Por que um plano de desenvolvimento
Gerentes de projetos costumam cuidar do desenvolvimento de todo mundo, menos do próprio. O tempo vai para as entregas, e a formação acontece quando sobra espaço, geralmente em cursos escolhidos por conveniência. Um plano de desenvolvimento muda isso: escolhe poucas competências, define ações concretas no trabalho do dia a dia e marca uma data para revisar.
Esta ferramenta usa o mesmo modelo de competências do diagnóstico do gerente de projetos da Projeto Diário, com três grupos: conhecimento, desempenho e competências pessoais. A diferença é o foco. O diagnóstico completo avalia cada competência com perguntas sobre situações do dia a dia; esta ferramenta pede uma autoavaliação rápida e se concentra no que fazer nos próximos 90 dias.
As sete competências
Conhecimento e desempenho formam a base técnica; as competências pessoais são as que mais diferenciam gerentes experientes. Muitos profissionais chegam à gestão de projetos pela competência técnica e descobrem que o que mais pesa é conseguir que as pessoas façam o que o plano diz.
| Competência | O que envolve |
|---|---|
| Conhecimento | Métodos, técnicas e ferramentas de gestão aplicados com critério |
| Desempenho | Entregas na prática, com resultados verificáveis |
| Liderança | Conduzir pessoas e conseguir compromisso, com ou sem autoridade formal |
| Comunicação | Informar, ouvir e levar as pessoas à decisão |
| Negociação | Chegar a acordos sobre escopo, prazo, recursos e conflitos |
| Ética | Agir com responsabilidade, transparência e respeito às regras |
| Pensamento estratégico | Ligar o projeto aos objetivos do negócio e ao valor gerado |
Como o plano é montado
- Você se avalia de 1 a 5 em cada competência: preciso começar, básico, intermediário, avançado ou sou referência.
- As três competências mais baixas viram o foco. Em caso de empate, vale a ordem do modelo. Foco em três evita o plano que tenta melhorar tudo e não melhora nada.
- Cada competência recebe duas ações práticas. Quem se avaliou até 3 recebe ações de base; quem se avaliou com 4 ou mais recebe ações avançadas. As ações são as do diagnóstico do gerente e acontecem no trabalho real, e não só em sala de aula.
- As ações são distribuídas em três blocos de 30 dias. A competência mais baixa começa primeiro, e o último bloco termina com a revisão: refazer a autoavaliação e comparar.
- O ponto forte aparece como alavanca. A competência mais alta vem com uma sugestão de como compartilhá-la com a equipe, o que também desenvolve liderança.
Quando existe um curso do catálogo ligado à competência, ele aparece como sugestão. O plano funciona sem curso, mas a formação acelera as ações.
Autoavaliação honesta
A autoavaliação tende a ser otimista nas competências que valorizamos e pessimista nas que nos incomodam. Para um resultado mais realista, peça a um colega ou ao seu gestor que avalie você nas mesmas sete competências, e compare. Se houver diferença grande em alguma, ela merece entrar no foco.
Como encaixar o plano na rotina
Plano de desenvolvimento que depende de sobrar tempo não acontece. Três hábitos ajudam: reservar um bloco fixo na agenda, de 30 a 60 minutos por semana, para as ações do plano; escolher, a cada semana, uma situação real do projeto para praticar a competência em foco (uma negociação, uma reunião difícil, uma apresentação ao patrocinador); e registrar em poucas linhas o que tentou e o que aprendeu. A cada 30 dias, releia as anotações e ajuste o plano. Compartilhar o plano com o gestor, ou com um colega que também esteja se desenvolvendo, aumenta muito a chance de ele sair do papel. E ao fim dos 90 dias, celebre o que avançou antes de montar o próximo ciclo: o reconhecimento do progresso sustenta a motivação para continuar.
Exemplo resolvido
Uma gerente de projetos quer assumir projetos maiores, entre áreas, nos próximos doze meses. Ela se avalia assim: conhecimento 4, desempenho 3, liderança 2, comunicação 3, negociação 2, ética 5 e pensamento estratégico 1.
O foco fica em pensamento estratégico, liderança e negociação, todas com ações de base. Nos primeiros 30 dias, ela começa por uma ação de pensamento estratégico e uma de liderança; entre os dias 31 e 60, a segunda ação de pensamento estratégico e a primeira de negociação; e entre os dias 61 e 90, as restantes, terminando com a revisão. O ponto forte é ética, com a sugestão de compartilhar esse critério com a equipe. Use "Preencher com exemplo" para ver o plano completo e baixá-lo em Word.
Erros comuns
- Querer desenvolver tudo ao mesmo tempoTrês competências em 90 dias já é bastante.
- Plano só de cursosCurso ajuda, mas o desenvolvimento acontece aplicando no trabalho.
- Não marcar a revisãoSem data para comparar, o plano vira intenção.
- Esconder o planoCompartilhar com o gestor aumenta o apoio e as oportunidades de prática.
- Ignorar os pontos fortesUsar o que você faz bem é a forma mais rápida de ganhar confiança e visibilidade.
- Autoavaliação sem outro olharA opinião de um colega corrige distorções.
Como levar isso para a equipe inteira
Quando os gerentes de uma mesma empresa fazem a autoavaliação, é comum aparecerem lacunas parecidas: negociação e pensamento estratégico, por exemplo, costumam ficar baixos em equipes que vieram de áreas técnicas. Nesse caso, planos individuais ajudam, mas uma formação comum rende mais: a equipe aprende junto, pratica com os casos da empresa e cria uma linguagem compartilhada.
Um caminho prático é consolidar os resultados das autoavaliações (só as notas por competência, sem expor ninguém) e usar o levantamento de necessidades de treinamento para decidir o que vira turma e o que fica no plano individual. Gestores que acompanham os planos a cada 30 dias multiplicam o efeito.
O erro mais comum é usar a autoavaliação como avaliação de desempenho. Quando há risco de punição, as notas sobem e o plano perde o sentido.
A Projeto Diário oferece treinamento para equipes em liderança e comunicação em projetos, com os casos reais da sua empresa.
Perguntas frequentes
De onde vem o modelo de competências?
É o mesmo modelo do diagnóstico do gerente de projetos da Projeto Diário, organizado em conhecimento, desempenho e competências pessoais.
Por que o plano tem só três competências?
Porque desenvolvimento exige prática, e prática exige tempo. Três competências em 90 dias é um ritmo sustentável para quem está conduzindo projetos.
O que muda entre ações de base e avançadas?
As de base constroem o fundamento da competência. As avançadas partem de quem já domina o básico e buscam ensinar, sistematizar e ampliar o alcance.
Posso refazer o plano?
Sim. Ao fim dos 90 dias, refaça a autoavaliação: o plano do próximo ciclo sai das novas notas.
Os dados ficam salvos onde?
No seu navegador. Com a sua conta do site, quando o recurso estiver disponível, você também pode guardar versões do plano.
Vocês oferecem treinamento de liderança para equipes de projetos?
Sim. O treinamento In Company de liderança e comunicação em projetos trabalha as competências pessoais com situações reais da empresa. Solicite uma proposta.