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Planejamento, Cronograma e Custos

Matriz de rastreabilidade de requisitos: modelo e exemplo

A matriz de rastreabilidade de requisitos é a tabela que liga cada requisito à razão de ele existir e ao lugar onde ele foi atendido. De um lado, o objetivo de negócio e quem pediu; do outro, a entrega da Estrutura Analítica do Projeto (EAP), o componente construído e o teste que comprovou o resultado. Parece burocracia até o dia em que alguém pede uma mudança e o projeto precisa responder, em uma hora, o que mais será afetado.

Sem a matriz, essa resposta depende da memória de quem estava nas reuniões de levantamento. Com ela, basta filtrar uma linha. O mesmo vale para a pergunta do patrocinador na homologação ("tudo o que pedimos foi testado?") e para a pergunta inversa, mais rara e mais cara: por que a equipe construiu uma função que ninguém pediu?

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O que é a matriz de rastreabilidade de requisitos

No Guia PMBOK (6ª edição), a matriz de rastreabilidade dos requisitos é uma das saídas do processo de coletar os requisitos, ao lado da documentação dos requisitos. O guia a descreve como uma grade que liga os requisitos do produto, desde a origem, às entregas que os satisfazem, e indica rastrear, entre outros pontos:

  • as necessidades, oportunidades e objetivos do negócio;
  • os objetivos do projeto;
  • o escopo do projeto e as entregas da EAP;
  • o desenho e o desenvolvimento do produto;
  • a estratégia e os cenários de teste;
  • os requisitos de alto nível até os detalhados.

Na engenharia de software, a mesma ideia aparece com a sigla RTM (requirements traceability matrix) e costuma ter foco na ligação entre requisito, código e caso de teste. Ela acompanha o projeto inteiro, do levantamento ao aceite, e é atualizada a cada mudança aprovada. O lugar dela no conjunto dos processos de escopo está no artigo sobre gerenciamento do escopo do projeto.

Para que a matriz serve no dia a dia

  1. Analisar o impacto de uma mudança. A linha do requisito mostra as entregas, os componentes e os testes que serão refeitos. É o insumo que o fluxo de gestão de mudanças em projetos precisa para estimar prazo e custo.
  2. Achar requisitos órfãos. Requisito sem entrega ou sem teste é promessa que ninguém está cumprindo.
  3. Achar trabalho sem pedido. Entrega ou componente que não aparece em nenhuma linha é escopo não aprovado, o chamado gold plating.
  4. Organizar o aceite. Na homologação, a matriz vira o roteiro: cada requisito, o teste que o comprova e o resultado.
  5. Sustentar auditorias. Em projetos regulados ou com contrato, ela demonstra que o que foi contratado foi entregue e verificado.

Rastreabilidade bidirecional: para frente e para trás

Sentido Pergunta Exemplo
Para frente Este requisito virou entrega e foi testado? RF-02 está na entrega 2.1 e no caso de teste CT-05
Para trás Por que esta entrega ou este teste existe? O componente de notificações atende ao RF-04, que vem do objetivo OBJ-01

A matriz que só funciona para frente garante cobertura, mas não pega o trabalho desnecessário. A que funciona nos dois sentidos fecha as duas portas. Na planilha, a rastreabilidade para trás exige que os identificadores das entregas e dos testes também possam ser buscados, por exemplo com um filtro na coluna de testes.

Modelo de matriz de rastreabilidade para copiar

Comece pelas colunas essenciais e acrescente as opcionais só se alguém for usá-las.

Coluna Conteúdo Essencial?
ID Identificador único e estável (RN-01, RF-01, RNF-01) Sim
Requisito Descrição curta e verificável Sim
Tipo Negócio, parte interessada, funcional, não funcional, transição Sim
Origem Quem pediu e em que reunião ou documento Sim
Objetivo ligado Objetivo de negócio ou do projeto que justifica o requisito Sim
Prioridade Obrigatório, importante, desejável Sim
Requisito pai ID do requisito de nível acima, quando houver Não
Entrega da EAP Código do pacote de trabalho Sim
Componente ou desenho Tela, módulo, documento de arquitetura Não
Caso de teste ID dos testes que verificam o requisito Sim
Critério de aceite Como saber que está atendido Sim
Status Proposto, aprovado, em construção, testado, aceito, cancelado Sim
Versão e data Última alteração aprovada Não

O critério de aceite pode morar na documentação dos requisitos em vez da matriz; o importante é que exista e que a matriz aponte para ele. A descrição detalhada de cada pacote, por sua vez, fica no dicionário da EAP, e a matriz só cita o código.

Exemplo preenchido: sistema de protocolo eletrônico

O exemplo é ilustrativo. Uma prefeitura vai implantar um sistema de protocolo eletrônico para que os cidadãos abram e acompanhem requerimentos pela internet. Os objetivos do projeto são reduzir o tempo de tramitação dos processos (OBJ-01) e permitir a abertura de requerimentos sem ida ao balcão (OBJ-02).

ID Requisito Tipo Origem Objetivo Prioridade Entrega Teste Status
RN-01 Cidadão abre requerimento pela internet Negócio Secretaria de Administração OBJ-02 Obrigatório 2.0 CT-01 a CT-03 Aprovado
RF-01 Formulário de abertura com anexo de documentos em PDF Funcional Oficina com o protocolo OBJ-02 Obrigatório 2.1 CT-01, CT-02 Em construção
RF-02 Consulta do andamento pelo número do protocolo Funcional Oficina com o protocolo OBJ-02 Obrigatório 2.1 CT-05 Em construção
RF-03 Encaminhamento entre setores com prazo de análise Funcional Chefes de setor OBJ-01 Obrigatório 2.2 CT-06, CT-07 Aprovado
RF-04 Aviso por e-mail a cada mudança de etapa Funcional Ouvidoria OBJ-01 Importante 2.3 CT-08 Aprovado
RNF-01 Atender aos requisitos de acessibilidade definidos pelo órgão Não funcional Comitê de governo digital OBJ-02 Obrigatório 2.1 CT-10 Aprovado
RT-01 Servidores do protocolo treinados antes da virada Transição Secretaria de Administração OBJ-01 Obrigatório 4.1 Avaliação do treinamento Proposto

Duas leituras que a tabela permite em segundos:

  • Mudança. A ouvidoria pede que o aviso também saia por mensagem no celular. Filtrando RF-04, você vê a entrega 2.3 e o teste CT-08, e sabe que a mudança não toca nas entregas 2.1 e 2.2.
  • Cobertura. RF-02 tem um único teste. Se a consulta precisa funcionar também para processos antigos migrados, falta um caso de teste, e a matriz mostra isso antes da homologação.

Em projetos de software, a distinção entre requisitos de negócio, funcionais e não funcionais pesa mais; o artigo sobre escopo de projeto de software mostra como documentá-los antes de levá-los à matriz.

Como montar a matriz no Excel passo a passo

  1. Crie a tabela (Inserir, Tabela) com as colunas do modelo. A tabela formatada facilita filtros e fórmulas que crescem sozinhas.
  2. Defina a regra dos identificadores. Prefixo por tipo e número sequencial que nunca é reaproveitado. Requisito cancelado continua na tabela, com status "cancelado".
  3. Crie listas suspensas (Dados, Validação de Dados) para tipo, prioridade e status. Texto livre nessas colunas impede filtrar e contar.
  4. Preencha a origem e o objetivo no levantamento, não depois. É a parte que ninguém consegue reconstruir meses depois.
  5. Preencha entrega e teste quando a EAP e o plano de testes existirem. Até lá, deixe em branco, e o vazio funciona como alerta.
  6. Acrescente verificações. Uma contagem condicional como =CONT.SES(Tabela1[Teste];"";Tabela1[Status];"<>cancelado") mostra quantos requisitos ativos estão sem teste. Faça o mesmo para entrega.
  7. Proteja o histórico. Salve uma versão a cada mudança aprovada ou use o histórico de versões do armazenamento em nuvem.

Matriz de rastreabilidade em projetos ágeis

Em projetos ágeis, a matriz raramente é uma planilha separada. A rastreabilidade fica nas próprias ferramentas: o épico se liga ao objetivo, a história de usuário ao épico, os critérios de aceite à história e os testes automatizados ou manuais à história. A pergunta continua a mesma, só muda o lugar da resposta. O cuidado é garantir que os vínculos sejam preenchidos de fato e que exista um relatório que mostre histórias sem teste e testes sem história. Em projetos contratados ou regulados, ainda é comum exportar essas ligações para uma matriz na homologação.

Erros comuns na matriz de rastreabilidade

  1. Requisitos não verificáveis. "Sistema rápido" não tem teste possível. Reescreva com um número ou um critério observável antes de levar para a matriz.
  2. Colunas demais. Matriz com 25 colunas não é mantida. Fique com as essenciais.
  3. Montar no fim do projeto. A matriz feita na homologação só documenta; a feita no levantamento orienta.
  4. Atualizar só o status. Mudança aprovada que não atualiza entrega e teste deixa a matriz mentindo.
  5. Dono indefinido. Alguém precisa ser responsável por mantê-la, em geral o analista de requisitos ou o gerente do projeto.

O guia de planejamento de projetos mostra onde os requisitos entram no plano, antes da EAP e do cronograma.

Para começar, pegue a lista de requisitos do seu projeto, aplique o modelo com as colunas essenciais e preencha origem e objetivo de cada linha; os vazios que aparecerem são as primeiras perguntas a levar às partes interessadas. Em seguida, use o plano do projeto da Projeto Diário, que reúne num documento só o que você preenche nas ferramentas gratuitas do site, como termo de abertura, EAP, cronograma e riscos, e gera o plano em Word para você anexar a matriz.

Perguntas frequentes

O que é a matriz de rastreabilidade de requisitos?
É uma tabela que liga cada requisito à sua origem (o objetivo de negócio e quem pediu) e ao que o atende (a entrega da EAP, o componente e o teste). Com ela, você sabe por que cada requisito existe e onde ele foi entregue e verificado.
O que é rastreabilidade bidirecional?
É poder seguir a ligação nos dois sentidos: do requisito para a entrega e o teste (para frente) e da entrega ou do teste de volta para o requisito e o objetivo (para trás). O primeiro sentido mostra o que falta entregar; o segundo mostra o que foi feito sem pedido.
Qual a sigla da matriz de rastreabilidade em inglês?
RTM, de requirements traceability matrix. Em português, também aparece como matriz de rastreabilidade dos requisitos, que é o nome usado na tradução do Guia PMBOK.
Como fazer a matriz de rastreabilidade no Excel?
Crie uma tabela com uma linha por requisito e colunas para identificador, descrição, origem, objetivo, prioridade, entrega da EAP, teste e status. Use listas suspensas nas colunas de status e prioridade e uma contagem condicional para achar requisitos sem teste ou sem entrega.

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