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Métodos Ágeis e Scrum

Scrum em escala: Scrum of Scrums, Nexus e LeSS

O Scrum foi pensado para um time pequeno. O Guia do Scrum fala em times de, em geral, 10 pessoas ou menos. Quando o produto cresce e o trabalho passa a exigir 30, 50 ou 80 pessoas, a pergunta deixa de ser "como fazer Scrum" e passa a ser "como vários times fazem Scrum no mesmo produto sem pisar uns nos outros". É disso que trata o Scrum em escala.

O próprio guia dá a regra de partida: se o time ficar grande demais, deve considerar se reorganizar em vários times Scrum coesos, focados no mesmo produto, e por isso esses times devem compartilhar a mesma Meta do Produto, o mesmo Product Backlog e o mesmo Product Owner. Quando há vários times no mesmo produto, eles também precisam definir juntos e seguir a mesma Definição de Pronto. O guia para aí. Como os times planejam juntos, resolvem dependências e integram o trabalho fica a cargo de práticas complementares.

As três respostas mais conhecidas para essa lacuna são o Scrum of Scrums (formalizado no Scrum@Scale), o Nexus e o LeSS. Abaixo está como cada uma funciona, o que acrescenta ao Scrum e quando faz mais sentido.

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Os problemas que aparecem com vários times

Antes de escolher um framework, vale reconhecer os sintomas. Em produtos com vários times Scrum, os problemas mais comuns são:

  • Dependências descobertas tarde. O time A só percebe no meio da Sprint que precisa de algo do time B.
  • Integração no fim. Cada time termina o seu incremento, mas o produto integrado só é testado perto da entrega.
  • Vários backlogs. Cada time tem o seu, e ninguém consegue dizer qual é a prioridade do produto.
  • Definições de pronto diferentes. Um time considera pronto o que passou em teste unitário; outro, o que está em homologação.
  • Product Owner sobrecarregado ou multiplicado. Ou um PO não dá conta de sete times, ou cada time ganha seu PO e o produto perde a visão única.

Os três frameworks atacam esses problemas com doses diferentes de estrutura.

Scrum of Scrums e o Scrum@Scale

O Scrum of Scrums é a prática mais antiga e mais simples: representantes de cada time se reúnem com frequência para tratar dependências e impedimentos que atravessam os times. Por muito tempo foi só uma reunião, sem regras definidas. Jeff Sutherland, cocriador do Scrum, a formalizou no Scrum@Scale, cujo guia (versão 2.1, de fevereiro de 2022) é publicado pela Scrum Inc.

No Scrum@Scale:

  • Scrum of Scrums (SoS): um time maior, formado por vários times Scrum, que funciona como um time Scrum em escala e responde por um conjunto integrado de incrementos ao fim de cada Sprint. O guia aponta 4 ou 5 times como número ótimo num SoS.
  • Scaled Daily Scrum: evento com timebox de até 15 minutos, com pelo menos um representante de cada time, para coordenar o trabalho e tratar impedimentos.
  • Scrum of Scrums Master: o Scrum Master do SoS, que garante os eventos em escala e responde pela entrega conjunta.
  • Chief Product Owner: coordena as prioridades com o time de Product Owners e mantém um único backlog ordenado.
  • Executive Action Team (EAT) e Executive MetaScrum: fóruns de liderança. O EAT exerce o papel de Scrum Master para a organização inteira e remove impedimentos que os times não conseguem remover; o Executive MetaScrum é onde a liderança negocia prioridades com o time de Product Owners, pelo menos uma vez por Sprint.

O Scrum@Scale se apresenta como uma arquitetura livre de escala: grupos de SoS podem se reunir em camadas maiores com a mesma lógica. É uma boa escolha quando a organização quer partir do Scrum que já conhece e ir acrescentando camadas conforme cresce.

Nexus

O Nexus foi criado por Ken Schwaber, cocriador do Scrum, e é mantido pela Scrum.org. O Nexus Guide (edição de janeiro de 2021) o descreve como um grupo de cerca de três a nove times Scrum trabalhando juntos num único produto.

O Nexus acrescenta ao Scrum:

  • Nexus Integration Team: formado pelo Product Owner, por um Scrum Master e por membros que muitas vezes também pertencem aos times. Responde por garantir que um Incremento Integrado e pronto seja produzido pelo menos uma vez por Sprint. Um detalhe importante: ele não faz a integração; quem integra são os próprios times.
  • Eventos em escala: refinamento entre times (para expor e reduzir dependências), Nexus Sprint Planning, Nexus Daily Scrum (focada em problemas de integração e no progresso em direção à Meta da Sprint do Nexus), Nexus Sprint Review e Nexus Sprint Retrospective.
  • Artefatos e compromissos: um único Product Backlog com a Meta do Produto; um Nexus Sprint Backlog com a Meta da Sprint do Nexus; um Incremento Integrado com uma Definição de Pronto que todos os times seguem.

Uma regra que surpreende: a Nexus Sprint Review substitui as Reviews individuais dos times, porque o feedback das partes interessadas deve ser sobre o produto integrado, e não sobre partes.

O Nexus é a extensão mais "fiel" ao Guia do Scrum e funciona bem para quem já usa o vocabulário e as certificações da Scrum.org.

LeSS (Large-Scale Scrum)

O LeSS foi criado por Craig Larman e Bas Vodde a partir do trabalho conjunto que começaram em 2005. A filosofia está no nome: menos (less) papéis, menos artefatos e menos processo. Os autores defendem que acrescentar muitas regras e depois pedir à organização que as corte é um caminho errado; melhor começar com o mínimo.

O site oficial (less.works) descreve duas variantes:

  • LeSS: até oito times de até oito pessoas cada.
  • LeSS Huge: para produtos com até alguns milhares de pessoas, dividindo o produto em áreas de requisitos.

Em ambos, há um único Product Owner, um único Product Backlog, uma única Definição de Pronto e uma única Sprint para todos os times, que entregam um incremento único do produto. Os eventos mudam assim:

  • Sprint Planning One: pessoas de todos os times decidem como dividir os itens do backlog e identificam trabalho compartilhado.
  • Sprint Planning Two: cada time planeja o seu trabalho, em geral em paralelo.
  • Refinamento: obrigatório em cada time; o refinamento com vários times é uma variação comum.
  • Sprint Review: com todos os times, clientes e partes interessadas, muitas vezes no formato de feira, com estações por tema.
  • Overall Retrospective: retrospectiva específica do LeSS, focada em melhorar o sistema como um todo.

O LeSS não cria um time de integração nem um papel de coordenação: os times coordenam diretamente entre si. Isso exige times multifuncionais de verdade, organizados por funcionalidade do cliente, e não por componente técnico.

Comparação lado a lado

Critério Scrum@Scale (Scrum of Scrums) Nexus LeSS
Quem criou Jeff Sutherland (Scrum Inc.) Ken Schwaber (Scrum.org) Craig Larman e Bas Vodde
Tamanho indicado 4 ou 5 times por SoS, organizados em camadas Cerca de 3 a 9 times Até 8 times; LeSS Huge para muito mais
Product Owner Time de POs com um Chief Product Owner Um Product Owner Um Product Owner (com Area POs no LeSS Huge)
Papel novo de integração Scrum of Scrums Master Nexus Integration Team Nenhum
Review Por SoS, com produto integrado Uma Nexus Sprint Review única Uma Sprint Review com todos os times
Envolve a liderança Sim, com EAT e Executive MetaScrum Pouco Pede mudança organizacional profunda
Melhor para Organizações que querem crescer por camadas Times que já seguem o Guia do Scrum à risca Organizações dispostas a simplificar a estrutura

Para organizações com dezenas de times e necessidade de ligar o trabalho ao portfólio e ao orçamento, a alternativa mais estruturada é o SAFe. Para quem prefere escolher práticas caso a caso, o Disciplined Agile oferece um ciclo de vida próprio para times de times.

Como escolher a abordagem de escala

  1. Confirme que precisa escalar. Muitos problemas de "escala" são de arquitetura ou de backlog. Se os times podem ser reorganizados para entregar com pouca dependência entre si, coordenação leve basta.
  2. Conte os times que trabalham no mesmo produto. Dois ou três times costumam se virar com refinamento conjunto e uma Daily de representantes. Acima disso, um framework ajuda.
  3. Veja quem decide a prioridade. Se cada time tem um "dono" diferente e ninguém quer abrir mão, nenhum framework resolve sem uma decisão da liderança sobre o Product Owner único.
  4. Avalie a disposição para mudar a estrutura. O LeSS pede times por funcionalidade e menos camadas de gestão. O Nexus e o Scrum@Scale permitem começar com menos mudança.
  5. Comece pequeno e inspecione. Aplique o framework escolhido em um produto, avalie por alguns ciclos e só depois expanda.

Erros comuns ao escalar o Scrum

  • Um backlog por time. É o erro que mais destrói a visão do produto. Vários times, um backlog.
  • Times por componente. Um time de banco de dados, um de telas e um de integração geram dependência em todo item. Prefira times que entregam funcionalidades de ponta a ponta.
  • Scrum of Scrums como reunião de status. Representantes relatando o que cada time fez não resolvem nada. O foco é dependência e impedimento.
  • Definição de Pronto diferente por time. O Guia do Scrum exige uma única para o produto.
  • Escalar antes de fazer Scrum bem em um time. Escala multiplica o que já existe, inclusive os problemas.

Quando os times trabalham em fluxo contínuo em vez de Sprints, a coordenação segue outra lógica, descrita em Kanban para múltiplos times. E para quem quer olhar a estrutura de times por outro ângulo, o modelo Spotify mostra uma forma de organizar autonomia e especialidades.

Por onde começar

Desenhe o mapa dos times que trabalham no seu produto: quem depende de quem, onde o trabalho é integrado e quem decide a prioridade. Esse desenho mostra qual dos problemas acima é o seu e qual abordagem ataca melhor. O guia completo de métodos ágeis e Scrum traz a base que todos os times precisam compartilhar antes de qualquer escala.

Para visualizar como as entregas dos vários times se encaixam ao longo dos próximos ciclos, o roadmap de programa da Projeto Diário ajuda a montar uma visão única de marcos, entregas e dependências entre times, um ótimo insumo para o primeiro planejamento conjunto.

Perguntas frequentes

O que é Scrum em escala?
É a aplicação do Scrum quando vários times trabalham no mesmo produto. O Guia do Scrum diz que, nesse caso, os times devem compartilhar a mesma Meta do Produto, o mesmo Product Backlog e o mesmo Product Owner; frameworks como Nexus, LeSS e Scrum@Scale acrescentam práticas de coordenação.
O que é Scrum of Scrums?
É um grupo de times Scrum que funciona como um time em escala, coordenado por uma reunião diária de representantes. No Scrum@Scale, de Jeff Sutherland, essa reunião se chama Scaled Daily Scrum e tem timebox de até 15 minutos.
Qual a diferença entre Nexus e LeSS?
Os dois mantêm um único Product Owner e um único Product Backlog. O Nexus acrescenta um Nexus Integration Team responsável pela integração; o LeSS evita papéis novos e conta com os próprios times para coordenar e integrar.
Quantos times cabem num Nexus?
O Nexus Guide fala em cerca de três a nove times Scrum trabalhando no mesmo produto.
Scrum em escala é o mesmo que SAFe?
Não. O SAFe é um framework de escala mais amplo, com trens, portfólio e papéis próprios. Nexus e LeSS acrescentam o mínimo ao Scrum; o SAFe oferece uma estrutura mais prescritiva.

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