Ishikawa ou 5 porquês: qual usar na análise de causa
Um problema apareceu no projeto, a equipe precisa achar a causa, e alguém pergunta: diagrama de Ishikawa ou 5 porquês? As duas ferramentas são as mais conhecidas para análise de causa, e é comum ver uma usada onde a outra funcionaria melhor. O resultado é uma reunião longa para um problema simples, ou uma conclusão rápida demais para um problema que tinha várias causas.
A diferença central cabe em uma linha: o Ishikawa busca amplitude, os 5 porquês buscam profundidade. A partir disso dá para decidir qual usar, e quando vale combinar os dois. A seguir estão a comparação lado a lado, exemplos de cada uso e um roteiro de decisão.
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O que cada ferramenta faz
O diagrama de Ishikawa, também chamado de espinha de peixe ou diagrama de causa e efeito, foi difundido pelo engenheiro japonês Kaoru Ishikawa. Ele coloca o problema na cabeça do peixe e organiza as causas possíveis em categorias, como os 6M. A pergunta que ele responde é: "quais fatores podem estar contribuindo para isso?". O passo a passo de montagem está no artigo diagrama de Ishikawa: o que é e como fazer.
Os 5 porquês são associados ao Sistema Toyota de Produção. Partem do problema e perguntam "por quê?" seguidamente, cada resposta virando o ponto de partida da pergunta seguinte, até chegar a uma causa sobre a qual a equipe pode agir. A pergunta que respondem é: "qual é a cadeia que levou a isso?". O método completo está em 5 porquês: como achar a causa raiz.
Diagrama de Ishikawa x 5 porquês: tabela comparativa
| Critério | Diagrama de Ishikawa | 5 porquês |
|---|---|---|
| Direção da análise | Amplitude: muitas causas em paralelo | Profundidade: uma cadeia por vez |
| Melhor para | Problemas com várias causas possíveis | Problemas com uma causa provável ou falha pontual |
| Formato | Diagrama com categorias | Lista encadeada de perguntas e respostas |
| Participantes | Grupo com visões diferentes do processo | Pode ser feito por duas ou três pessoas que conhecem o caso |
| Tempo típico | Uma a duas horas de reunião, mais a verificação | De 15 minutos a uma hora |
| Principal risco | Virar lista de opiniões sem verificação | Seguir uma única cadeia e ignorar outras causas |
| Saída | Mapa de causas candidatas a verificar | Uma causa de base para tratar |
| Sinal de que deu certo | Causas concretas e verificáveis em cada categoria | A última resposta aponta algo que a equipe pode mudar |
Quando os 5 porquês bastam
Use os 5 porquês quando o problema é bem delimitado, aconteceu há pouco tempo e há evidência do que ocorreu. Falhas pontuais em entrega, incidentes e erros de processo costumam se encaixar.
Exemplo (ilustrativo). Em um projeto de software, a publicação de uma nova versão derrubou o sistema por duas horas.
- Por que o sistema caiu? Porque a nova versão tinha uma configuração de banco de dados de homologação.
- Por que a configuração errada foi para produção? Porque o arquivo de configuração foi editado à mão no momento da publicação.
- Por que foi editado à mão? Porque o roteiro de publicação não separa as configurações por ambiente.
- Por que o roteiro não separa? Porque foi escrito no início do projeto, quando só havia um ambiente, e nunca foi revisado.
- Por que nunca foi revisado? Porque a criação de novos ambientes não inclui revisar o roteiro de publicação.
A ação sai da quinta resposta: incluir a revisão do roteiro no checklist de criação de ambiente, e separar as configurações por ambiente. Uma reunião curta resolveu, porque a cadeia era única e cada resposta tinha evidência no histórico.
Quando o Ishikawa é a escolha certa
Use o Ishikawa quando o problema é recorrente, tem muitos fatores possíveis ou a equipe discorda sobre a causa. Nesses casos, começar por uma cadeia de porquês tende a seguir a primeira hipótese que aparece, e as outras ficam de fora.
Exemplo (ilustrativo). No projeto de lançamento de um produto, as entregas dos fornecedores de embalagem atrasaram em quatro das seis últimas etapas. Cada pessoa tinha uma explicação diferente: compras culpava o fornecedor, o fornecedor culpava as mudanças de arte, o marketing culpava o prazo apertado.
No diagrama, a equipe registrou causas em várias categorias: aprovações de arte sem prazo definido (método), especificação técnica enviada incompleta (material), fornecedor com uma só linha disponível (máquina), nenhum indicador de prazo por fornecedor (medida). O diagrama mostrou que o problema tinha mais de uma causa, e que a discussão anterior girava em torno de uma só.
Como usar os dois juntos
Em problemas complexos, a combinação é o caminho mais seguro:
- Ishikawa para abrir. A equipe levanta as causas possíveis em todas as categorias.
- Escolha das mais prováveis. Por consenso, votação ou dados disponíveis, a equipe separa duas ou três causas.
- 5 porquês para descer. Cada causa escolhida ganha sua própria cadeia de porquês, até chegar a algo em que dá para agir.
- Verificação. Cada causa de base é confirmada com dado antes de virar ação.
No exemplo das embalagens, a causa "aprovações de arte sem prazo definido" virou cadeia de porquês e chegou a outra mais concreta: o fluxo de aprovação tinha quatro aprovadores em sequência, sem substituto em caso de ausência. Essa é a causa que o plano de ação consegue atacar.
Depois de verificadas as causas, o próximo passo é o plano de ação. O caminho do diagrama até o 5W2H, sem perder o rastro de qual ação ataca qual causa, está em Ishikawa e 5W2H: da causa raiz ao plano de ação.
Roteiro de decisão em quatro perguntas
| Pergunta | Se a resposta for sim |
|---|---|
| O problema aconteceu uma vez, é recente e há registro do que ocorreu? | Comece pelos 5 porquês |
| O problema se repete e a equipe tem explicações diferentes para ele? | Comece pelo Ishikawa |
| Os 5 porquês chegaram a uma resposta que não convenceu, ou o problema voltou? | Volte e monte o Ishikawa |
| O Ishikawa gerou causas vagas ("comunicação", "planejamento")? | Aprofunde as principais com 5 porquês |
Se o problema tem muitas ocorrências de tipos diferentes, antes das duas ferramentas pode valer separar os tipos com um diagrama de Pareto, para escolher qual atacar primeiro. Essa combinação está em Pareto e Ishikawa juntos.
Armadilhas de cada ferramenta
Nos 5 porquês:
- Parar em uma pessoa. "Porque o analista errou" não é causa de base. A pergunta seguinte é: por que o processo permitiu o erro?
- Pular etapas da cadeia. Se a resposta não explica diretamente a anterior, a cadeia tem um salto e a conclusão fica frágil.
- Responder com opinião. Cada resposta precisa de evidência ou, ao menos, de uma forma de ser conferida.
No Ishikawa:
- Causas genéricas. Espinhas com "comunicação" ou "falta de recursos" não levam a nenhuma ação.
- Diagrama como conclusão. O diagrama mostra causas possíveis, não causas comprovadas. Sem verificação, ele é só uma lista de hipóteses.
- Categoria forçada. Não é preciso preencher os seis M. Categorias vazias são melhores do que causas inventadas para completar o desenho.
Para entender onde essas duas ferramentas ficam no conjunto, com folha de verificação, Pareto e gráfico de controle, veja o guia de ferramentas da qualidade em projetos.
Escolha a ferramenta e siga para a ação
Olhe para o problema que está na mesa agora e responda às quatro perguntas do roteiro. Se for pontual, faça os 5 porquês ainda hoje com quem participou do caso; se for recorrente, marque uma hora com as áreas envolvidas e monte o diagrama. Em qualquer dos dois, a análise só termina quando a causa confirmada vira ação com dono e prazo, e a ferramenta 5W2H gratuita da Projeto Diário monta esse plano em poucos minutos.