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Gestão de Riscos

KRI: indicadores de risco para acompanhar o projeto

O status report diz que o projeto está verde: índice de prazo em 0,98, custo dentro do previsto, entregas da Sprint concluídas. Três semanas depois, o fornecedor da integração anuncia um atraso de dois meses. Os sinais estavam lá, nas entregas parciais que escorregavam um ou dois dias, mas ninguém media isso. É aqui que entra o KRI. Gestão de riscos com indicadores antecedentes troca a surpresa pela tendência.

KRI é a sigla de key risk indicator, ou indicador-chave de risco. Enquanto os indicadores de desempenho mostram o que o projeto já fez, o KRI tenta mostrar o que pode acontecer. Ele é mais difundido na gestão de riscos corporativos e financeiros, mas funciona muito bem em projetos, desde que seja simples, ligado a um risco do registro e acompanhado de uma ação combinada.

A seguir, você vê como separar KRI de KPI e de gatilho, exemplos para os riscos mais comuns em projetos e uma ficha para definir cada indicador. O contexto geral do ciclo de riscos está no guia de gestão de riscos em projetos.

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O que é KRI na gestão de riscos e o que ele mede

Um KRI é uma métrica com três elementos:

  1. Uma medida ligada à causa ou à probabilidade de um risco. Exemplo: percentual de entregas do fornecedor fora do prazo nas últimas quatro semanas.
  2. Limites que separam a situação normal da situação de atenção e da situação crítica. Exemplo: até 10% verde, de 10% a 25% amarelo, acima de 25% vermelho.
  3. Uma ação por faixa. Amarelo: reunião com o fornecedor e plano de recuperação. Vermelho: acionar a resposta contingente e informar o patrocinador.

Sem os três, não é KRI. Uma medida sem limite vira curiosidade; um limite sem ação vira alarme ignorado.

O KRI bom é antecedente: muda antes que o risco aconteça, com folga para agir. O número de defeitos críticos encontrados em produção é um indicador tardio, porque o dano já ocorreu. O número de defeitos críticos abertos na homologação a duas semanas do go-live é antecedente: ainda dá para adiar, reforçar testes ou reduzir escopo.

KRI, KPI e gatilho: qual a diferença

KPI e KRI se misturam com frequência, e o gatilho entra na confusão. A tabela separa os três.

KPI KRI Gatilho
Pergunta que responde Como estamos indo? O risco está aumentando? É hora de acionar a resposta?
Olha para O desempenho já entregue A exposição futura Uma condição específica
Forma Medida contínua Medida contínua com faixas Evento ou limite
Exemplo Índice de desempenho de custo (CPI) Variação do preço do aço nos últimos 60 dias Preço do aço 8% acima do orçado
Quem usa Equipe e patrocinador Dono do risco e gerente Dono do risco

Os três se conectam. Um KPI ruim pode ser sinal de risco (o CPI caindo três meses seguidos sugere que a reserva vai acabar). E o gatilho muitas vezes é o próprio KRI cruzando o limite vermelho. O artigo sobre gatilho de risco mostra como escrever essa condição de disparo. Para os indicadores de desempenho, veja o texto sobre KPIs de projetos.

Exemplos de KRI para projetos

Os exemplos abaixo são ilustrativos e precisam de limites ajustados ao seu contexto.

Risco KRI Por que antecede o problema
Atraso do fornecedor crítico % de entregas parciais fora do prazo nas últimas 4 semanas Atrasos pequenos e repetidos costumam preceder um atraso grande
Estouro do caminho crítico Nº de atividades críticas com folga menor que 5 dias Folga consumida reduz a margem antes do atraso aparecer no marco
Perda de pessoa-chave Horas extras acumuladas por pessoa no mês Sobrecarga prolongada antecede afastamentos e pedidos de saída
Expansão do escopo Solicitações de mudança abertas por mês Volume crescente de pedidos indica escopo mal fechado
Baixa adesão dos usuários % de presença dos usuários-chave nos treinamentos e testes Quem não testa agora rejeita o sistema no go-live
Aumento de custo de insumos Variação do índice de preços do insumo principal no trimestre A alta chega ao orçamento só na próxima compra
Qualidade insuficiente na entrega Defeitos críticos abertos na homologação Mostra se haverá tempo de corrigir antes da data
Gestão de riscos parada Ações de resposta vencidas e não concluídas Resposta atrasada deixa o risco sem tratamento

Repare que o último exemplo mede a saúde do próprio processo. Ele é útil para o PMO acompanhar vários projetos de uma vez.

Como definir KRIs passo a passo

  1. Parta dos riscos prioritários. Pegue os riscos altos e críticos do registro. KRI para risco baixo é custo sem retorno.
  2. Pergunte o que muda antes. Para cada risco, pergunte à equipe: "que sinal veríamos semanas antes disso acontecer?". As melhores respostas costumam vir de quem está mais perto do trabalho.
  3. Escolha uma medida que já exista ou seja barata. Se o dado exige uma planilha manual semanal de duas horas, ele vai parar de ser coletado na terceira semana.
  4. Defina fórmula, fonte, frequência e responsável. "Atraso do fornecedor" não é fórmula. "Entregas fora do prazo dividido pelo total de entregas previstas nas últimas quatro semanas, tirado do controle de recebimento, toda segunda-feira, pelo analista de suprimentos" é.
  5. Fixe os limites com base no apetite a risco. O amarelo deve dar tempo de corrigir; o vermelho deve estar antes do ponto sem volta. Se a organização já definiu sua tolerância a riscos, use esses números como ponto de partida.
  6. Combine a ação de cada faixa. Quem faz o quê quando o indicador muda de cor.
  7. Teste com o passado. Se houver dados de projetos anteriores, veja se o indicador teria avisado a tempo.
  8. Revise a cada fase. Riscos mudam, e o KRI de um risco encerrado sai do painel.

Ficha de KRI para copiar

Campo Exemplo preenchido
Risco associado R07: fornecedor de integração pode atrasar a API e adiar o go-live
Nome do KRI Entregas parciais da API fora do prazo
Fórmula Entregas atrasadas ÷ entregas previstas, janela de 4 semanas
Fonte do dado Quadro de acompanhamento do fornecedor
Frequência Semanal, às segundas
Responsável pela medição Analista de integração
Limites Verde até 10%; amarelo de 10% a 25%; vermelho acima de 25%
Ação no amarelo Reunião técnica com o fornecedor em até 3 dias e plano de recuperação
Ação no vermelho Acionar a contingência (simulador da API) e informar o patrocinador
Dono do risco Coordenador de integração

Como acompanhar os KRIs no dia a dia

Os KRIs só funcionam se estiverem onde as decisões acontecem:

  • No status report: uma linha com os KRIs em amarelo ou vermelho e a ação em curso. Os verdes não precisam de comentário.
  • Na reunião de monitoramento de riscos: os KRIs são a pauta de abertura. O detalhamento dessa rotina está no artigo sobre monitoramento de riscos do projeto.
  • Num painel único: uma tabela simples com o valor atual, a tendência das últimas semanas e a cor. A tendência importa tanto quanto o valor; três semanas subindo dentro do verde já merecem atenção.
  • Em times ágeis: o KRI pode ficar ao lado do gráfico de risk burndown, que mostra a exposição total caindo Sprint a Sprint.

Uma forma complementar de captar sinais é perguntar à própria equipe. O health check do projeto, ferramenta gratuita da Projeto Diário, pede que cada pessoa avalie o projeto em seis dimensões e mostra onde a equipe enxerga risco e onde ela discorda. Divergência grande entre as respostas costuma ser um sinal antecedente tão útil quanto um número.

Erros que tiram o valor do KRI

  • Painel com indicadores demais. Vinte KRIs viram ruído. Um por risco prioritário é suficiente.
  • KPI disfarçado de KRI. Percentual concluído do projeto não antecede nada; ele descreve o passado.
  • Limites definidos depois do problema. O amarelo precisa estar combinado antes, senão a discussão vira negociação para não mudar de cor.
  • Ninguém responsável pela ação. O indicador fica vermelho, todos veem e ninguém age, porque a ação não tinha dono.
  • Dado caro demais. Se medir custa mais esforço que o próprio risco merece, troque o indicador por um mais simples.

Comece pequeno: escolha os três maiores riscos do seu projeto, defina um KRI para cada um com a ficha acima e leve os três para o próximo status report. Quando a quantidade de dados crescer e você quiser um painel que se atualize sozinho, o curso Dashboard Aplicado a Projetos ensina a montar no Excel um painel dinâmico com tabelas, gráficos e indicadores, inclusive a partir de dados exportados do Microsoft Project.

Perguntas frequentes

O que é KRI na gestão de riscos?
KRI (key risk indicator, ou indicador-chave de risco) é uma métrica que mostra se a exposição a um risco está aumentando ou diminuindo. Ela tem limites definidos e uma ação combinada para cada faixa.
Qual a diferença entre KPI e KRI?
O KPI mede o desempenho que o projeto já entregou, como o índice de desempenho de prazo. O KRI mede a chance de um problema futuro, como o percentual de entregas atrasadas de um fornecedor crítico. Um mesmo dado pode servir aos dois, mas a pergunta que cada um responde é diferente.
Quantos KRIs um projeto deve ter?
Poucos. Um KRI para cada risco prioritário costuma bastar, e um projeto médio raramente precisa de mais de oito ou dez. Indicador que ninguém olha ou que não dispara ação deve sair do painel.
KRI e gatilho de risco são a mesma coisa?
Não. O KRI é uma medida contínua acompanhada ao longo do tempo; o gatilho é a condição específica que dispara a resposta. Muitas vezes o gatilho é justamente o KRI cruzando um limite.

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