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Métodos Ágeis e Scrum

Metodologia ágil no desenvolvimento de software: como aplicar

Uma metodologia ágil de desenvolvimento de software organiza a construção do sistema em ciclos curtos, cada um terminando com uma parte funcionando que alguém pode usar, avaliar e criticar. Em vez de levantar todos os requisitos, projetar tudo, programar tudo e testar no fim, o time entrega pedaços pequenos com frequência e corrige o rumo a cada entrega, com o cliente perto.

A ideia parece simples, e é por isso que tantas equipes dizem que "são ágeis" sem colher o resultado. Elas adotam as reuniões do Scrum, colocam um quadro na parede e continuam com integração manual, testes no fim e homologação de três semanas. O ritmo de entrega não muda porque a parte técnica não acompanhou a parte de gestão.

Abaixo está o que define o desenvolvimento ágil, as três camadas que precisam funcionar juntas e um passo a passo para aplicar num projeto de software.

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O que é uma metodologia ágil de desenvolvimento de software

O termo ganhou forma em fevereiro de 2001, quando dezessete pessoas se reuniram no resort de esqui de Snowbird, em Utah, nos Estados Unidos, e escreveram o manifesto que deu nome ao movimento, conhecido como Manifesto Ágil. Estavam lá representantes de métodos que já existiam, como Extreme Programming, Scrum, DSDM, Adaptive Software Development, Crystal, Feature-Driven Development e Pragmatic Programming. O manifesto não criou um método; ele registrou o que esses métodos tinham em comum.

Alguns dos doze princípios mostram bem o que muda no software:

  • Entregar software funcionando com frequência, de poucas semanas a poucos meses, com preferência pelo prazo mais curto.
  • Software funcionando é a principal medida de progresso.
  • Aceitar mudanças de requisitos, mesmo tarde no desenvolvimento.
  • Pessoas de negócio e desenvolvedores trabalhando juntas diariamente.
  • Atenção contínua à excelência técnica e ao bom design aumenta a agilidade.

Os valores e princípios estão explicados um a um em Manifesto Ágil: os 4 valores e os 12 princípios. Para o panorama de todos os métodos, veja o guia completo de métodos ágeis e Scrum.

O que muda em relação ao desenvolvimento em cascata

Aspecto Cascata Ágil
Requisitos Levantados e aprovados no início Detalhados aos poucos, a partir de um backlog ordenado
Entrega Uma grande entrega no fim Incrementos frequentes, utilizáveis
Testes Fase própria, depois da construção Contínuos, boa parte automatizada
Mudança Controlada como exceção, com custo alto Esperada e absorvida a cada ciclo
Medida de progresso Percentual de fases e documentos concluídos Software funcionando e resultado para o usuário
Papel do cliente Aprova no início e homologa no fim Participa das revisões a cada ciclo

A cascata ainda faz sentido quando o requisito é estável e conhecido, como uma integração com regras fixadas por norma. Nesses casos, um modelo híbrido costuma funcionar melhor: requisitos fixos tratados com plano detalhado, o resto em ciclos curtos.

As três camadas do desenvolvimento ágil

Na prática, o desenvolvimento ágil funciona quando três camadas andam juntas. Faltando uma, o time sente o atrito.

1. Gestão do trabalho: Scrum ou similar

Define papéis, ciclos e momentos de inspeção. O Scrum é o framework mais usado: Sprints de até um mês, um Product Owner que ordena o backlog, Developers que decidem como construir, e eventos para planejar, acompanhar, revisar o produto e melhorar o processo.

2. Práticas de engenharia: XP e afins

É a camada que mais falta. O Extreme Programming, criado por Kent Beck, reúne práticas como testes automatizados escritos antes do código, integração contínua, refatoração, programação em par e entregas pequenas. Sem elas, entregar a cada duas semanas vira acúmulo de defeitos e de dívida técnica. As práticas estão detalhadas em o que é XP (Extreme Programming).

3. Gestão do fluxo: Kanban

O Kanban Guide propõe três práticas: definir e visualizar o fluxo de trabalho, gerenciar ativamente os itens no fluxo e melhorar o fluxo. Ele traz também quatro medidas de fluxo: trabalho em andamento (WIP), vazão, idade do item e tempo de ciclo. Times Scrum usam essas medidas para descobrir onde o trabalho trava, por exemplo na revisão de código ou na homologação. A aplicação em equipes de tecnologia está em Kanban em projetos de TI.

Como aplicar metodologia ágil num projeto de software: passo a passo

  1. Defina o produto e o objetivo. Quem usa, que problema resolve e qual resultado o projeto precisa alcançar. No Scrum, isso vira a Meta do Produto.
  2. Monte um time multidisciplinar e estável. Quem analisa, programa, testa e cuida da infraestrutura no mesmo time, com dedicação real. Time montado e desmontado a cada demanda não aprende junto.
  3. Escolha quem decide prioridade. Uma pessoa com autoridade para ordenar o backlog e disponível para o time. Sem isso, a prioridade vira disputa entre áreas.
  4. Crie o backlog inicial. Liste as capacidades em épicos e detalhe só o que vai entrar nas primeiras Sprints.
  5. Combine a Definição de Pronto. Inclua código revisado, testes automatizados passando, integração no ramo principal e implantação em ambiente de homologação. É a Definição de Pronto que impede o "pronto, só falta testar".
  6. Monte a esteira técnica cedo. Integração contínua, testes automatizados e implantação automatizada no primeiro mês. Cada semana sem esteira aumenta o custo de entregar.
  7. Trabalhe em ciclos curtos. Sprints de uma a duas semanas são comuns em software. Em cada uma, entregue algo utilizável, mesmo que pequeno.
  8. Mostre para usuários reais. A revisão ao fim de cada ciclo precisa de quem vai usar o sistema, não só de gestores.
  9. Meça o fluxo e o resultado. Tempo de ciclo e vazão mostram a saúde do processo; uso e satisfação mostram se o produto serve.
  10. Melhore um ponto por vez. Na retrospectiva, escolha uma melhoria concreta e acompanhe na Sprint seguinte.

Exemplo ilustrativo: sistema de chamados de uma secretaria

Uma secretaria municipal precisa substituir o atendimento por e-mail e telefone por um sistema de chamados para as escolas da rede. O exemplo é ilustrativo.

Produto e objetivo: diretores de escola abrem e acompanham chamados de manutenção sem ligar para a secretaria.

Time: cinco pessoas de desenvolvimento e testes, uma pessoa de infraestrutura em meio período e uma servidora da área de manutenção como Product Owner, com tempo reservado na agenda.

Primeiras Sprints (duas semanas cada): na primeira, o diretor abre um chamado simples e a equipe de manutenção recebe por e-mail; na segunda, o diretor acompanha o andamento; na terceira, a manutenção prioriza chamados por urgência. Cada Sprint termina com o sistema em uso por três escolas piloto.

Esteira: desde a primeira Sprint, cada alteração passa por testes automatizados e vai para o ambiente de homologação sem intervenção manual.

Aprendizado: na revisão da segunda Sprint, os diretores pedem para anexar fotos do problema. O item entra no backlog e o Product Owner o coloca acima do relatório gerencial, que perde prioridade. Num plano em cascata, essa descoberta apareceria na homologação final.

Erros comuns ao adotar desenvolvimento ágil

  • Só a camada de gestão. Eventos do Scrum sem testes automatizados e integração contínua produzem Sprints que terminam sem nada utilizável.
  • Sprints como miniprojetos em cascata. Análise na primeira semana, código na segunda e testes "na próxima Sprint".
  • Product Owner sem tempo ou sem autoridade. O time fica esperando decisões ou recebe prioridades conflitantes.
  • Medir horas em vez de entrega. Relatórios de horas trabalhadas não dizem se o software serve.
  • Escopo fechado com discurso ágil. Se tudo precisa ser entregue exatamente como especificado, o ganho do ágil some. Combine com o cliente o que é fixo e o que é negociável.

O que fazer agora

Avalie o seu time nas três camadas: gestão, engenharia e fluxo. Escolha a mais fraca e defina uma mudança para o próximo ciclo, como incluir testes automatizados na Definição de Pronto ou medir o tempo de ciclo dos últimos vinte itens. Se o time usa o Jira, configurar bem o quadro, os tipos de item e os relatórios ajuda a enxergar o fluxo real. O curso Jira Avançado da Projeto Diário trata da configuração de fluxos, quadros, automações e relatórios no Jira para times de entrega.

Perguntas frequentes

O que é uma metodologia ágil de desenvolvimento de software?
É uma forma de construir software em ciclos curtos, entregando partes funcionais com frequência, com o cliente participando e o plano sendo ajustado a cada entrega. Os métodos ágeis seguem os valores e princípios do Manifesto Ágil, de 2001.
Quais são as metodologias ágeis mais usadas em software?
Scrum para organizar o trabalho em Sprints, Kanban para gerenciar o fluxo e XP para as práticas de engenharia, como testes automatizados e integração contínua. Muitos times combinam os três.
Ágil significa não ter documentação nem planejamento?
Não. O ágil planeja em vários horizontes e documenta o que é útil. O que muda é que o plano detalhado cobre só o curto prazo e é revisto a cada ciclo, com base no software funcionando.
Dá para usar ágil em software com contrato de escopo fechado?
Dá, mas com cuidado. O comum é fixar prazo e orçamento e negociar o escopo dentro deles por prioridade, ou dividir o contrato em fases menores. O formato deve ser combinado com o cliente antes de começar.

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