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Entender como seu colega de baia (ou seu chefe!) se sente só de olhar para ele é uma habilidade que pode fazer muito pela sua carreira. É o que defende o psicólogo Daniel Goleman em seu livro.
1- O que é inteligência social?
É a parte de um conceito que estuda a inteligência emocional. Ser socialmente inteligente significa possuir alto grau de empatia, de consciência solcial. E, além de sentir e compreender os sentimentos dos outros nas ocasiões de interação social, significa reagir de forma adequada a essa compreensão. Esse conjunto de habilidades não é crucial para conseguir um emprego: nesse caso, contam mais a escolaridade e a inteligência tradicional. Mas, uma vez que o emprego seja seu, essas habilidades contam pontos para a maneira como você se relaciona com os outros. E para a forma mais ou menos bem-sucedida como realizará seu trabalho.
2- Há alguma diferencça com relação às habilidades necessárias para ser emocionalmente inteligente?
A consciência sobre si mesmo e a habilidade que cada um tem de gerenciar suas emoções, elementos cujos mecanismos cerebrais de base já haviam sido largamente estudados na reurologia. Na época, entretanto, havia pouco conhecimento científico sobre as estruturas cerebrais da inteligência social. Nos últimos anos, pesquisas na área de neurociência social permitiram conhecer melhor essa outra metade, cujos componentes são a empatia e as habilidades sociais. Aqui, a perspectiva é ampliada do indivíduo para o que acontece entre dois indivíduos (ou mais) quando interagem; do impacto de um terceiro sobre nós e do nosso sobre ele.
3- Ambientes que glorificam modelos ambiciosos podem incentivar o desenvolvimento de profissionais incapazes de sentir empatia - Daniel Goleman divide-os em três tipos:
* NARCISISTA - É valioso nas empresas se não passar para o nível patológico, quando espera ouvir apenas informações que confirmem sua grandeza. É pouco empático, altamente competitivo e pronto a explorar pessoas ao seu redor para glorificar a si mesmo. Floresce quando o desempenho sob estresse é importante.
* MAQUIAVÉLICO - Costuma ter empatia restrita: só entende no outro aquilo que lhe pode ser útil. É socialmente muito sagaz: realista a respeito de si mesmo e dos outros, não faz julgamento moral, é calculista e arrogante. Seu comportamento mina a cooperação. Funciona bem, até certo nível, em áreas que exigem capacidade de negociação, diplomacia e política.
* PSICOPATA - É a versão extrema do maquiavélico. Não tem empatia e é incapaz de reconhecer qualquer emoção nos outros. Dificilmente inibe seus impulsos, já que não sente ansiedade ou medo - e fica calmo mesmo em situações de muito estresse. São em geral, "bem-sucedidos" no mundo ilegal e do crime.
4- Expressar suas emoções de forma livre, em especial no ambiente de trabalho, não é arriscado?
A expressão apropriada de emoções depende das normas sociais implícitas de um grupo. Na maioria dos ambientes de trabalho, por exemplo, é pouco apropriado chorar, a não ser por um motivo extremo. O nível de reprovação é maior ainda para homens que choram. Outra emoção contraditória no trabalho é a raiva. No ambiente corporativo das empresas americanas, a expressão de raiva é mais ou menos aceita, desde que você seja um líder ou tenha uma cargo sênior. Normas implícitas variam. E, quando não é possível mudá-las, não há o que fazer senão respeitá-las.
5- Então, exercer inteligência social trata-se de restringir a expressão de sentimentos?
Há dois processos ai. Inteligência emocional se refere ao que acontece dentro de cada um. E inteligência social expande a questão para o que acontece numa relação entre, pelo menos, dois indivíduos. No que diz respeito a controlar nossas emoções, estamos falando de algo que acontece dentro de cada um. Isso se traduz em, de um lado, não permitir que sensações negativas ou estressantes se transformem em obstáculos para a realização de qualquer de nossos propósitos. Por outro lado, significa canalizar sentimentos positivos para que tenhamos mais energia, mais motivação para fazer o que queremos. Agora, quando tratamos de expressar emoções, então, nos referimos à inteligência social, aquilo que acontece entre indivíduos. As emoções negativas ou positivas que sentimos afetam o outro também.
6- Se muitos comportamentos disfuncionais têm origem no cérebro, podemos culpar os genes por nossa falta de sensibilidade?
Não, a não ser que haja algum dano ou deficiência cerebral, como acontece com os autistas. Como expliquei, as habilidades sociais são passíveis de serem aprendidas. Eu uso o termo "autismo social" para me referir a pessoas que preferem focar exclusivamente em si. Há profissões em que esse tipo de indivíduo pode funcionar numa certa medida: em funcões muito especializadas, em que sempre há quem passe dias e dias trabalhando sozinho. Mas, até nesses casos, se for alguém que trabalha numa equipe, a habilidade de sentir empatia será necessária.
7- Como as interações entre os indivíduos afetam a nossa saúde física e social?
O cérebro social liga um ser humano a outro de forma fisiológica. Essa relação pode afetar nossos processos biológicos tanto quanto os psicológicos. A noção de solidão (não o número de pessoas que se conhecem, mas o tipo de relação que se tem com elas0 está diretamente relacionada com a saúde. As funções imunológica e cardiovascular tendem a piorar quanto mais solitários se é. o cérebro está programado para detectar rejeição social desde a pré-história, quando fazer parte de um bando era essencial para sobreviver.
8- O livro: Habilidades Sociais de (Daniel Goleman), mostra que as habilidades sociais vêm da infância. É impossível adquiri-las depois de adulto?
É perfeitamente possível desenvolver tais habilidades ao longo da vida, à medida que se é exposto a situações que exigem interação. Muitas delas podem ser elaboradas no ambiente de trabalho. Um agente de vendas, por exemplo, faz isso quando precisa "entender seu cliente de forma a atendê-lo melhor. A Johnson & Johnson tem estudado o assunto. Numa de suas pesquisas sobre desenvolvimento de competências de liderança, uma funcionária exemplificou exatamente este ponto. Ela se deu conta de que o processo de desenvolvimento de suas habilidades sociais começou na adolescência. Depois de uma mudança de cidade, por causa do trabalho dos pais, ela se viu sem amigos. Para não ficar sozinha, se tornou membro de um time de esportes na escola, mas logo percebeu que seu talento não estava em jogar. Estava em ensinar outras crianças a jogar. Esse processo se repetiu várias vezes na sua vida profissional. O que ela sinalizou no estudo é que, através de uma estratégia de erros e acertos, foi copiando modelos que observava em seus relacionamentos e construindo sua habilidade de interação, aumentando seus níveis de empatia.
Minha opinião é de que as pessoas podem e devem ser treinadas para melhorar suas habilidades de inteligência social. Provavelmente tais programas não serão chamados "treinamento em inteligência social". Mas os programas que, por exemplo, desenvolvem líderes ou melhoram o trabalho em equipe estão, na verdade, fazendo isso.
O clima entre uma equipe depende muito das pessoas que fazem parte dela. Mas a posição do chefe direto é crucial. Ele define as linhas gerais das relações e os subordinados tendem a copiar seu comportamento. O grau de empatia gerado por ele afeta mais do que o do presidente da empresa, a não ser que ele seja chefe direto, claro.
Precisamos aumentar nossa percepção de forma a entender o que acontece ao nosso redor e assim melhorar nossas relações humanas.













