6 1
Ocorrências de caimento errado 4 0
Ocorrências de desnível 2 2

A leitura da equipe:

  1. As ações de caimento e de aderência funcionaram: os dois defeitos principais quase desapareceram.
  2. A meta não foi atingida, porque o desnível entre peças, que era o terceiro defeito, continuou igual.
  3. Nenhuma ação tratava o desnível. O resultado é coerente com o plano.

É aqui que muitos PDCAs morrem: a meta não foi batida e a equipe conclui que "não deu certo". Os dados mostram outra coisa: o plano funcionou para as causas que tratou, e sobrou uma sem tratamento.

Act: padronizar e abrir o próximo ciclo

Com base na verificação, o engenheiro de produção tomou três decisões:

  1. Padronizar o que funcionou. A etiqueta de horário e a dupla colagem entraram no procedimento de execução de revestimento da obra. A conferência de caimento virou item obrigatório da FVS para todos os pavimentos seguintes.
  2. Abrir um segundo ciclo para o desnível. O novo problema: "2 ocorrências de desnível em 24 ambientes nos pavimentos 4 e 5". A análise inicial apontou peças de lotes diferentes com variação de espessura e falta de niveladores de piso.
  3. Registrar a lição aprendida. A construtora passou a pedir a conferência do contrapiso antes do revestimento também nas outras obras, e o registro foi para a base de lições aprendidas do escritório de projetos.

No segundo ciclo, com o uso de niveladores e a separação das peças por lote, a reprovação nos pavimentos 6 a 8 ficou em 1 de 36 ambientes (3%), dentro da meta. A partir daí, o acompanhamento passou a ser feito só pela FVS, sem ciclo dedicado.

O exemplo de PDCA resumido em uma página

É assim que o ciclo fica registrado no relatório da obra. Use este formato como referência para o seu PDCA pronto:

Etapa O que foi registrado
Plan: problema 22% dos ambientes molhados reprovados na FVS (8 de 36), pavimentos 1 a 3
Plan: meta Reprovação abaixo de 5% a partir do pavimento 6
Plan: causas Argamassa fora do tempo de uso, falta de dupla colagem, contrapiso sem conferência de caimento
Plan: ações Etiqueta de horário, treinamento de dupla colagem, conferência de caimento na FVS
Do Piloto nos pavimentos 4 e 5, com desvios anotados
Check Reprovação caiu para 8%; som cavo e caimento resolvidos; desnível sem tratamento
Act Padronização no procedimento e na FVS; segundo ciclo para o desnível; lição aprendida registrada

Se você precisa de um formulário em branco com esses campos, o artigo modelo de PDCA traz a versão para preencher.

Como adaptar o exemplo de PDCA na empresa e em outros projetos

A obra é só o cenário. O que se repete em qualquer projeto são as decisões de cada etapa. Veja como o mesmo esqueleto fica em dois contextos diferentes, também ilustrativos:

Etapa Projeto de TI (sistema interno) Projeto de serviço (implantação de central de atendimento)
Problema 30% das histórias reabertas após a revisão do cliente nas últimas 3 sprints Tempo médio de primeira resposta 2 vezes acima do previsto no contrato
Meta Reabertura abaixo de 10% em 2 sprints Tempo dentro do contrato em 4 semanas
Causa comprovada Critérios de aceite escritos depois do desenvolvimento Escala de atendentes montada sem o histórico de volume por horário
Teste (Do) Critérios revisados com o cliente antes da sprint, em um time Nova escala em um turno
Verificação Reabertura do time piloto comparada à dos outros Tempo do turno piloto comparado ao restante
Padronização Critérios de aceite entram na definição de pronto Escala por volume vira regra do planejamento mensal

Três cuidados valem para todos:

  • Meça antes de mudar. Sem o número do "antes", a etapa Check vira opinião.
  • Teste pequeno. Um pavimento, um time, um turno. Se a mudança der errado, o estrago é limitado.
  • Feche o ciclo por escrito. A etapa Act só existe se o padrão novo estiver documentado em procedimento, checklist ou definição de pronto. Um checklist de controle de qualidade transforma o padrão em verificação de rotina.

Erros que aparecem nos exemplos de PDCA prontos

  • Plan sem dado. O problema aparece como "baixa qualidade" e a meta como "melhorar". Sem número, não há o que verificar depois.
  • Causa escolhida por votação. No exemplo, a troca de fornecedor de argamassa teria custado caro e não resolveria nada.
  • Act esquecido. O resultado melhora, ninguém registra o novo padrão, e meses depois a equipe volta ao jeito antigo.

Para problemas maiores, que pedem mais rigor na observação e na análise, o PDCA em 8 etapas (MASP) detalha cada passo. Para o panorama das ferramentas que alimentam cada etapa, como Pareto, Ishikawa e folha de verificação, veja o guia de ferramentas da qualidade em projetos.

Monte o seu primeiro ciclo

Escolha um problema do seu projeto que já tenha número e que se repita, como reprovações, retrabalho ou atrasos de uma mesma etapa. Escreva o problema e a meta em duas linhas, confirme as causas em campo e monte o plano de ação. Para a parte do plano, a ferramenta 5W2H gratuita da Projeto Diário organiza o quê, quem, quando e quanto em poucos minutos e exporta a tabela para você acompanhar na etapa Do e cobrar na etapa Check.

Perguntas frequentes

Como montar um exemplo de PDCA preenchido para o meu projeto?
Comece pelo problema com número (o quê, quanto e desde quando), defina a meta com data, registre as causas comprovadas e só então o plano de ação. Depois anote o que foi feito, o resultado medido e a decisão tomada na etapa Act.
Quanto tempo dura um ciclo PDCA em um projeto?
Depende do ritmo em que o resultado pode ser medido. Em uma obra, um ciclo pode acompanhar a execução de alguns pavimentos; em um projeto de software, uma ou duas sprints. O ciclo precisa ser curto o bastante para corrigir o rumo antes do fim do projeto.
O que fazer quando a meta do PDCA não é atingida?
Na etapa Act você registra o que funcionou, padroniza essa parte e abre um novo ciclo para o que ficou de fora. Meta não atingida não é fracasso do método: é a informação que mostra qual causa ainda não foi tratada.
Qual a diferença entre PDCA e plano de ação?
O plano de ação é uma parte da etapa Plan, geralmente montado em 5W2H. O PDCA é o ciclo inteiro, que inclui executar, medir o resultado e decidir se o novo jeito de trabalhar vira padrão.

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