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Gestão de Riscos

Estrutura analítica de riscos (EAR): categorias de risco

Abra o registro de riscos de um projeto de tecnologia e conte: provavelmente três de cada quatro riscos são técnicos. Integração, desempenho, migração de dados, ambiente de testes. Faltam o fornecedor que pode falir, o contrato com cláusula ambígua, a mudança de diretoria, a lei que entra em vigor no meio da implantação. Não é que esses riscos não existam; é que ninguém perguntou por eles. A estrutura analítica de riscos resolve esse ponto cego com uma lista organizada das fontes de incerteza, que a equipe percorre uma a uma.

A estrutura analítica de riscos, ou EAR, é para o risco o que a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) é para o trabalho: uma decomposição hierárquica que ajuda a não esquecer nada. A seguir, o que ela é, quais categorias usar, um exemplo em três níveis para adaptar e como usar a estrutura além da sessão de identificação.

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O que é a estrutura analítica de riscos

O PMBOK, guia do Project Management Institute (PMI), descreve a estrutura analítica dos riscos (em inglês, risk breakdown structure, ou RBS) como uma representação hierárquica das fontes potenciais de risco. No topo fica "todas as fontes de risco do projeto"; no primeiro nível, as grandes categorias; abaixo, subcategorias cada vez mais específicas.

Duas confusões são comuns:

  • EAR não é EAP. A EAP decompõe entregas; a EAR decompõe fontes de incerteza. Um mesmo pacote da EAP, como "migração de dados", pode ter riscos de origem técnica, de fornecedor e organizacional.
  • EAR não é a lista de riscos. Ela não traz riscos escritos no formato causa, evento e efeito. Traz as gavetas onde os riscos são procurados e guardados. A lista vem da identificação, e o artigo sobre exemplos de riscos em projetos mostra riscos concretos por categoria.

A EAR fica documentada no plano de gerenciamento de riscos, ao lado das escalas e das regras de escalonamento. O modelo de plano de gerenciamento de riscos traz a seção pronta para preencher.

Categorias de risco: os modelos de referência

Não existe uma EAR oficial. Existem exemplos consagrados, que servem de ponto de partida.

O exemplo da 6ª edição do PMBOK

A 6ª edição do PMBOK apresenta um exemplo com quatro categorias no primeiro nível:

Categoria Subcategorias de exemplo
Técnico Definição de escopo, requisitos, estimativas e premissas, processos técnicos, tecnologia, interfaces técnicas
Gerenciamento Gerenciamento do projeto, gestão de programa e portfólio, operações, organização, recursos, comunicação
Comercial Termos contratuais, aquisições internas, fornecedores, subcontratações, estabilidade do cliente, parcerias
Externo Legislação, câmbio, local e instalações, ambiente e clima, concorrência, regulação

O modelo das edições anteriores

Edições anteriores do guia usavam outro primeiro nível, que muitas organizações e ferramentas mantêm até hoje: técnico, externo, organizacional e gerenciamento do projeto. A diferença prática é onde ficam fornecedores e contratos (na categoria externa, em vez de uma comercial própria) e o destaque dado aos riscos da própria organização, como prioridade, financiamento e dependência de outros projetos.

Qualquer um dos dois funciona. O que importa é a organização escolher um e usá-lo em todos os projetos, para que os relatórios do escritório de projetos (PMO) possam comparar e somar.

Exemplo de EAR em três níveis

Abaixo, uma EAR ilustrativa para projetos de implantação de sistema e de obra, partindo do modelo de quatro categorias com fornecedor separado. Adapte o terceiro nível ao seu tipo de projeto.

Nível 1 Nível 2 Nível 3 (exemplos)
1. Técnico 1.1 Requisitos Requisitos incompletos; mudança de regra de negócio
1.2 Tecnologia Tecnologia nova para a equipe; desempenho sob carga
1.3 Interfaces Integração com sistema legado; API de terceiros
1.4 Condições físicas Solo diferente da sondagem; interferência com redes existentes
2. Externo 2.1 Regulação e legislação Licenças e alvarás; mudança tributária; norma técnica nova
2.2 Mercado Câmbio; preço de insumos; disponibilidade de mão de obra
2.3 Ambiente Chuva; período de cheia; restrições ambientais
3. Fornecedores e contratos 3.1 Fornecedores Atraso de entrega; capacidade financeira; dependência de fornecedor único
3.2 Contrato Cláusulas ambíguas; matriz de alocação de riscos; garantias
4. Organizacional 4.1 Patrocínio e prioridade Mudança de diretoria; corte de orçamento; projeto concorrente
4.2 Pessoas Disponibilidade de usuários-chave; saída de pessoa-chave; resistência à mudança
5. Gerenciamento do projeto 5.1 Planejamento Estimativas otimistas; premissas não validadas
5.2 Comunicação e controle Decisões lentas; papéis indefinidos; status sem dado real

Três ou quatro níveis bastam. Uma EAR com seis níveis vira um catálogo que ninguém percorre.

Como montar a EAR do seu projeto em 5 passos

  1. Parta de um modelo. Use uma das referências acima ou a EAR que o PMO já adota. Não comece da folha em branco.
  2. Levante os riscos de projetos parecidos. Lições aprendidas e registros antigos mostram que fontes aparecem com frequência no seu tipo de projeto. Elas viram subcategorias.
  3. Ajuste o segundo nível ao contexto. Um projeto em órgão público precisa de uma subcategoria para controle externo e processo licitatório; um lançamento de produto, para canal de vendas e concorrência.
  4. Teste com a equipe. Peça que cada pessoa encaixe cinco riscos já conhecidos na estrutura. Se muitos caem em "outros" ou servem em duas gavetas, a estrutura precisa de ajuste.
  5. Registre no plano e no registro de riscos. A categoria vira um campo obrigatório de cada risco, com lista fechada de opções.

Como usar a EAR além da identificação

Na identificação: roteiro para a sessão

Percorra a EAR item por item e pergunte "o que, nesta fonte, pode afetar nossos objetivos?". Ao final, olhe as categorias vazias. Categoria vazia não significa ausência de risco; quase sempre significa que ninguém olhou para ela.

Na análise: onde o risco se concentra

Depois da análise qualitativa, some a pontuação ou conte os riscos altos e críticos por categoria. Se 60% da exposição está em "Fornecedores e contratos", o problema do projeto é de aquisições, e a resposta pode ser estrutural (diversificar fornecedor, renegociar cláusulas) em vez de risco a risco.

Nas respostas: causas comuns

Riscos da mesma subcategoria costumam ter causa comum. Cinco riscos ligados à disponibilidade de usuários-chave pedem uma única conversa com a diretoria, não cinco planos de mitigação separados.

No cruzamento com a EAP

Uma tabela com os pacotes da EAP nas linhas e as categorias da EAR nas colunas mostra quais entregas concentram riscos de quais fontes. É uma forma rápida de ver, por exemplo, que a migração de dados acumula riscos técnicos e organizacionais, enquanto a infraestrutura acumula riscos de fornecedor. Se a EAP do projeto ainda não existe, o editor de EAP gratuito ajuda a montá-la antes do cruzamento.

Nos relatórios para a governança

Com categorias padronizadas, o PMO consegue mostrar à diretoria que, por exemplo, os riscos de fornecedor estão crescendo em todos os projetos de infraestrutura. Sem categorias, cada projeto relata do seu jeito e a comparação é impossível.

Erros comuns com a estrutura analítica de riscos

  • Categoria "Outros" gigante. Se mais de 10% dos riscos caem nela, falta uma categoria.
  • Misturar fonte com efeito. "Atraso" e "estouro de orçamento" não são categorias de fonte; são efeitos que qualquer fonte pode provocar.
  • EAR diferente em cada projeto. Adaptar o terceiro nível é saudável; mudar o primeiro nível a cada projeto impede a comparação.
  • Usar só no planejamento. A estrutura deve voltar em cada revisão completa de riscos, principalmente na mudança de fase.

Comece pela categoria do seu registro

Se o seu projeto já tem um registro de riscos, o primeiro passo é simples: classifique cada risco numa categoria e veja quais ficaram vazias. Essa leitura leva vinte minutos e costuma revelar o ponto cego da equipe. O ciclo completo, da identificação ao monitoramento, está no guia de gestão de riscos em projetos.

Para fazer isso numa ferramenta pronta, use a matriz de riscos gratuita da Projeto Diário: cada risco recebe uma categoria (técnico, externo, organizacional ou gerenciamento do projeto), probabilidade, impacto, estratégia e responsável, e o registro pode ser exportado para Excel, onde você filtra e soma a exposição por categoria para levar ao patrocinador.

Perguntas frequentes

O que é estrutura analítica de riscos?
É uma representação hierárquica das fontes de risco do projeto, organizada em categorias e subcategorias. Em inglês se chama risk breakdown structure (RBS). Ela serve de roteiro para identificar riscos e para agrupar os riscos já registrados.
Qual a diferença entre EAP e EAR?
A EAP decompõe o trabalho do projeto em entregas e pacotes. A EAR decompõe as fontes de incerteza em categorias. Cruzar as duas mostra quais entregas concentram riscos de quais fontes.
Quais são as categorias de risco do PMBOK?
O exemplo da 6ª edição usa quatro categorias no primeiro nível: técnico, de gerenciamento, comercial e externo. Edições anteriores usavam técnico, externo, organizacional e de gerenciamento do projeto. As duas são exemplos, e cada organização pode adaptar.
Onde a EAR fica documentada?
No plano de gerenciamento de riscos, junto com as escalas de probabilidade e impacto. A categoria de cada risco vira um campo do registro de riscos.

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