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Planejamento, Cronograma e Custos

Tipos de contratos no PMBOK: preço fixo, custos e tempo

Os tipos de contratos (PMBOK, 6ª edição) respondem a uma pergunta que vale dinheiro: se o trabalho custar mais do que o estimado, quem paga a diferença? No contrato de preço fixo, o fornecedor. No de custos reembolsáveis, o comprador. No de tempo e material, depende de quanto tempo o trabalho levar. Escolher o tipo errado transforma uma incerteza do projeto num prejuízo para uma das partes, e prejuízo de uma parte quase sempre vira conflito para as duas.

A seguir estão as três famílias e suas variações, com exemplos de cálculo, a divisão de risco de cada uma e um roteiro para escolher. A classificação vem da 6ª edição do guia, que detalha o tema; as edições seguintes tratam as aquisições de forma mais resumida, mas os tipos de contrato continuam os mesmos no mercado e nas provas de certificação.

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Os tipos de contratos no PMBOK: três famílias

Família Como o fornecedor é pago Escopo que pede Quem carrega o risco de custo
Preço fixo Valor total combinado pela entrega Bem definido Principalmente o fornecedor
Custos reembolsáveis Custos reais mais uma remuneração Incerto ou que vai evoluir Principalmente o comprador
Tempo e material Taxa por hora ou por unidade de material Indefinido, trabalho pequeno Dividido; cresce para o comprador com a duração

Nas siglas abaixo, em inglês, estão os nomes que aparecem nos materiais de preparação para o exame do Project Management Institute (PMI). A tradução em português do guia usa nomes equivalentes.

Contratos de preço fixo

Preço fixo garantido (FFP)

O preço é fechado e só muda se o escopo mudar por aditivo. É o tipo mais comum e o mais confortável para o comprador, desde que o escopo esteja descrito com precisão. Se a especificação for vaga, o fornecedor vai precificar a incerteza (cobrando mais) ou vai interpretar o escopo a seu favor durante a execução. Os dois saem caros.

Preço fixo com incentivo (FPIF)

O contrato define custo alvo, lucro alvo, uma divisão de economia e de excesso e um preço teto. O fornecedor ganha mais se gastar menos que o alvo, e ganha menos se gastar mais, até o teto.

Exemplo ilustrativo: custo alvo de R$ 200 mil, lucro alvo de R$ 20 mil (preço alvo de R$ 220 mil), divisão 70/30 (comprador/fornecedor) e preço teto de R$ 240 mil.

Custo real Diferença Ajuste no lucro (30%) Lucro Preço pago
R$ 180 mil 20 mil abaixo + R$ 6 mil R$ 26 mil R$ 206 mil
R$ 210 mil 10 mil acima menos R$ 3 mil R$ 17 mil R$ 227 mil
R$ 235 mil 35 mil acima menos R$ 10,5 mil R$ 9,5 mil R$ 244,5 mil, limitado a R$ 240 mil

No último caso, o teto corta o preço, e o fornecedor fica com lucro de R$ 5 mil. O custo a partir do qual o fornecedor absorve sozinho cada real excedente é o ponto de assunção total (PTA, de point of total assumption): (preço teto menos preço alvo) / participação do comprador + custo alvo = (240 menos 220) / 0,7 + 200, cerca de R$ 228,6 mil. O conceito não aparece no guia, mas é comum nos materiais de preparação para o exame.

Preço fixo com ajuste econômico de preço (FPEPA)

É o preço fixo com uma cláusula que corrige o valor por um índice definido no contrato, como inflação ou variação cambial de um insumo importado. Serve para contratos longos, em que nenhum fornecedor aceitaria segurar sozinho a variação de preços de vários anos. No Brasil, é a lógica da cláusula de reajuste por índice.

Contratos de custos reembolsáveis

O comprador paga os custos reais e permitidos, comprovados, mais uma remuneração que representa o lucro do fornecedor. Fazem sentido quando o escopo não pode ser definido no início: pesquisa, desenvolvimento de um produto novo, recuperação de uma situação de emergência. Exigem do comprador capacidade de auditar custos, porque a fatura é o que o fornecedor gastou.

Custo mais remuneração fixa (CPFF)

A remuneração é um valor fixo, calculado sobre o custo estimado, e não muda se o custo real mudar (só muda com mudança de escopo). Com custo estimado de R$ 200 mil e remuneração de R$ 20 mil, um custo real de R$ 230 mil resulta em pagamento de R$ 250 mil. O fornecedor não perde com o excesso, mas também não ganha mais com ele.

Custo mais remuneração de incentivo (CPIF)

A remuneração varia com o desempenho de custo, numa divisão combinada. Com custo alvo de R$ 200 mil, remuneração alvo de R$ 20 mil e divisão 80/20 (comprador/fornecedor):

  • Custo real de R$ 180 mil: a economia de R$ 20 mil dá R$ 4 mil a mais ao fornecedor. Remuneração de R$ 24 mil, pagamento de R$ 204 mil.
  • Custo real de R$ 220 mil: o excesso de R$ 20 mil tira R$ 4 mil. Remuneração de R$ 16 mil, pagamento de R$ 236 mil.

Contratos desse tipo costumam fixar remuneração mínima e máxima.

Custo mais remuneração por desempenho (CPAF)

O fornecedor recebe os custos, e a remuneração depende de critérios de desempenho avaliados pelo comprador, como qualidade, prazo ou satisfação dos usuários. A avaliação é do comprador e, em geral, o contrato prevê que não cabe contestação. Exige critérios muito claros para não virar fonte de desgaste.

Existe ainda a variante em que a remuneração é um percentual do custo real. Ela premia o fornecedor por gastar mais e, por isso, é evitada por quem compra.

Contrato de tempo e material (T&M)

O comprador paga uma taxa por hora de cada perfil profissional (ou por diária) e os materiais usados, geralmente com preços unitários fixados no contrato. Tem algo de preço fixo (as taxas) e algo de custos reembolsáveis (a quantidade em aberto).

É o tipo certo para reforço de equipe, apoio especializado de curta duração e trabalho que começa antes de o escopo estar claro. O risco para o comprador cresce com o tempo: se o trabalho se arrasta, a fatura cresce junto. Por isso, inclua um teto de horas ou de valor e uma regra de aprovação para ultrapassá-lo. Um T&M que dura o projeto inteiro costuma ser sinal de que o escopo já poderia ter sido fechado num preço fixo.

O risco de cada tipo, lado a lado

Do maior para o menor risco de custo para o comprador:

Tipo Risco do comprador Risco do fornecedor Esforço de gestão do comprador
Custo mais percentual do custo Muito alto Muito baixo Alto
Custo mais remuneração fixa (CPFF) Alto Baixo Alto
Custo mais remuneração por desempenho (CPAF) Alto Baixo a médio Alto
Custo mais incentivo (CPIF) Médio a alto Médio Alto
Tempo e material (T&M) Médio, cresce com a duração Baixo a médio Médio
Preço fixo com ajuste econômico (FPEPA) Médio Médio Médio
Preço fixo com incentivo (FPIF) Baixo a médio Médio a alto Médio
Preço fixo garantido (FFP) Baixo Alto Baixo na execução, alto na especificação

A última coluna é a que costuma ser esquecida: o preço fixo transfere risco, mas cobra a conta adiantada, no esforço de especificar bem.

Como escolher o tipo de contrato

Faça quatro perguntas sobre cada aquisição:

  1. O escopo pode ser descrito hoje com precisão? Sim: preço fixo. Não, mas vai ficar claro em algumas semanas: comece com T&M curto e feche um preço fixo depois. Não e não vai ficar: custos reembolsáveis.
  2. O prazo é longo e os preços dos insumos variam? Acrescente ajuste econômico.
  3. Há interesse em premiar economia ou prazo? Use incentivo, com metas mensuráveis.
  4. O comprador tem como auditar custos? Se não tiver, evite custos reembolsáveis, mesmo que o escopo seja incerto; quebre o trabalho em etapas menores com preço fixo cada uma.

O tipo de contrato vem depois da decisão de fazer ou contratar e fica registrado, aquisição por aquisição, no plano de gerenciamento das aquisições. O efeito no orçamento, com as reservas para cada tipo de risco, é assunto da gestão de custos do projeto.

E nos projetos com órgãos públicos?

Nas contratações públicas brasileiras, quem define as regras é a Lei 14.133/2021, com regimes de execução próprios para obras e serviços de engenharia, como empreitada por preço global, empreitada por preço unitário, empreitada integral, contratação por tarefa, contratação integrada e semi-integrada. A comparação com as famílias do PMBOK ajuda a entender quem carrega cada risco (a empreitada por preço global se parece com o preço fixo; a por preço unitário fixa o preço de cada unidade e deixa a quantidade em aberto), mas não substitui a lei nem a orientação jurídica do órgão.

Erros comuns na escolha do contrato

  1. Preço fixo com escopo vago. O desconto da proposta volta em forma de aditivos e disputas.
  2. Incentivo sem métrica. Se ninguém consegue medir o desempenho, a remuneração vira negociação a cada fatura.
  3. T&M sem teto. O contrato mais simples de assinar é o mais difícil de encerrar.
  4. Usar sempre o mesmo tipo de contrato, o "padrão da empresa". Cada aquisição tem um nível de incerteza; o contrato deve acompanhar.
  5. Vários fornecedores sem coordenação. Quando entregas de contratos diferentes dependem umas das outras, o atraso de um vira atraso de todos. O artigo sobre como evitar atrasos em projetos com múltiplos fornecedores trata dessa coordenação.

O guia de planejamento de projetos mostra onde as aquisições entram no plano, ao lado do escopo, do cronograma e do orçamento.

Para aplicar agora, liste as aquisições do seu projeto, responda às quatro perguntas para cada uma e anote o tipo de contrato e o motivo da escolha. Se você quer dominar contratos, custos e as demais decisões que cabem ao gerente com segurança, o curso Gerente de Projetos Expert da Projeto Diário percorre o ciclo completo do projeto com exercícios aplicados.

Perguntas frequentes

Quais são os tipos de contratos segundo o PMBOK?
O Guia PMBOK agrupa os contratos em três famílias: preço fixo, custos reembolsáveis e tempo e material. Cada família tem variações, como preço fixo com incentivo ou custo mais remuneração fixa, que mudam a divisão do risco de custo.
Qual tipo de contrato tem maior risco para o comprador?
Os de custos reembolsáveis, porque o comprador paga os custos reais do fornecedor, sejam eles quais forem. No preço fixo firme acontece o contrário: o risco de custo fica quase todo com o fornecedor.
Quando usar contrato tempo e material?
Quando o escopo não pode ser definido com precisão e o trabalho é pequeno ou de curta duração, como apoio especializado ou reforço de equipe. Para limitar o risco, fixe um teto de horas ou de valor no contrato.
O que é o ponto de assunção total?
É o custo a partir do qual, num contrato de preço fixo com incentivo, o fornecedor passa a absorver sozinho todo o excesso, porque o preço já bateu no teto. O cálculo é a diferença entre preço teto e preço alvo, dividida pela participação do comprador, somada ao custo alvo.

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