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Métodos Ágeis e Scrum

Disciplined Agile: o que é o kit ágil do PMI e quando usar

O Disciplined Agile (DA) costuma confundir quem chega a ele pela primeira vez, porque não se parece com os frameworks ágeis conhecidos. Não há um conjunto fixo de eventos, como no Scrum, nem uma estrutura de trens e portfólio, como no SAFe. O DA é um kit de ferramentas: um catálogo organizado de opções de práticas, cada uma com seus prós e contras, para que o time escolha o próprio jeito de trabalhar.

A ideia nasceu de uma constatação simples. Times diferentes, em contextos diferentes, precisam de processos diferentes. Uma equipe que desenvolve um aplicativo de varejo, outra que mantém o sistema de folha de pagamento de um órgão público e uma terceira que implanta um ERP num ambiente regulado não deveriam ser forçadas ao mesmo processo. O DA parte dessa diferença e oferece um caminho para decidir com critério, em vez de copiar o que funcionou em outro lugar.

O kit foi criado por Scott Ambler e Mark Lines e adquirido pelo Project Management Institute (PMI) em agosto de 2019. No PMI, ele convive com o Guia Ágil do PMI (Agile Practice Guide), que apresenta os conceitos ágeis para quem vem do gerenciamento tradicional.

Formação relacionada

Agile Scrum Foundation

Papéis, eventos, práticas e ciclo de vida do Scrum, com preparação para o exame ASF.

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O que é Disciplined Agile e o que ele não é

O DA se define como um toolkit híbrido: ele reúne práticas do Scrum, do Kanban, do Lean, do Extreme Programming, de abordagens tradicionais e de outras fontes, e as organiza por objetivo. Quando um time precisa, por exemplo, decidir como explorar o escopo no início de um projeto, o DA mostra várias opções (do backlog leve ao detalhamento de requisitos), com os trade-offs de cada uma.

O que o DA não é:

  • Não é um framework a ser implantado inteiro. Não existe "fazer DA" no sentido de seguir um roteiro. Existe usar o kit para decidir.
  • Não é um substituto do Scrum. Um time pode usar Scrum e recorrer ao DA para resolver o que o Scrum deixa em aberto, como governança, arquitetura ou implantação.
  • Não é só para software. O kit cobre também DevOps, áreas de apoio e a organização como um todo, embora sua parte mais detalhada seja a entrega de soluções.

Way of Working: o conceito central

O termo que mais aparece no DA é Way of Working (WoW), o jeito de trabalhar de um time. A proposta é que cada time escolha seu WoW de forma consciente e o evolua com o tempo, em vez de receber um processo pronto da área de metodologia.

Na prática, isso significa:

  1. Partir de um ciclo de vida que se pareça com o contexto do time.
  2. Olhar os objetivos do processo (por exemplo, formar o time, explorar o escopo, garantir a prontidão para produção) e, para cada um, escolher entre as opções disponíveis.
  3. Experimentar, medir e ajustar, retrospectiva após retrospectiva.

Esse raciocínio é parecido com o da adaptação (tailoring) no PMBOK: o processo serve ao projeto, e não o contrário. Por isso o DA costuma soar familiar para gerentes de projetos de formação tradicional.

Os princípios do Disciplined Agile

O PMI apresenta o DA com oito princípios que sustentam o jeito de pensar do kit:

Princípio O que significa na prática
Delight customers (encantar clientes) Ir além de atender requisitos; vale para clientes internos e externos
Be awesome (ser excelente) Buscar melhoria contínua e qualidade desde o início
Context counts (o contexto importa) Cada pessoa, time e organização é única; o processo deve refletir isso
Be pragmatic (ser pragmático) Usar o que funciona, seja ágil, lean ou tradicional
Choice is good (escolha é bom) Conhecer as opções e os trade-offs para decidir bem
Optimize flow (otimizar o fluxo) Melhorar o fluxo de valor da organização, não só o do time
Organize around products/services (organizar-se em torno de produtos e serviços) Estruturar times em torno do que o cliente recebe
Enterprise awareness (consciência organizacional) Considerar as necessidades de longo prazo da organização, além das do time

O princípio do pragmatismo é o que mais separa o DA de abordagens puristas. Se a melhor resposta para um problema for uma prática tradicional, como uma revisão formal de arquitetura num projeto regulado, o DA a aceita como opção legítima.

Ciclos de vida e fases da entrega

A parte de entrega do kit, chamada Disciplined Agile Delivery (DAD), oferece vários ciclos de vida, em vez de um único:

Ciclo de vida Quando costuma servir
Agile Times que trabalham em iterações, no estilo Scrum
Lean Times que trabalham em fluxo contínuo, no estilo Kanban
Continuous Delivery: Agile Times ágeis maduros que entregam em produção com muita frequência
Continuous Delivery: Lean Times em fluxo que entregam continuamente
Exploratory Ideias novas e incertas, testadas por experimentos no estilo lean startup
Program Times de times trabalhando na mesma solução

O ciclo Agile é organizado em três fases:

  • Inception (concepção): formar o time, alinhar a visão, explorar o escopo e a estratégia técnica, planejar a entrega e garantir o financiamento. É a fase que muitos times fazem informalmente como "Sprint zero".
  • Construction (construção): produzir incrementos utilizáveis da solução, provar cedo a arquitetura e responder às mudanças das partes interessadas.
  • Transition (transição): preparar a produção e implantar a solução.

Ter uma fase explícita de concepção e outra de transição é uma das contribuições mais práticas do DA para quem gerencia projetos. O Guia do Scrum não trata dessas etapas, e muitos times ágeis tropeçam justamente no início (sem visão comum) e no fim (sem plano de implantação).

Disciplined Agile, Scrum e SAFe: quando usar cada um

Critério Scrum SAFe Disciplined Agile
Natureza Framework mínimo para um time Framework estruturado para muitos times Kit de opções para montar o processo
Grau de prescrição Poucas regras, fixas Muitas práticas definidas Escolhas guiadas por contexto
Cobre início e implantação Não explicitamente Sim, no nível do trem Sim, com fases próprias
Bom para Times que começam com ágil Organizações com muitos times dependentes Organizações com contextos muito diferentes entre si

O DA faz mais sentido quando a organização tem times muito diversos (sistemas legados, produtos digitais, áreas reguladas) e quer evitar impor o mesmo processo a todos. Também é útil para PMOs que precisam oferecer orientação sem engessar os times.

Ele faz menos sentido para um time que está começando com ágil e precisa de regras claras para criar hábitos. Nesse caso, o Scrum costuma ser um ponto de partida melhor, e o DA entra depois, quando o time já sabe o que quer ajustar. A escolha entre abordagens para um projeto específico está detalhada em PMBOK ou Scrum: qual usar no projeto, e a combinação de práticas ágeis com preditivas, no artigo sobre modelo híbrido de gestão de projetos.

Para coordenar muitos times com uma estrutura mais definida, compare com o SAFe.

Exemplo ilustrativo: um PMO usando o DA

Imagine o PMO de uma empresa de energia com três tipos de projeto: um portal de autoatendimento para clientes, a substituição do sistema de faturamento e pequenas melhorias contínuas no aplicativo de campo.

  1. Portal de autoatendimento: o time escolhe o ciclo Agile, com Sprints de duas semanas, e usa a fase de concepção para alinhar a visão com a diretoria comercial.
  2. Sistema de faturamento: o ciclo também é Agile, mas o time escolhe opções mais formais em arquitetura e testes de regressão, porque erros de cobrança têm impacto regulatório.
  3. Aplicativo de campo: o time trabalha em fluxo contínuo (ciclo Lean), puxando demandas de um quadro Kanban.

O PMO não impõe o mesmo processo aos três. Ele define o que precisa ser visível para a governança (riscos, prazos-marco, orçamento) e deixa cada time escolher como chegar lá.

Formação e certificações

O PMI reorganizou a trilha de formação em Disciplined Agile nos últimos anos. Segundo provedores de treinamento credenciados, as antigas certificações de entrada, como a Disciplined Agile Scrum Master (DASM), deixaram de ser oferecidas a novos alunos, e a porta de entrada passou a ser o curso Disciplined Agile Foundations. Como a oferta muda, confirme no site do PMI qual curso ou credencial está ativo antes de se inscrever. Quem busca uma certificação ágil do PMI também pode olhar a PMI-ACP, comparada a outras opções no artigo PMP, PMI-ACP ou Scrum Master.

Por onde começar

Se o vocabulário ágil ainda é novo, o guia completo de métodos ágeis e Scrum dá a base que o kit pressupõe. Com ela, escolha um projeto real e faça o exercício do DA: qual ciclo de vida se parece com ele, quais decisões o processo atual não responde (início, governança, implantação) e quais opções existem para cada uma. Esse diagnóstico já é útil mesmo que a empresa nunca adote o kit formalmente.

Para fazer essa escolha com critério, a ferramenta abordagem do projeto da Projeto Diário avalia as características do seu projeto e indica se ele pede uma abordagem preditiva, ágil ou híbrida, um bom ponto de partida para definir o Way of Working do time.

Perguntas frequentes

O que é Disciplined Agile?
É um kit de ferramentas, mantido pelo PMI, que organiza opções de práticas ágeis, lean e tradicionais em objetivos e pontos de decisão. Em vez de prescrever um processo, ajuda cada time a escolher e evoluir o próprio jeito de trabalhar.
Disciplined Agile substitui o Scrum?
Não. O DA incorpora práticas do Scrum, do Kanban, do Lean e de outras abordagens como opções. Um time pode usar Scrum dentro do DA; o kit ajuda a decidir o que acrescentar ou adaptar ao contexto.
Qual a diferença entre Disciplined Agile e SAFe?
O SAFe oferece uma estrutura definida de papéis, eventos e camadas para muitos times. O DA é menos prescritivo: apresenta escolhas e trade-offs para que cada time ou área monte o seu processo.
Quando o PMI comprou o Disciplined Agile?
O PMI adquiriu o Disciplined Agile em agosto de 2019. O kit foi criado por Scott Ambler e Mark Lines.

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