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Qualidade e Melhoria Contínua

Os 6M do diagrama de Ishikawa explicados com exemplos

Na reunião de análise, a equipe olha para o quadro com seis espinhas vazias e trava em "máquina": o projeto é de software, não tem máquina nenhuma. Os 6M do diagrama de Ishikawa nasceram na indústria, e é natural que soem estranhos em projetos. Mas cada categoria tem um equivalente direto, e entender o que ela cobre é o que faz o diagrama achar causas que a equipe sozinha não acharia.

Abaixo está cada um dos seis M em detalhe: o que entra, as perguntas que puxam causas e exemplos em obra, TI, evento e órgão público. No fim, como decidir em que espinha colocar uma causa que parece caber em duas e quando trocar os 6M por outro conjunto. Para o método completo de montagem e condução da reunião, veja diagrama de Ishikawa: o que é e como fazer.

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Para que servem as categorias

As categorias funcionam como lista de verificação mental. Sem elas, a equipe concentra as causas na frente que conhece melhor ou que já culpava antes da reunião. Com elas, a pergunta passa a ser "e no material, o que poderia contribuir?", e aparecem causas que ninguém tinha considerado.

Por isso a regra mais importante é tratar os 6M como estímulo, não como formulário. Categoria vazia é aceitável; causa inventada para preencher espinha atrapalha.

Método

O que cobre: a forma de fazer o trabalho. Procedimentos, sequência de atividades, regras, fluxos de aprovação, critérios de aceite, divisão de tarefas.

Perguntas que ajudam:

  • Existe um procedimento definido? Ele é seguido?
  • A sequência das atividades faz sentido ou gera espera e retrabalho?
  • Quem aprova, e em que prazo?
  • O critério de pronto está escrito?

Exemplos em projetos: requisito aprovado só por conversa, sem registro; fluxo de aprovação com quatro aprovadores em série; teste feito só no fim da fase; ausência de critério de aceite para a entrega.

Máquina

O que cobre: equipamentos, ferramentas e sistemas usados para fazer o trabalho. Em projetos, a leitura mais útil é "ferramentas e infraestrutura".

Perguntas que ajudam:

  • As ferramentas e ambientes estão disponíveis quando a equipe precisa?
  • Há falhas, lentidão ou manutenção atrasada?
  • A ferramenta é adequada ao trabalho ou foi adaptada?

Exemplos em projetos: ambiente de homologação instável numa implantação de sistema; betoneira sem manutenção numa obra; sistema de credenciamento lento na entrada de um evento; software de gestão de documentos que não controla versão.

Mão de obra

O que cobre: as pessoas que executam o trabalho, olhadas pelo lado da capacitação, da disponibilidade e da alocação, nunca pelo da culpa.

Perguntas que ajudam:

  • As pessoas foram treinadas para esta atividade?
  • Têm tempo dedicado ou estão divididas entre várias frentes?
  • Os papéis estão claros? Quem decide o quê?
  • Há rotatividade na equipe?

Exemplos em projetos: especialista alocado em três projetos ao mesmo tempo; usuário-chave do cliente sem tempo liberado para validar; equipe terceirizada trocada no meio da obra; servidor novo conduzindo um processo de compra pela primeira vez.

Um cuidado: "falta de atenção" e "descuido" não são causas úteis. Se a causa está em mão de obra, ela precisa apontar para algo que se possa mudar, como treinamento, alocação ou papel.

Material

O que cobre: os insumos do trabalho. Na indústria, matéria-prima. Em projetos, tudo o que entra no processo: dados, documentos, especificações, projetos de engenharia, itens de fornecedores.

Perguntas que ajudam:

  • Os insumos chegam completos e no prazo?
  • A especificação está correta e na versão vigente?
  • A qualidade dos itens do fornecedor é conferida no recebimento?

Exemplos em projetos: massa de dados de teste incompleta; planta da revisão anterior usada no canteiro; termo de referência sem pesquisa de preços; material de divulgação do evento entregue sem revisão.

Medida

O que cobre: como o resultado é medido, inspecionado e registrado. Instrumentos, indicadores, critérios de inspeção, amostragem, formulários.

Perguntas que ajudam:

  • O indicador mede o que importa?
  • O instrumento ou o critério de medição é confiável?
  • Duas pessoas medindo a mesma coisa chegam ao mesmo número?
  • O defeito é registrado com classificação suficiente para análise?

Exemplos em projetos: chamados abertos sem categoria, impossíveis de analisar; meta definida sem linha de base; fiscalização e construtora usando critérios de medição diferentes; pesquisa de satisfação aplicada só a quem reclamou.

Medida é a categoria mais esquecida, e uma das que mais surpreendem. Às vezes o problema não está no processo, e sim no número que diz que há problema.

Meio ambiente

O que cobre: as condições em que o trabalho acontece. Na indústria, temperatura, umidade, iluminação. Em projetos, o contexto: clima, local, calendário, regulação, cultura da organização.

Perguntas que ajudam:

  • Alguma condição externa mudou no período do problema?
  • O calendário do cliente ou do órgão interfere (fechamento contábil, férias coletivas, recesso)?
  • Há mudança de legislação ou de norma em curso?
  • O ambiente da equipe favorece ou atrapalha o trabalho?

Exemplos em projetos: chuva prolongada na fase de fundação; homologação marcada na semana de fechamento contábil do cliente; restrições de contratação em período eleitoral num órgão público; evento ao ar livre sem plano para calor intenso.

Os 6M num mesmo diagrama de Ishikawa: exemplo resumido

O exemplo é ilustrativo. Problema: numa implantação de sistema de agendamento em uma rede de clínicas, 25% das marcações feitas no primeiro mês tiveram erro de horário.

M Causa levantada
Método Regras de agenda de cada clínica repassadas por e-mail, sem formulário padrão
Máquina Sincronização entre o sistema novo e o antigo rodando uma vez por dia
Mão de obra Recepcionistas treinadas uma semana antes da virada, sem prática no sistema
Material Cadastro de médicos com horários desatualizados na carga inicial
Medida Erros registrados só quando o paciente reclamava
Meio ambiente Virada feita no mês de maior demanda das clínicas

O diagrama não prova nenhuma dessas causas. Ele mostra onde investigar. A verificação, nesse caso, apontaria primeiro o cadastro desatualizado e a sincronização diária. Exemplos completos, com verificação e plano de ação, estão no artigo de exemplo de diagrama de Ishikawa preenchido.

Quando uma causa parece caber em duas categorias

Acontece o tempo todo. "Equipe não sabe usar a ferramenta de testes" é mão de obra ou máquina? Três critérios ajudam a decidir:

  1. Onde está a ação? Se a ação é treinar, é mão de obra. Se é trocar ou configurar a ferramenta, é máquina.
  2. O que mudou? Se a ferramenta mudou e a equipe é a mesma, a causa está na ferramenta. Se a equipe mudou, está nas pessoas.
  3. Na dúvida, escolha uma e siga. O que não pode é escrever a mesma causa em duas espinhas, porque ela parece ter peso dobrado na votação.

Variações dos 6M e quando trocar as categorias

Os 6M não são a única opção. Há quem acrescente gestão e manutenção e chegue a 8M; em serviços, aparecem conjuntos como os 4S (sistemas, ambiente, habilidades e fornecedores). A variedade mostra que o conjunto é ferramenta, não regra. A trajetória de quem deu nome ao diagrama está em Kaoru Ishikawa: quem foi e o que deixou para a qualidade.

Em projetos de gestão e de TI, funciona bem um conjunto como escopo e requisitos, pessoas, processo, fornecedores, comunicação e tecnologia. Troque as categorias quando a equipe passar mais tempo discutindo em que M uma causa entra do que discutindo a causa.

Use os 6M na próxima análise

Antes da próxima reunião de causa, escreva as seis categorias no quadro e, embaixo de cada uma, duas das perguntas deste artigo. Elas aceleram o levantamento e evitam a espinha vazia por falta de ideia. Depois, verifique as causas com dados e transforme as confirmadas em ação com responsável e prazo: a ferramenta 5W2H gratuita da Projeto Diário monta esse plano em poucos minutos. Para ver onde o Ishikawa se encaixa entre as demais ferramentas, consulte o guia de ferramentas da qualidade em projetos.

Perguntas frequentes

Quais são os 6M do diagrama de Ishikawa?
Método, máquina, mão de obra, material, medida e meio ambiente. São as seis categorias mais usadas para organizar as causas possíveis de um problema na espinha de peixe.
O que entra em medida no diagrama de Ishikawa?
Tudo o que se refere a como o resultado é medido ou inspecionado: instrumentos, critérios, indicadores, amostragem e registros. Uma medição errada pode fazer um processo bom parecer ruim, ou esconder um defeito real.
O que é meio ambiente no diagrama de Ishikawa?
São as condições em que o trabalho acontece: clima, temperatura, local, calendário, regulação, clima organizacional. Em projetos, inclui o contexto do cliente, como fechamento contábil ou período eleitoral.
É obrigatório usar os 6M?
Não. Os 6M são um ponto de partida que vem da indústria. Em serviços e projetos, é comum adaptar as categorias, desde que cubram todas as frentes do problema sem se sobrepor.

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